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O espírito da prosa (Cristovão Tezza)

A curiosidade do leitor sobre a vida do autor que escreveu alguma obra que tenha agradado muito é bastante comum (vide os comentários sobre Serena, de Ian McEwan). Imagine então quando esse escritor passa a ser reconhecido não só por uma pessoa, mas por várias. Ou ainda: pela crítica. E começa a acumular prêmios e elogios, aumentando ainda mais a vontade de saber mais sobre aquela pessoa. O que fez com que ele começasse a escrever? O que o inspirou? Como faz para afiar cada vez mais seu modo de escrever? Em suma: o que há em sua formação que o tornou uma peça única em um mar de escritores?

Sobre este interesse, basta observar a frequência com a qual algumas perguntas se repetem em entrevistas com escritores. Deve existir atualmente pelo menos quinze formas diferentes de perguntar “Quais são suas influências?”, por exemplo. E é por conta dessa infinidade de questões que surgem na mente do leitor que O espírito da prosa (de Cristovão Tezza) trata-se de uma autobiografia literária (como o próprio subtítulo indica) mais do que bem-vinda. Tezza, agora já reconhecido por sua produção (com destaque para O Filho Eterno, publicado em 2007), traz para o leitor uma reflexão sobre como chegou até este momento, o que tornou o garoto que fazia imitações de livros na infância no romancista consagrado dos dias de hoje.

É evidente que ele não se considera um romancista consagrado, ou não se coloca como tal no livro. Até há nas primeiras páginas uma divagação sobre o que faz de um homem um escritor de fato, e da dificuldade de se considerar como tal – que dirá ainda adotar o adjetivo ao lado da profissão. Mas para não nos perdermos em nomeações, vamos considerar que no mínimo, ele é um sujeito que sabe do que está falando. E fala muito bem, como fica nítido em todas as páginas de O espírito da prosa. Os capítulos são curtos, o que empresta uma certa agilidade para a leitura, e tem um tom que mesclam uma palestra com o de uma conversa. Ou seja, expõe bem as questões mas sem que seja chato, prende o interesse não só pela já citada curiosidade que o leitor tem pela formação do escritor, mas também pelo tanto que comenta sobre a literatura em si.

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