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Habibi (Craig Thompson)

Antes de qualquer coisa que se possa falar sobre o mais recente trabalho de Craig Thompson, Habibi, uma coisa é inquestionável: a graphic novel é linda. Linda mesmo, de encher os olhos – cada página parece um quadro, com vários detalhes a serem observados. Não à toa o processo de criação da HQ foi de quase 8 anos: basta observar a página que marca a divisão de capítulos, com uma padronagem belíssima, que eu até por curiosidade observei cuidadosamente para ver se não era um bom ctrlc ctrlv do computador; mas não – se tiverem o livro em mãos, reparem como cada desenho é único, formando um painel rico e, como já dito anteriormente, muito bonito. O efeito se repete de forma mais discreta nas outras páginas, onde o destaque da arte passa a ser o cuidado com que Thompson retrata as histórias contatas por Dodola, e vividas por ela e seu filho adotivo Zam.

Ambos representam minorias no lugar em que vivem: Dodola é mulher, vendida como esposa ainda criança, e desde cedo precisa usar o corpo para sobreviver. Zam é negro, e tem a chance de não ser escravo quando Dodola o salva ainda com três anos de idade, quando então eles passam a viver juntos em um barco abandonado no meio do deserto. Dodola assume um papel de mãe e irmã, mas com a idade logo Zam passa a enxergá-la acima de tudo como mulher, passa a sentir desejo pela pessoa que até então o criara. Isso fica muito bem representado na sequência de quadrinhos que mostra como era o banho das personagens, antes juntos e de forma inocente, e depois separados, com o pedido da garota de que ele não ficasse olhando fixamente para o corpo dela.

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As relações perigosas (Choderlos de Laclos)

Quando comecei a ler O espírito da prosa de Cristovão Tezza, já estava quase chegando ao final da “autobiografia literária” quando algo chama minha atenção: Tezza fala justamente do livro que eu leria a seguir. Tratava-se de As relações perigosas, romance epistolar escrito pelo francês Choderlos de Laclos no século XVIII. Sobre o livro, Tezza diz que é “a obra-prima que consolidou a cultura moderna da correspondência escrita como o espaço perfeito da expressão privada individual“. E não é exagero do brasileiro usar o termo “obra-prima” para falar do livro de Laclos, que até hoje é referência quando o assunto é romance que tem em sua base cartas. Mas, se é possível dizer isso, obviamente é porque Laclos explora ao máximo todas as possibilidades que este tipo de narrativa pode oferecer, aproveitando-se de certas características para criar não só personagens, mas também uma história inesquecível.

O que não deixa de ser extremamente admirável, já que o enredo de As relações perigosas é até bem simples. Através das correspondências trocadas entre diversas personagens, ficamos sabendo sobre os planos da Marquesa de Merteuil para se vingar de um ex-amante, usando para tal o Visconde de Valmont. Como é então que consegue ser tão interessante? Para começar, o que vejo como a principal qualidade da obra, é a sutileza de Laclos. Valmont e Merteuil são ricos, educados e inteligentes e isso fica evidente em suas cartas, algumas bastante sensuais mas de um jeito que o leitor mais desatento pode acabar deixando passar batido. Não espere nada como as cartas de James Joyce para Nora, por exemplo. A graça aqui é o quanto se pode dizer sem ser explícito ou ainda, o quanto se pode dizer sem nada dizer.

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Poemas Escolhidos de Elizabeth Bishop

Quem acompanha o que comento aqui no Meia Palavra sabe que eu tenho um receio bem grande sobre leituras biográficas de determinadas obras. Sei que “a vida imita a arte”, por outro lado sei também que “o poeta é um fingidor”, e muitas vezes tentar comparar vida do autor com o texto que ele escreveu pode criar armadilhas. Sobre isso cito sempre o exemplo de O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e de quantas pessoas erroneamente relacionaram Dorian à Bosie, seu amante. ((Para quem pensa que Dorian tem alguma coisa a ver com Bosie, basta dizer que O retrato de Dorian Gray foi publicado um ano antes de Wilde e Bosie se conhecerem.)) De qualquer modo, de quando em quando surgem casos em que fica simplesmente impossível dissociar vida e obra ao falarmos sobre determinado autor, e um desses casos é o da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. Seus poemas são em sua maioria extremamente pessoais, e uma antologia como a publicada recentemente pela Coleção Listrada da Companhia das Letras parecem funcionar quase como um fotografias em um álbum. O leitor passa os olhos por poemas e quase consegue ouvir Bishop dizendo “Veja, esse aqui é de quando vivi com meus avós” ou “Esse é sobre meu grande amor”.

E embora Bishop já tivesse publicado um livro (North & South, de 1946) antes disso, fico sempre com a impressão que o momento decisivo em sua vida foi a viagem de navio que resolveu fazer na América do Sul, em 1951. Eu não sei o quanto dessa história é real, mas reza a lenda que no Rio de Janeiro Bishop sofreu uma reação alérgica a um pedaço de caju e ficou aos cuidados de Maria Carlota de Macedo Soares, Lota. Elas se apaixonaram e começaram a viver juntas, em uma relação complicadíssima encerrada de forma trágica, mas que ecoou em seus versos até o fim, mais especialmente em Questions of Travel, de 1965 e posteriores, que trazem poemas com títulos como: “Manuelzinho”, “Pela janela: Ouro Preto”, “Santarém”. Sim, tem muito do Brasil ali. Continue reading Poemas Escolhidos de Elizabeth Bishop

Serena (Ian McEwan)

Você provavelmente já passou por essa situação: gostou muito de um livro, queria demais que outras pessoas também lessem para conversar sobre ele com você, mas no momento em que vai tentar explicar pela primeira vez o que faz dessa obra algo tão bacana, se dá conta de que é um daqueles casos de “quanto menos souber, melhor”. E não é no sentido de estragar alguma surpresa do enredo (como aquele sacaninha que vem contar o final de O Sexto Sentido para quem ainda não viu o filme) – até porque livros realmente bons não se sustentam apenas em um plot twist para serem considerados como tais. Mas é que ao falar do que encantou em determinado romance você corre o risco de estragar a experiência de leitura da outra pessoa, chamando atenção para pontos que deveriam ser descobertos a seu tempo, como parte do processo de leitura. E eu digo tudo isso para pedir desculpas e dizer que esse post não é para você que deseja saber algo sobre Serena antes de ler o livro, mas para quem já leu o romance de Ian McEwan.

(Se vale de consolo para você que ainda não leu o livro, eu posso resumir brevemente que Serena é uma história que envolve espiões mas não tem nada daquele estilo “James Bond”, e é muito mais sobre a relação das pessoas com a Literatura do que qualquer outra coisa. E sim, é lindo. E sim, você deveria ler. Obrigada pela compreensão, espero que volte mais tarde.)

Então que Serena é um romance narrado em primeira pessoa pela narradora-protagonista Serena Frome, que para mim chegou como mais uma personagem para a galeria dos odiáveis de Ian McEwan. Não, ainda não é uma Briony (precisa tomar muito Nescau para chegar aí), mas inicialmente não tem como gostar da garota, tão egocêntrica e aparentemente tão apaixonada por si mesma. Vou enfatizar o inicialmente e pedir um tanto de paciência que depois volto para o motivo de ser só no começo. Retornando, Serena conta para o leitor como é que, após um breve romance com um homem mais velho, acabou sendo contratada pelo MI5, serviço de Inteligência Britânico. Quem espera toda a ação e glamour típicos das histórias de espiões pode se decepcionar: o cargo inicial da jovem é bastante sem graça, e pelo menos uma boa parte do começo do livro de McEwan se sustenta quase que só na curiosidade do leitor em saber por que o ex-amante de Serena a indicou para aquele trabalho. Mas aí chega o projeto Tentação e a narrativa realmente engrena.

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Altas Literaturas (Leyla Perrone-Moisés)

Parece que com o tempo nós (leitores) acabamos nos acostumando com a ideia um tanto preguiçosa de que um clássico é um livro que sobreviveu ao tempo. Digo preguiçosa porque, embora ela não seja de todo uma mentira (ou vai dizer que não é mérito da obra de Shakespeare ser lida e emocionar leitores até o dia de hoje?), ainda assim ela exclui alguns elementos da complexa equação do que forma os cânones literários até os dias de hoje. Uma prova disso é possível encontrar na pesquisa de Leyla Perrone-Moisés, publicada pela Companhia das Letras com o título Altas Literaturas. Em dado momento, ela observa que um poeta completamente esquecido pela crítica por séculos, John Donne, é resgatado novamente por escritores-críticos como Eliot e Pound. Como dá para perceber, não é mera questão de sobreviver ao tempo.

Tanto não é que o primeiro capítulo da pesquisa de Perrone-Moisés é todo dedicado à questão da História Literária e do julgamento de valor, oferecendo a base para o que veremos a seguir. Há uma crítica muito consistente ao modelo linear adotado através dos anos, que rotulava autores de acordo com escolas que na realidade eles tinham pouco a ver com isso (aqui lembro do caso do norte-americano Edgar Allan Poe, que certamente não tem o perfil único/engessado que muitos tentam atribuir para que caiba nas tais linhas do tempo), modelo este que pode passar duas falsas interpretações: a primeira é de que todos os autores posteriores a uma determinada obra devem algo ao escritor mais antigo. A segunda é de que os mais recentes estão mais próximos de uma certa evolução, um progresso. Para desfazer esse nó, Perrone-Moisés acaba se sustentando na opinião dos autores que fazem parte do corpus de sua pesquisa para uma orientação sobre a relação da literatura moderna com o passado: a de que o passado está constantemente mudando, e que uma obra nova reverberá não só no futuro, mas também na leitura que se faz de livros anteriores, o que fica bastante claro na citação que faz de Borges: Continue reading Altas Literaturas (Leyla Perrone-Moisés)

Foco (Arthur Miller)

O romance Foco, escrito por Arthur Miller, foi publicado em 1945, antes das grandes peças que o consagraram como Morte de um Caixeiro Viajante e As Bruxas de Salém. Mas quem espera um trabalho mais ingênuo, ou até mesmo mais fraco com o livro (lançado recentemente com nova tradução pela Companhia das Letras), pode ter certeza que não é o caso. A semente do que se verá em seus trabalhos mais conhecidos já está plantada ali, criando não só um retrato cru e verdadeiro dos Estados Unidos daquele tempo, mas também no desenvolvimento de personagens inesquecíveis, seja pelo que têm de melhor ou de pior – porque as figuras de Miller são assim, imperfeitas, e por isso mesmo tão cativantes.

Veja o caso de Foco. O protagonista, Lawrence Newman, é apresentado para o leitor como uma pessoa horrorosa: ouvindo os gritos pedindo socorro de uma garota na rua, ele resolve ficar quieto. E não é nem por covardia, é simplesmente porque acha que se chamasse a polícia, quando ela chegasse o assunto já estaria resolvido e ele acabaria tendo que explicar a situação para os policiais. No outro dia a coisa piora ainda mais, quando em conversa com um vizinho no caminho para o trabalho, esse conta que era “só uma latina” e que ajudou o amigo bêbado que cometia a agressão a voltar pra casa – Newman nada diz sobre isso, não repreende o vizinho como esperamos que uma personagem “boazinha” faça. E aos poucos vamos vendo como ele é preconceituoso, decidindo quem ganha ou não emprego na empresa em que trabalha baseado no juízo que ele faz da aparência da pessoa. Se parece com um judeu, por exemplo, o emprego está fora de questão.

A ironia vem quando depois de um caso em que o chefe considera um equívoco provocado por uma visão ruim, Newman se vê obrigado a procurar um oftalmologista. Não suportando lentes de contato, o que lhe sobra são óculos. Óculos que fazem com que ele pareça um judeu. Eu vejo uma certa graça (ou pelo menos um toque de nonsense) que apenas uma armação com lentes fosse capaz de transformar Newman em um judeu, mas a verdade é que não só para uma pessoa, mas para várias de seu convívio ele passa a parecer como tal. Começando pelo próprio trabalho, onde o chefe resolve mudá-lo de cargo para que não fique mais no escritório com paredes de vidro e passe a ficar escondido dos demais olhares. Newman obviamente não aceita ser rebaixado dentro da empresa e se demite, voltando para casa achando que logo arrumaria um novo emprego.

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Antologia Poética (Carlos Drummond de Andrade)

Então você pensa que não conhece muitas poesias de determinado escritor e resolve ler uma “antologia poética” para ter uma noção mais ampla da criação literária do poeta. Lê um poema, vai para outro e todos os versos começam a passar um tom de estranha familiaridade. Tão estranha, que em alguns poemas você começa a prever o verso seguinte (e consequentemente se dá conta de que conhecia o texto de cor). É quase como uma sensação de voltar para casa, ou até mesmo de reencontro com um amigo – foi o que senti ao ler Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade.

É evidente que muito da obra de Drummond foi devidamente apresentada para mim em sala de aula (acredito que o mesmo deve ter acontecido com outras pessoas, especialmente com os que já foram vestibulandos). Mas a sensação de familiaridade não vem só do fato de muitos dos poemas do escritor serem bastante conhecidos e estudados, mas também pelos temas abordados pelo poeta e o modo como ele faz, o que fica bastante evidente nesta coletânea.

A antologia foi organizada pelo próprio autor em 1962, e é dividida em nove partes que, segundo Drummond, representam “o indivíduo, a terra natal, a família, amigos, o choque social, o conhecimento amoroso, a própria poesia, exercícios lúdicos, uma visão ou tentativa de, da existência” (pg.15). Mas a abordagem do poeta é tão sensível, que ele poderia tratar de temas completamente alienígenas e ainda assim conseguir fazer com que o leitor se identificasse com seus versos. Portanto não é à toa que muitos recitem por aí trechos de poemas dele (mesmo que às vezes sem nem saber a quem pertencem). É um daqueles casos em que o poeta parece assumir o papel de porta-voz da humanidade, colocando em palavras (e versos!) o que muitos sentem.

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A trama do casamento (Jeffrey Eugenides)

Não vou mentir e dizer que amei A trama do casamento (de Jeffrey Eugenides) logo de início. Nas primeiras páginas fiquei com certo receio de que tinha em mãos um livro que focaria em uma protagonista tão vazia que precisava se completar com uma figura masculina, daí sua incansável busca pelo par. Madeleine Hanna surge como uma personagem cujo eixo central dos eventos da sua vida são os homens com que se relacionou, se relaciona ou possivelmente se relacionará. E é evidente que esse tipo de figura cria uma certa antipatia inicial (especialmente se o leitor, como eu, buscava algo mais como As Virgens Suicidas, e não mais um romance juvenil no estilo de “quem vai ficar com quem”).  Mas a realidade é que acredito ser um daqueles casos em que valeu a pena continuar a leitura, mesmo tendo começado com o pé esquerdo: aos poucos Eugenides vai te seduzindo, mostrando que Madeleine não é só aquilo, assim como A trama de casamento não é só sobre a escolha da garota entre Leonard e Mitchell, seus dois “pretendentes”.

Não é que realmente a base do enredo não seja a relação de Madeleine com os dois rapazes. De fato, temos desde o início a narrativa centrada nas dificuldades de seu romance com Leonard (que aparecera em sua vida como o cara perfeito que ela nem conseguia acreditar que começara a namorar) e da possibilidade de algo acontecer com Mitchell (o rapaz que a conhecia desde o primeiro ano na faculdade e que obviamente fora colocado na friend zone e não parecia ter muitas perspectivas de sair dali). A questão é que o escritor usa as relações entre as três personagens para ir além, falando não só sobre o amor, mas sobre solidão, sobre crescer, tornar-se adulto, sobre até mesmo a própria literatura. A leitura do romance de Eugenides é como se encontrássemos um objeto coberto de pó e aos poucos, enquanto fôssemos limpando, descobríssemos toda sua real beleza.

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Especial James Joyce: O que vem por aí e sorteio!

Reza a lenda (e vamos lá, ao falar de James Joyce as lendas são muitas) que na data que celebraria os 50 anos dos eventos narrados em Ulysses, John Ryan,  Flann O’Brien, Patrick Kavanagh, Anthony Cronin, Tom Joyce (sobrinho de James Joyce) e AJ Leventhal fizeram uma peregrinação pelas ruas de Dublin, a fim de reproduzir os passos das personagens daquele que é um dos romances mais famosos do século XX, criando assim o que seria o primeiro Bloomsday da história. Mas na realidade, seja lá qual for a origem do evento, o fato é que pegou – e hoje em dia o 16 de junho é celebrado não apenas por irlandeses, mas por admiradores de James Joyce no mundo todo e sim, até mesmo aqui no Brasil.

Aliás, 2012 tem tudo para ser um Bloomsday especial para os brasileiros. Mês passado foi lançado pela Companhia das Letras a nova tradução de Ulysses, por Caetano W. Galindo. E agora neste mês a editora Hedra lançou Dublinenses, com tradução atualizada e ampliada de José Roberto O’Shea. São duas traduções que merecem destaque pela qualidade e, melhor ainda, por trazer a oportunidade de termos James Joyce em nossas casas a preços razoáveis. E assim o 16 de junho chega como uma bela desculpa para você que há tanto queria conhecer James Joyce furar sua fila de leituras pendentes para conferir um pouco o trabalho de um escritor que conseguiu a façanha de criar um dos únicos livros do mundo para o qual existe um dia de celebrações especiais.

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Wilson (Daniel Clowes)

Em tempos de redes sociais você provavelmente já passou por isso: escreveu uma mensagem, pensou melhor e então apagou. Talvez não necessariamente porque fosse ferir o sentimento da pessoa que a receberia, mais para evitar um conflito futuro, ou mesmo que sua imagem de pessoa bacana fique arranhada por dizer algumas verdades para quem supostamente mereceria ouvir. Pois bem, seja lá qual for o motivo que faça muita gente agir assim, Wilson de Daniel Clowes parece não ter essa ferramenta. Fala o que tem vontade sem o menor medo de ser desagradável. E é tão, mas tão desagradável que chega a ser engraçado.

A HQ lançada pela Companhia das Letras segue um formato de episódios de uma página, seguindo uma ordem cronológica que vai alinhavando uma história maior, que de modo resumido dá para dizer que é a luta de Wilson contra a solidão que ele causou contra si, justamente por causa desse jeito de agir. Ele quer “fazer parte”, mas ao mesmo tempo não quer abrir mão de ser como é.

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