Cinquenta Tons de Cinza (E.L. James)

A história da criação de Cinquenta Tons de Cinza (de E. L. James, cuja tradução foi lançada esta semana no Brasil) é no mínimo curiosa. Nos tempos de sucesso da saga Crepúsculo começaram a aparecer sites que reuniam fanfics baseadas nos livros de Stephenie Meyer. Algumas tentavam contar de outro jeito o romance entre Bella e Edward, outras iam além e usavam as personagens em histórias completamente diferentes, algumas com muito “lemon“, um termo utilizado pelo pessoal que escreve fanfic para as cenas de sexo. E entre essas ‘n’ fanfics que surgiram na época, havia uma chamada Masters of the Universe, que depois foi modificada (com Edward virando Christian e Bella virando Anastasia), publicada de modo independente, mas que então fez tanto, tanto sucesso que começou a ter o direito disputado a tapa entre editoras grandes.

E é nítido que o “passado” do livro acaba ficando bastante evidente já nas primeiras páginas, pelo menos no caso de quem já leu Crepúsculo. As semelhanças vão desde bobagens (como o fato de Christian achar que azul fica bem em Ana, assim como Edward achava sobre Bella) até questões mais importantes para o enredo (ou vão dizer que nunca ninguém achou a dependência de Bella pelo vampiro meio estranha?). Algumas vezes só pelas características já dá para saber quem são as personagens que inspiraram James (o irmão de Christian, Eliott, seria o Emmet de Crepúsculo; a amiga de Ana, Kate, seria Rosalie, etc.). O maior problema é que como a autora quando escreveu a fanfic contava provavelmente com o conhecimento prévio do leitor sobre características das personagens, acabou criando um Christian e uma Anastasia bastante vazios. Ela é uma garota insegura de cabelo rebelde que está prestes a se formar e gosta de livros clássicos. Ele é um empresário milionário aos 27 anos, frio e dominador. E é basicamente isso que sabemos sobre os dois, o que chega a ser irônico se considerarmos o tanto que a autora usa do livro para descrever espaço e as roupas de suas personagens.

Mas deixando de lado o fator Crepúsculo e nos concentrando nos Cinquenta Tons de Cinza em si, começando pelo enredo, que consiste em Christian e Anastasia se conhecendo quando a garota substitui uma amiga que iria entrevistá-lo, ambos acabam se interessando um pelo outro e uns poucos dias depois já começam a maratona de sexo. Só que Christian é chegado em BDSM (Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo), e ele não quer exatamente um amorzinho e alguém para esquentar o pé à noite. Então Christian oferece um contrato de dominação e submissão para Ana, que upz, era virgem. Entre a educação sexual da moça e discussões sobre o contrato (ela só aceita as condições na metade do livro), no final das contas dá pra dizer que Cinquenta Tons de Cinza é um “pornô com historinha” da literatura.

Eu já esperava tudo isso do livro, de certa forma. Portanto, quando comecei a ler não esperava nenhuma obra de arte para ser estudada nos cursos de Letras no futuro, achava só que seria divertido. E tem horas que é, mas pelo motivo errado: é engraçado pelo absurdo de algumas situações descritas por James. Tem diálogo que é tão ridículo que você só consegue rir (li o livro em inglês, mas entre um dos mais memoráveis está Christian logo no começo falando para Anastasia “I don’t make love. I fuck… hard“). Sabe quando você vê o vídeo do Marcelinho lendo contos eróticos? O efeito é parecido. Acredito que o problema tenha sido a escolha do ponto de vista da história. A narração é feita em primeira pessoa, sob o olhar de Anastasia, que usa expressões como “minha deusa interior dançou um samba” para dizer que estava feliz pelo fato de um sujeito boa pinta como o Grey dar atenção para ela.

Isso para não falar da repetição de expressões. Fiquei tentada a contar quantas vezes ela usou “Holy (alguma coisa)”, “Inner goddess” e “Subconscious”, mas uma pessoa já fez isso então aqui vão os números, que são, respectivamente: 172, 58 e 82 vezes. Isso para não falar do número de vezes que ela nos lembra que os olhos de Christian são cinzas (oi, referência ao título) ou que ela morde os lábios. Além disso, tem um problema sério de repetir algo que foi dito um pouco antes, talvez por conta de um receio de que o leitor estivesse pulando linhas para ir direto para as cenas de sexo e assim perdendo algo dito anteriormente, não sei. Só sei que tanta repetição é chata, pura e simplesmente. Aliás, Anastasia é chata. Você quase consegue entender porque Grey quer tanto dar umas palmadas nela.

E não entrando nos méritos do BDSM (que simplesmente não é minha praia), há todo um conceito errado e distorcido na relação de Christian e Anastasia, fazendo qualquer mulher com um pingo de amor-próprio ficar de cabelo em pé. Já começa pelo clichê do bonito e rico que dá presentes absurdamente caros – eu não sou feminista nem nada do tipo, mas se você quer me irritar é vir me dizer coisas como “mulher só liga para dinheiro”, teoria que de certa forma esse livro acaba validando. Não pela conduta de Anastasia sobre o dinheiro de Christian (ela é chata até sobre isso, recusa umas primeiras edições que eu nem morta recusaria), mas em termos como protagonista (e portando, o “homem dos sonhos”) ser um sujeito assim. Não precisava ser um cara lindo e riquíssimo. Tem um filme de 2002 chamado Secretária que também explora esse tipo de relação, mas que consegue ser não só extremamente sexy, mas também surpreendentemente tocante. E o protagonista, interpretado por James Spader, é um cara comum. Um advogado, nada demais. O que quero dizer ao mencionar este filme é, principalmente, que não é o BDSM o problema, mas o modo como a relação de ambos é retratada. Tem outra frase que me tira do sério que é “Isso é amor de pica” (perdoem meu francês), mas não consigo pensar em outra coisa para definir o comportamento de Anastasia sobre Christian ao longo da história.

O problema disso é que se você  está lendo Cinquenta Tons de Cinza só pelos momentos de sexo, o livro fica completamente enfadonho. Veja bem, é simplesmente uma questão de não cumprir seu propósito: ou é engraçado (porque beira ao ridículo), ou é chato (por ser contado sob o ponto de vista de uma virgem que ficaria admirada por fazer sexo até com um playmobil). Desse modo, em tempos de internet, nada justifica que uma mulher precise ir até uma livraria comprar um livro ruim como esse para ficar excitada. Talvez seja um problema de bacharel em estudos literários, vá saber. Livro de qualidade duvidosa simplesmente não me atrai (não sei exatamente o motivo, mas a cena na mesa da biblioteca do filme Três Formas de Amar acaba de passar na minha cabeça).

Confesso que, no momento, mais do que sobre o que acontecerá nos próximos dois livros, minha curiosidade é saber como ficou a tradução que sai agora pela Intrínseca. Tenho o palpite de que a língua portuguesa melhore um pouco algumas situações que para mim foram de extrema vergonha alheia como, por exemplo, um homem cheio dos “shall” usar constantemente (olha a repetição aí de novo) o termo “baby” quando fala com Anastasia. Pelo efeito cômico da coisa, gostaria de saber até o que será feito dos “holy (alguma coisa)” da narradora também.

E se você decide ler Cinquenta Tons de Cinza pela história (ahaaaam), não consegue simplesmente se importar com uma protagonista como Anastasia, seja por suas características, seja por suas motivações. Assim, a realidade é que não sobra muita razão para ler o livro a não ser a curiosidade, aquela vontade de saber um pouco sobre o tal do “livro de sexo que todo mundo está comentando”. Se você é dos curiosos, eu ainda sou da teoria de que todo leitor acaba produzindo um livro novo a partir de um mesmo título, então o que eu achei perda de tempo pode ser bacana para outra pessoa – e por esse motivo não vou dizer que não recomendo a leitura do livro. Mas eu, que sou tão flexível sobre literatura (acho que o fato de dizer neste post que li e gostei de Crepúsculo ilustra bem isso), simplesmente não consegui entender como um livro ruim assim bate recordes de venda. Nunca li revistinhas ao estilo Sabrina e Júlia para afirmar com certeza, mas se bobear este livro de E.L. James fica no mesmo nível. Só que vem com uma capa bonita e sem o estigma que essas publicações ganharam ao longo do tempo.

Cinquenta Tons de Cinza

E.L. James
Tradução:Adalgisa Campos da Silva
480 páginas
Preço sugerido: R$39,90 (E-book: R$ 24,90)

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Editora Intrínseca

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187 thoughts on “Cinquenta Tons de Cinza (E.L. James)

  1. Anica,muito bom seu comentário concordo principalmente com a parte que vc fala dos repetidos olhos cinzentos e a tal da deusa interior ,ridículo mas tenho Que discordar com algumas das criticas negativas.
    Achei o livro envolvente e “irritantemente” viciante ,é excitante de maneira sutil e mudou um pouco as minhas ideias que delicia este grey o personagem é com certeza exagerado mas perfeito para a história se fosse um velho ou feio iria se tornar nojento mas o grey sendo lindo e milionário acrescentou algo sexy no livro porém ana realmente é muito sem graça e brega!please,vestido ameixa com bota hahaha imagino aqueles vestidos de cetim pobre!mas mesmo assim achei intrigante e delicioso principalmente quem gosta de sexo,tipo ,”hard rock ” mas para masoquista passa longe!
    Adorei o seu blog e sua opiniao vc a expressa muito bem !
    Beijos

  2. Olá… ganhei esta bomba, resolvi dar um google em resenhar… E concordo contigo, que bom que as pessoas tb estão surpresas como esta merda virou best-seller…Sério, Anastacia é chata, é td mt absurdo… Péssimo, chato, irritante.

  3. Não li esse livro e não vou ler, ainda mais depois do que acabei de ler na resenha, no entanto, adorei as referências que você citou. Secretária é um filme despretensioso, mas diferente de tudo e muito tocante!

  4. Oi, Anica!
    Primeiramente, parabéns pela resenha. Você escreve lindamente!
    Fiquei super curiosa pra ler o livro, mas quero ler em inglês! Acho que esse é o caso de um livro que a tradução pode ”empobrecer”, perder um pouco do original; mas não acho a versão em inglês! Aonde você conseguiu?

  5. Cara Anica,
    Adorei seu post, realmente criou polemica..rs…
    Então, depois de tanto ouvir falar nesse livro, fiquei curiosa e fui procurar na net sobre o q se tratava, adoro romances, vou de romances água com açúcar (Julia, Sabrina e etc ) até o bemmm quentes (Tipo Ellora’s Cave), passando até mesmo por alguns BDSM , alguns realmente quentes (lora leigh – série Bound Hearts) …. enfim, acabo de ler “50 tons” e estou realmente curiosa do pq de tanto barulho pelo livro…. Li outros livros com personagens com grande traumas q não precisaram apelar para o BDSM e em contra partida (o q deixa o livro muito melhor) li livros em q o cara curte BDSM, simplesmente porque curte, pq gosta, sem precisar de justificativa alguma, tem gente q gosta, é um estilo de vida, acho q o q mais me chamou a atenção foi isso, ver o BDSM com um distúrbio, algo para ser “consertado”.
    Comparar ele com o Edward ??? Caramba o Edward não queria nem fazer sexo com a Bella por medo de feri-la e nosso querido Cristian dá uma surra de cinto na Ana… sem comentários né !!
    Bem, vou ler o resto, estou curiosa onde isso vai dar…

    1. oi Taty vc nao achou ela muito ingenua para uma universiaria ?
      ele muito jovem muito bonito e milionario ?
      isso nao e trama e um conto de fadas !
      a midia vai fazer vender milhoes de livros
      pra arastar milhoes de pesoas pro cinema !
      pior e saber que muita gente vai se deixar influenciar por esta balela ………

      1. conto de fadas moderno ??… uma nova cinderela ??… rs… dificil engolir isso né, não vou nem entrar no mérito de analisar os personagens , mas é verdade, parece um conto de fadas, por isso está pegando de jeito todo o pessoal que amou crepúsculo e está um pouco mais velha agora ….
        o que esse pessoal não sabe é que se procurar um pouco na internet vai achar livros MUITO melhores, romances mesmo, até mesmo tipo conto de fadas, mas muito mais envolventes, mas que não tem essa divulgação da mídia, aliás, que essa procura pelo livro é trabalho todo da mídia, isso não há sombra de duvida, até eu mesma acabei indo atrás por ouvir falar tanto dele, o problemas é que depois de ler a resenha eu me empolguei e no final do livro estava totalmente decepcionada (estou pensando se leio o resto ainda)… pior é saber que foi inspirado em crepúsculo e que está se espalhando isso (ainda não vi um paralelo entre os dois livros, … por sinal, acho que ele é mais violento do que crepúsculo …. kkkkkk …..)
        quanto a arrastar milhões para o cinema…. menina… se crepúsculo que era uma historia de vampiro a gente quase não viu sangue…. imagina as “tórridas” cenas de sexo como serão ???? … kkkkkkkkkkkkkkkkk , porque vamos ser sinceras, se forem fazer direito, é um filme pornô… como colocar isso na tela sendo ‘politicamente correto’, sem chocar ???… estou curiosa sobre isso….
        bjus

      2. a pornografia vem com a falta de conteudo .no caso os dialogos, ente os
        personagens isso deicha o filme sem um enredo que leva a senas de sexo sem um contesto certo !!!!!!

      3. ai, desculpa Edson, respondi seu post pensando q havia sido da Anica … rs … por isso está no feminino ( menina, sinceras)…

  6. Quanto a sua crítica, não tenho muito a dizer, gostei, você articula bem.

    Mas tenho uma crítica “ferrenha” para o uso da frase: “eu não sou feminista nem nada do tipo”.
    Nada do tipo o que? Porque você coloca o feminismo dessa forma? Me entristeceu muito saber que você é bacharel, professora e mãe tão cheia desse preconceito de quem desconhece o feminismo.
    Um acadêmica falando assim de um movimento importantíssimo dentro e fora da academia? Em todo o mundo.
    Aliás, como blogueira [nesses tempos esse exercício é tido como “formadora de opinião”] é desagradabilíssimo ler uma frase assim, porque tem muita gente que tem muita gente que lê, acredita, confia e segue suas palavras. Você tem noção disso?

    Aliás, te mencionei no Twitter de uma forma talvez tão ruim quanto sua frase. Peço desculpas aqui, talvez, até antes que leia lá. Mas por favor, atente-se a isso. Todas as mulheres que lutam, agradecem.

    Abraços.

    [Ps: perdoe-me a falta de alguns acentos, teclado “fudido”]

    1. Olá, Nicole, sinto muito que a frase tenha soado de modo pejorativo para você. Não tenho de modo algum uma visão negativa a respeito do feminismo. Meu problema em me dizer feminista é que eu simplesmente não acredito que esteja apta a me classificar como tal. Não faço parte de grande debates sobre o assunto, não sou divulgadora, nem nada – me sentiria mal em me chamar como tal, fica na minha cabeça como aquele pessoal que se diz católico e não vai à igreja, compreende?

      Mas repito, não vejo nada negativo no movimento. Tenho amigas que admiro muito por se dizerem feministas e agirem como tal, do mesmo modo que desprezo uma centena de mulher que se diz feminista mas não atua como tal. É por conta desse desprezo que prefiro ficar na minha, mantendo minhas opiniões próprias sem associá-las a um movimento em específico. Que foi o que eu quis dizer no texto – minhas opiniões não são embasadas em textos acadêmicos, palestras, enfim, opiniões de terceiros ou o que for, e quando digo que não gosto do que li no livro, falo como mulher, mas sobretudo como um indivíduo. Quis pontuar apenas isso com minha frase.

      Espero que tenha compreendido o que quis dizer. De qualquer forma, obrigada por chamar atenção para tal, prometo ser mais cuidadosa sobre esse tipo de coisa daqui para frente.

    2. De feminista pra feminista, Nicole, acho que quando a Anica que não ser “feminista nem nada do tipo”, ela se refere ao fato de que não está engajada politica/ideologicamente nesse segmento. Até onde entendo, a Anica não aspira ser uma Virginia Woolf ou uma Betty Friedan. Mesmo porque, em seguida ela deixa claro que a força como os clichês são reforçados nesse livro só tende a piorar a situação – e complemento que fica ainda pior por mais dois motivos: quem escreveu foi uma mulher e o público-alvo é feminino. Ela não se posiciona como “feminista”, ao meu ver, para impedir uma leitura errônea por parte dos demais leitores de que ela quer ver “caroço em angu”. Ao anular esse posicionamento, ela está cria maior familiaridade com os leitores e deixa claro que Anastasia não é um exemplo fictício a ser seguido pois não possui amor-próprio. Muitas vezes, é melhor não assumir posição alguma e ser capaz de demonstrar empatia e procurar dissuadir alguém, que assumir uma posição vista muitas vezes de forma antagônica e acabar sabotando o intento.

      1. Resumindo: num conjunto de “A”, “A1” resolve se rebelar. A quem ele vai ouvir? Outro “A” ou um “B”? Caso encerrado. 😀

        Correção acima: “[…] ela cria maior familiaridade com os leitores […]”

    3. Olá, Nicole!

      Que bom ver o comentário de uma companheira de causa por aqui. =)

      Primeiramente, quero esclarecer o lugar do qual eu falo. Sou feminista, levanto a bandeira do feminismo, e jamais me esqueço do porquê de lutarmos: “o feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente” e coisa e tal. Fico tremendamente magoada quando as pessoas atribuem ao feminismo características do machismo, como se feminismo fosse o feminino de machismo. Sabemos que não é. Se o fosse, estaríamos propondo tão somente uma inversão de valores, e a ideia, em momento algum, foi essa.

      Não é por isso que lutamos. Lutamos pelo direito de escolha. Lutamos pelo direito de usarmos a roupa que quisermos sem que possamos ser as vítimas que são transformadas em vilãs, como acontece, muitas vezes, no caso de estupros. Tenho PAVOR da expressão “se dê ao respeito”, e já dissertei sobre isso por diversas vezes. Já cheguei no nível de ignorar, solenemente, quando uma pessoa começa o discurso com “SE quer ser respeitado”, acho que quando se trata de respeito, não é preciso que haja uma condição.

      Uma das coisa que diferencia o ser humano dos demais animais é, justamente, a capacidade de postergar o desejo. Então, para justificar a sua FALTA DE CONTROLE, os homens decidem dizer que A CULPA FOI DA MULHER, QUE ESTAVA COM ROUPA CURTA E ELE TINHA DE PEGÁ-LA, TINHA DE POSSUÍ-LA? Isso é nojento em tantos níveis, não é, mesmo? Essa ideia de posse, veementemente sustentada pela cultura do patriarcalismo, é algo contra o qual temos de lutar dia após dia.

      Por que eu fiz todo o discurso que você, provavelmente, já conhece de trás pra frente, Nicole? Porque eu quis mostrar o lugar do qual eu falo. E ao dizer “eu não sou feminista nem nada do tipo”, a Anica quis demarcar o seu lugar de fala. Que ela é pós-graduada em estudos literários, é fácil saber, pois a informação está ali, ó, no trequinho logo abaixo do post dela. Então, isso, ela não precisa explicar.

      Mas ao dizer que não é feminista, para mim, ela quis expressar o seguinte: “se, ao falar sobre minhas impressões acerca do livro, eu disser algo incoerente, é pelo fato de não conhecer, de forma satisfatória, a causa feminista, não por desrespeitá-la”. Não consegui, mesmo, enxergar um tom pejorativo na expressão que ela utilizou. E não falo isso por conhecer e adorar a Anica, falo porque lido, há seis anos (quatro anos de graduação e dois anos de mestrado) com a análise do discurso e, no caso em questão, eu vi uma tentativa de se justificar por algum deslize, não de ignorar a importância de uma causa.

      Abraços.

  7. Eu tenho vontade de ler esse livro para tentar entender o porquê ele está fazendo todo esse frissom — é tipo um “estudo” que faço com autores bestsellers para entender melhor como escrever uma história de entretenimento de sucesso, por isso já li os principais autores que mais faturam por ano de acordo com listas como a da Forbes (só falta Danielle Steel), principalmente porque pretendo me enveredar por esse caminho, mas com bons produtos, é claro; anseio um dia atingir o nível de autores de entretenimento que ganham prêmios conceituados da área. Claro que tenho uma pequena curiosidade sobre o conteúdo pelo qual o livro é mais conhecido, mas não espero encontrar grande coisa, quanto a isso e quanto a boa escrita. Minha teoria — formulada sem ter feito a leitura — é que o livro faz esse sucesso todo pelo teor “romântico” que essa relação doentia de Grey e Ana têm e pelo fato de, mesmo hoje em dia, ser pregado para garotas quando pequenas esse anseio de encontrar um “príncipe encantado” belo e, por que não, rico — uma coisa fantasiosa que as mulheres deixam pra trás quando crescem, mas o registro permanece e, dependendo da pessoa, pode aflorar quando se depara com um livro assim, que ainda por cima sensualiza essa fantasia.
    Acho, também, que a culpa do livro ser tão ruim em termos “técnicos” de escrita é que por não ter experiência nenhuma com ela E L James acabou sendo cegada pelo furor do sucesso e, assim como seus novos editores, não fez questão de acertar esses detalhes porque o importante era a produção em massa. Acredito piamente que um futuro lançamento dela terá um melhor desenvolvimento nesse aspecto e que a trilogia Cinquenta Tons será por algum tempo como Crepúsculo foi: um livro que divide opiniões e que tem fãs xiitas que não aceitam não gostarem dele (sem contar que surgirá uma comunidades ‘hater’ que adiará-lo mais que os que gostam gostam, que será composta por pessoas que não terão um embasamento real para entender o papel desse livro ou não terão um motivo firme como o seu do porquê não gostam).
    Talvez eu tenha tecido uma opinião prévia que será derrubada quando ler o livro, talvez, também, ela não faça muito sentido e acabe apoiando um ‘monstro que desrespeita’ as mulheres modernas (como disseram sobre o conservadorismo de Crepúsculo). Mas no fim, o que vale mesmo é que as pessoas estão lendo e que elas não pararão nessa trilogia, como já estamos carecas de saber que acontece — vide Crepúsculo, novamente. E como você diz na sua discussão sobre o “Gosto é gosto”, que as pessoas saibam separar a pessoa do que ela lê e gosta, ou que não gosta — e tem o direito disso.

    1. ótimo teus argumentos. Realmente, acredito que fascina por essa ideologia que você comentou.
      Mas, olha, até para alguém extremamente romântica quanto eu, havia momentos que “não era possível suportar” o teor meloso da história.

    2. Minha área é exatas e comecei a ler pra ter minha própria opinião sobre o “livro de sexo que todo mundo está comentando”.

      Eu realmente creio que o movimento que leva um certo livro (ou filme sei lá) a ser extremamente “consumido” é parecido com o da bolsa de valores. Provavelmente a fase mais desafiadora para os autores é fazer com que o livro seja conhecido e COMECE a ser consumido em grande escala (e quem descobrir a fórmula pra isso pode vendê-la a preço de ouro). Mas, uma vez que as “ações” estão em alta as pessoas compram por tal motivo e isso só leva as “ações” a se valorizarem mais e mais.

      Por que todo mundo assistiu “Dança com os smurfs”, digo Avatar?
      Por que ‘não todo mundo’ assistiu/leu O Escafandro e a Borboleta?

    1. Você não traiu nenhum movimento. Eu também estou lendo a continuação. Ele é um livro diferente sim. Não se pode dizer que não. É tão interessante que faz aflorar debates como este. Porém, a crítica que se quer ver exposta do livro é esse pensamento clássico infantil que a personagem Anástasia possui por Grey. Eu vejo este comportamento em muitas pessoas também. Aqueles diálogos por email, vai dizer que não é padrão normal a muitos namorados?
      O problema é que a mulher tem que se dar valor e a história deveria ser mais “real”.
      O que dá vontade de dizer à personagem é: “Ana, cai na real”.

  8. Nossa mto bom ter achado essa pagina, pois ja estava me sentindo um Alien por ter lido a reportagem na revista Nova, e naum ter me interessado nem um Pouco!!!! Obrigaduuu 😉

  9. Não pensei que fosse encontrar uma crítica que expressasse exatamente o que pensei quando li a metade desse livro. Sim, ainda não consegui ler tudo, é tudo ruim demais.
    Muito curioso e interessante saber q ele saiu de uma fanfic, achei mesmo que o livro tava muito amador para ser de um escritor sério/profissional.
    E como leitora de Júlias e Sabrinas, acho que essas são leituras bem melhores que essa do 50 tons de cinza.

    1. hahahahaha tbm acho julia e sabrina bem melhor que esse livro pelo menos neles agente já sebe como é e num cai em uma armadilha de marking!!!!!!

  10. Comecei a ler ontem o livro porque minhatia disse que tinha lido e gostado. Sempre tinha confiado no BOM SENSO dela, me arrependi dessa vez. Acho que o que mais me incomodou foi o fato dessa Anastasia ser completamente tapada. Ela cita um ou outro autor, tem essa conversa pseudo intelectual da bella swan… mas na verdade parece totalmente desprovida de inteligência. Uma mulher boba que fica totalmente sem reação na frente do cara, um estereotipo exagerado de mulher indefesa… credo, optarei por não terminar o livro, aproveitando que li sua crítica que indica que o livro não evolui. Haha. Adorei o blog. Parabéns

  11. Eu estou lendo esse livro para fazer uma resenha e procurei pela internet por outras resenhas para saber se sou um monstro de insensibilidade ou esse livro está sambando na minha cara.
    Fico feliz por encontrar alguém como você que também achou 50 Tons chato e risível. Obrigada.

  12. Olha, achei teu blog ao acaso e o que eu quero te dizer é: parabéns! Você é ótima em escrita e definição de ponto de vista. De todas as resenhas que li dos livros por aí nenhum, nenhuma mesmo, foi tão justa quanto a sua. Li o primeiro e o segundo livro, me apaixonei, é besta mas me apaixonei e concordo com todas as críticas que você fez. Parabéns pelo blog e pelo modo de pensar e escrever!

  13. Olá!
    Eu achei toda a coleção extremamente MELOSA!!! Nossa, mais água com açúcar que Crepúsculo…
    Porém, é meio engraçada a história… O Doutor Grey poderia cantar a música “Sou Foda”, porque ela se aplica a ele.

  14. Olá!!! passei umas horas da minha manhã por aqui, lendo os comentários e me divertindo muitooooo. Apesar da mediocridade da “obra” ganhei o dia com as opiniões e as contradições. Muito melhor do que ler e gastar meu $ com o segundo livro vou ler os posts seguintes dos outros livros!!! Obrigada!!

    O mais triste de tudo isso é se perguntar porque Graciliano Ramos ou Nelson rodrigues não rendem posts tão calorosos como esse. Eita país, esse nosso!!!

    1. Rendem também. O problema é que todas as literaturas antigas devem ser repensadas e colocadas à sociedade atual. De fato, a novela Gabriela está fazendo um grande sucesso nas redes sociais, principalmente por uma das falas do Coronel Jesuíno: “Venha que eu quero te usar”.

  15. Não sou adepta da leitura. Li, no máximo, 3 livros durante o 2º grau, todos para alguma prova de literatura (que sempre detestei, diga-se de passagem). Durante a faculdade, li apenas livros técnicos (Mineralogia, Estratigrafia de Sequencias etc…)
    E não posso pôr a culpa no custo, pois meus irmãos sempre gostaram de ler. Na verdade, posso por culpa em um problema de vista, que sempre me causou dores de cabeça quando ficava muito tempo lendo.
    Primeiro livro que li, por vontade própria, foi Harry Potter. Eu tinha meus 17 anos e já estavam no 3º livro (acho). Apesar de ter achado o primeiro um tanto infantil, gostei e, em pouco tempo, estava ansiosa pelos demais lançamentos.
    Depois de Harry Potter, pulei para 50 Tons de Cinza (depois de algum tempo sem ler). E, na minha ignorância literária, gostei muito do livro.
    Me identico com Anastasia e acho Christian um príncipe encantado (com uma nuvem negra pairando, mas um príncipe).
    Pq me identifico com Anastasia? Pq, como muitas mulheres, já vivi dúvidas angustiantes sobre o outro. Tenho uma imaginação fértil qd o assunto é o outro. E já passei por algumas “provações” sexuais.
    Pq acho o Christian um príncipe? Pq, apesar do lado obscuro, ele quer agradar a mulher ao seu lado. Seja com presentes, seja com sexo. Não acho ele o máximo por ser rico, bonito e pauzudo. É fácil achar homens com 2 dessas qualidades. O que faz Christian ser o sonho de consumo de muitas mulheres, no meu ponto de vista, é o fato de proporcionar preliminares de tirar o fôlego. Pelo fato de se certificar que a mulher o quer e está preparada para atingir o clímax. Isso sim é difícil de achar… Um homem que quer proporcionar tanto prazer a mulher. Além disso, há a disponibilidade e paciência dele com suas neuroses.
    O que a maioria aqui reclama (repetições, vocabulário limitado, etc) tornam a leitura simples e atrativa àqueles que não têm o hábito de ler.
    Quanto ao pano de fundo do livro (sexo e BDSM), o fato de ser um tabu e o texto utilizar algumas expressões menos ofensivas (“ali”, “me preenchendo” etc) para descrever o ato sexual, permite que ele seja aceito por pessoas mais “conservadoras”. Acredito que por isso seja chamado de “pornô para mamães”.
    =)

    Abraços,
    Manu

    PS: Eu e meu noivo não fazemos amor. Nós fodemos, com força. ^^ =D

    1. Apesar de discordar de suas opiniões, você foi a primeira que apresentou argumentos “plausíveis” que justificaram sua atração pelo romance. Seria interessante se mais gente aqui soubesse fazer isso.

  16. Pois é Anica,

    Não resisti a tentação de ler “esse-livro-que-todo-mundo-está-comentando”. Só posso dizer que não vou sossegar enquanto não terminar os 3 (estou na metade do ’50 mais escuros’). Nesse momento minha deusa interior diz: ‘que m*****’.

    Pra piorar, vi o Marcelinho narrando o 50 tons. Putz, como posso terminar o livro rapidamente agora? (E acredite, só quero me livrar dessa bomba o quanto antes). Simplesmente não consigo ler sem imaginar a voz do Marcelinho imitando os comentários retardados da Ana. Fico rolando de rir o tempo todo.

    Eu parei no seguinte trecho básico (eles estão no rala-e-rola na cama): — Quero beijar você aqui (Grey fala).
    — Beijar-me? (Ana pergunta)
    —Sim. (Grey responde)
    Ela tem algum problema mental? É comum as pessoas se beijarem quando estão fazendo sexo, ou eu que estou por fora? Nisso, eu fico imaginando o Marcelinho repetindo ‘Beijar-me?’.

  17. Oi Anica, tudo bem ? esta é a 1° vez que vejo seu blog e adorei seu comentario …..

    sou louca por livros sobre todos os assuntos, tenho que confessar foi dificil terminar de ler este livro, ele é mto repetitivo, perdi as contas de quantas vezes minha “Dusa Interior ” quis socar a Sra. Anastacia steel, ela conseguiu ser mais chata que a Bella . Gente pra que tanto comercial da Audi, e do Blackberry ? sem contar que toda vez que a autora quer amarrar a historia ela inventa um Jantar sem importancia nenhuma !!!! e as repetições sobre o tema Sra . Robinson ?? achei o sr. Grey paciente eu já teria dado uma voadoura na Ana só pra ela deixar de ser chata !

    No momento estou lendo A filosofia na Alcova – Marques de Sade isso sim que é livro erotico comparado a este livro 50 tons de cinza me lembrou as dicas de sexo da revista Nova !

  18. Eu AMEI OS DOIS PRIMEIROS LIVROS, ESTOU AGUARDANDO CHEGAR O 3º. GRAÇAS A DEUS QUE CADA UM TEM O SEU PRÓPRIO GOSO. “AINDA BEM”… EU AMEI AMEI. CHEGAR PERTO DOS ROMANCES ÁGUA COM AÇUCAR DE JULIA E SABRINA… FRANCAMENTE, MAS RESPEITO A OPNIÃO DA CRÍTICA LITERÁRIA… CADA UM COM SEU CADA UM GRAÇAS A DEUS.. CASO CONTRÁRIO SERIA ENTEDINTE SE TODOS GOSTASSEM DA MESMA COISA…

  19. A pergunta que se deve fazer é: O livro é digno de ser lido duas vezes ou mais? se a resosta for não, esqueçam pois mostra que o conteúdo nao tras inspirações nem interesse, ler por curiosidade é jogar tempo e dinheiro fora, lembro que as sinopses são moduladas para ganhar o leitor. Quem já leu A vida de Edgar Sawtelle? ver que a sinopse é uma e a historia é outra totalmente diferente ou seja um “horror”

  20. Caramba, eu realmente não sabia que esse livro era uma fic, foi por isso que quando comecei a ler percebi MUITAS semelhanças entre a Bells e a Ana, eu já até tinha com um amiga, ainda estou no capítulo 5 e até agora achei o livro legalzinho, você tem razão a Ana é muito chata, não tem um pingo de autoestima, tem hora que da vontade de dar uns tapas nela.

  21. Achei a trilogia ótima, nunca um livro me prendeu tanto, li os 3 livros em um pouco mais de uma semana.
    Não concordo com as comparações com revistinhas de Julia e Sabrina, uma vez que a história de Anatácia e Christian é repleta de surpresas pelo caminho e o desfecho da história é ótimo.
    Respeitando a opinião alheia, assim como posso dizer achei Crepusculo completamente idiota.

  22. Achei a trilogia ótima, nunca um livro me prendeu tanto, li os 3 livros em um pouco mais de uma semana.
    Não concordo com as comparações com revistinhas de Julia e Sabrina, uma vez que a história de Anatácia e Christian é repleta de surpresas pelo caminho e o desfecho da história é ótimo.
    Respeitando a opinião alheia, assim como posso dizer achei Crepusculo completamente idiota.
    Vale a leitura sim!!!!!

    1. “Não concordo com as comparações com revistinhas de Julia e Sabrina, uma vez que a história de Anatácia e Christian é repleta de surpresas pelo caminho e o desfecho da história é ótimo.”

      Você não concorda, mas a frase a seguir só confirma isso! 😀

  23. Uma amiga comentou sobre este livro comigo tão empolgada e apaixonada pelo Cristian Grey, que me despertou a curiosidade. E, para ser sincera li os três (porque o cinquenta tons de liberdade me foi enviado em pdf por esta mesma amiga).
    Achei a escrita fraca, a autora não faz questão da uso da linguagem culta (supondo que a tradução seja fiel ao idioma em que o livro foi escrito originalmente) os elementos discursivos e argumentativos fazem falta, pois obviamente, enriquecem a leitura. Tem um livro chamado O Historiador que ilustra bem o quero dizer sobre escrever muito bem. Aliás, temos bons exemplos aqui tbm, Machado de Assis… Não consigo ler um livro, mesmo que para entertenimento, sem reparar nestes detalhes , digamos, técnicos.
    Se retirarmos o pouco que a autora tentou escrever, sobram apenas as cenas de sexo.

  24. Sempre li muito, e sempre fui apaixonada por livros. E o que mais me deixa apaixonada por eles é q possibilidade de estarmos em um mundo paralelo, de fantasia, de personagens fictícios e de situações que provavelmente nunca iremos nos encontrar, mas que são possíveis apenas segurando algumas folhas entre as mãos. Então, para mim, sendo um livro nada mais do que isso, um mergulho em uma fantasia, não vejo o porquê de tantas pessoas criticarem a série, criticarem a escrita, criticarem a autora e julgarem que “ela nem deve saber o que está escrevendo porque provavelmente nunca fez nada disso” …acredito que em grande parte há ainda muito pudor quanto o assunto é sexo, e impressionantemente quando o assunto é o amor. Nos preocupamos tanto em agir certo, ou errado, em não deixar um homem nos controlar, em não ser julgada como interesseira, como amélia, como machista, feminista ou que goste de sexo e de prazer, que não nos entregamos ao amor como ele deveria ser, simples e fácil. É totalmente compreensível a sensação de urgência de Ana por Christian quando já se sentiu isso e sabe exatamente como é. Não é dependência, não é capricho de ex-virgem viciada em sexo, é só amor, pura e simplesmente.

    1. “Sempre li muito, e sempre fui apaixonada por livros.”
      Ainda bem que não foi obrigada que você sempre lia, né? 😀

      “E o que mais me deixa apaixonada por eles é q possibilidade de estarmos em um mundo paralelo, de fantasia, de personagens fictícios e de situações que provavelmente nunca iremos nos encontrar, mas que são possíveis apenas segurando algumas folhas entre as mãos.”
      Discurso bobo. Principalmente pelo fato de que o romance em questão tem um pé na realidade. Sim, na realidade. A relação entre homem e mulher é algo real, logo, a frase inteira carece de sentido.

      “Então, para mim, sendo um livro nada mais do que isso, um mergulho em uma fantasia, não vejo o porquê de tantas pessoas criticarem a série, criticarem a escrita, criticarem a autora e julgarem que ‘ela nem deve saber o que está escrevendo porque provavelmente nunca fez nada disso’ …acredito que em grande parte há ainda muito pudor quanto o assunto é sexo, e impressionantemente quando o assunto é o amor.”
      Primeiro você diz que ama livros, depois fala que eles não são nada mais que “um mergulho em uma fantasia”? Tem certeza que você ama livros? A impressão que eu tive até agora é de que você ama gêneros, mas não literatura em geral – favor não confundir, embora eu não tenha nada contra. Sabe por que as pessoas criticam a autora, a escrita, a história, o diabo-a-quatro? Porque é ruim. É como comprar leite condensado estragado. Se formos pela sua cabeça, devolver e/ou pedir uma troca seria sacrilégio. Aliás, você também está criticando, pois na sua cabeça as pessoas não conseguem discutir abertamente “sexo” e “amor”. Francamente, menina, onde você acha que tá? Num internato feminino católico? Por favor, não insulte a inteligência dos outros.

      “Nos preocupamos tanto em agir certo, ou errado, em não deixar um homem nos controlar, em não ser julgada como interesseira, como amélia, como machista, feminista ou que goste de sexo e de prazer, que não nos entregamos ao amor como ele deveria ser, simples e fácil.”
      A ideia a que eu consigo chegar aqui é que não importa se o cara te espanca, se for amor, deixe-se levar… até o caixão. Me desculpe, mas que falta de amor próprio é essa?

      “É totalmente compreensível a sensação de urgência de Ana por Christian quando já se sentiu isso e sabe exatamente como é.”
      Olha, se você apanha do seu cônjuge e acha normal, te aconselharia uma visita ao psiquiatra. Eu sei, acontece. Mas não confunda a submissão do seu “eu” (o que é algo diferente do verdadeiro BDSM) com uma entrega amorosa. Não é assim que funciona.

      “Não é dependência, não é capricho de ex-virgem viciada em sexo, é só amor, pura e simplesmente.”
      É dependência porque tá lá estampado nas entrelinhas, querida. É uma troca em um jogo de dominador e dominado. É clássico – e tétrico da forma como é posto no romance.

  25. Estou no capítulo sete com uma tremenda sensação de que gastei dinheiro. Li todos da saga Crepúsculo e já os havia achado patéticos. Quando comecei a ler o ’50 tons’ na hora pensei “lá vem mais uma Bella feia, magra, desajeitada e inocente que se apaixona pelo bonitão rico”.
    Sinto vergonha alheia pelo livro o tempo inteiro, narrativa repetitiva e adolescente, tudo ela ‘enrubesce’, ou ‘morde o lábio inferior’, ‘olha para baixo sentindo ficar corada’.
    Que saco!! E outra, a primeira vez ela ela gozou várias vezes.. totalmente fora da realidade.

  26. eu só tenho umas observações a fazer:

    1. já encheu o saco essa historinha do homem q todas as mulheres desejam se interessar justamente pela mulher mais sem graça do planete terra. já basta crepusculo q eu juro q tentei ler os livros, mais eu não tenho saco pra essas chatice ( já os filme eu nem arrisquei perder meu tempo vendo). acho que é pelo fato fato de eu não gostar muito de romance.
    2. minha gente como é que eu posso gostar de uma personagem q se dizia virgem, nunca tinha se masturbado, e q dá noite pro dia não conseguia mais parar de dar!!!!
    3. q ainda por cima fica conversando com sua deusa anterior!!
    4. e eles não tinha mais expressões além de “oh deus” ??!!! Minha consciência já tava ficado pesada de tando repetitivo q tava. Deem um dicionario de sinônimo pra ela urgente.
    5. agora o q eu menos gostei mesmo foi o fato de ela colocar esse cristian grey como sendo o homem dos sonhos. poxa eu me recuso a acreditar q ainda tem gente esperando pelo homem lindo, rico, bem sucedido, rico, gostoso, rico, misterioso, e rico, seja o ideal.
    6. Alem do fato q ele é completamente loucooooooooo. não pelo fato de ele gostar de sadomasoquismo, mais sim pelo fato dele ser controlador e tempo todo, isso chegou até me dar medo.
    7. como é que um livro que quer ser tão polemico quando o assusto é sexo, simplesmente não usa a palavra penis e vagina ou outros sinônimos q todos já estão cansado de saber??!!! quer dizer q usar a palavra foder é menos pior é. Teve horas q me lembrou do tempo q eu era criança e eu dizia q os meninos tinham pintinho ou pingulinho com medo q as pessoas vissem eu falando essas palavras

    mais enfim!!! vou confessar q gostei sim do livro apesar do clichê que eu detesto. só espero q os outros sejam um pouco melhor!!!!!

  27. Li o primeiro, e terminei agora o segundo…. me foquei na história da menina que não era nada, nao tinha nada, nem era tão bela e conquistou “O” cara mais bam bam bam do mundo rsrs, lindo rico, poderoso e trepedor expert… e eu quero muito sabre o final da história.
    sexo? eu sabia que tinha pois o livro é erotico e isso desde o principio foi anunciado como tema, sadomasoquismo, tortura e etc….
    “pra mim” é o barato de ver uma menina “nada” mexer com a vida, costumes, convicções e modos de um cara da mente completamente fodida e mudar a história toda, e transformá-lo… só com amor.

  28. Acabo de conhecer este blog, uma coisa é muito certa, sua experiência, inteligência transpira por todas as vias desde blog, te parabenizo. Olha eu ainda não li o livro, e confesso , não sou uma leitora assídua, mas diante de tanta polêmica não tem como não se criar uma certa curiosidade e por corta dessa curiosidade eu irei comprar o livro, assim que terminar de ler darei uma passadinha e tentarei expor o que eu achei dele.
    P.S..Li todos da saga Crepusculo, e amei!!…rs
    Beijos

  29. Olá! Encontrei esse espaço por acaso, estava caçando críticas de livros . Achei a crítica bem escrita, detalhada e esclarecedora. Confesso q sendo leitora ( não praticante de Sade), não tenha necessidade de ler “esse sucesso espetacular”. Tb aprendi, após inúmeras decepções, deixar de seguir a lista top da Veja. Sempre q fui tentada a comprar o livro, o resultado não foi nada bom . então… Gostaria de dizer duas coisas: concordo com vc – deixo claro q n li o referido livro – dei uma olhada na livraria. Como já foi dito por vcs, realmente, é mal escrito a outra coisa é o seguinte, vc conhece um livro intitulado “Eu mato… , língua original italiano. Por favor, alivie minha angústia literária. Trata-se de romance policial indicado por colega de curso. Foi tão bem indicado q eu nem dei ao trabalho de ler algumas pgs antes de fechar negócio. Adoraria ter a tua sensata opinião acerca desse tormento literário ( tormento p euzinha, já q a “amiguinha” q indicou a “obra” morre de amores . Será q estou c problema e n consegui perceber os conflitos psi existentes do personagem? . Devo admitir q a história é boa ,sem narrativa e sem os clichês q a acompanha Se tiver oportunidade ( caso n tenha lido), dá opinião . Um gr abraço! Obs.: fique tranqüila! Sei q estou c meses de atraso , + o problema é: não fico tempo D+ no computer.!

  30. Boa noite Anica.
    Eu tive a mesma impressão do livro, achei até engraçado. Até por isso resolvi comentar.
    Achei impressionante a falta de compromisso da escritora com a história, até um desrespeito com os personagens que poderiam ser muito bons. Terminei de ler o primeiro e fiquei curiosa para saber se o segundo seria “assim” também, mas não consegui passar da metade, não existe nenhum compromisso com a personalidade dos personagens entre um volume e outro. Impressionante como até as cenas de sexo acabam ficando redundantes. Sem falar no monte de propaganda. Senti um pouco de vergonha alheia. E para piorar a escritora conseguiu transforma Anastasia em uma chata de galocha. Bom, perdoe o desabafo, mas não consigo entender pq tanto sucesso, pois nem a sacanagem justifica. rs

  31. Li a crítica a alguns meses e agora – que já li os três livros – resolvi dar meu parecer. O problema é que a mídia fez tanto estardalhaço porque tem cenas picantes no meio da história, que muita gente achou que ia se deparar com um manual de BDSM e acabou se decepcionando. O livro é um romance que conta a história de um homem e uma mulher completamente diferentes e que resolvem se descobrir juntos. Só. E é por isso que o considerei bom. Não é uma literatura para reflexão em grupo, e nem era essa a proposta da autora. É uma história de casal, com cenas picantes e que fazem aqueles com olhar menos clínico se envolverem naturalmente. E ao deixar de lado obervações clínicas sobre o texto, história e diálogos, é possível perceber uma trama que mostra de forma leve como o ser humano tenta – cada um a sua maneira – lidar com os conflitos do passado. Além disso, os personagens foram criados com muita sagacidade, especialmente o protagonista masculino que invade o imaginário da maioria das mulheres. Como não sou nenhuma feminista, admito que um homem lindo, apaixonado, solicito, que tenta ser melhor a cada dia (e que de quebra é bilionário e me enche de presentes e viagens) não é nada mal. O livro é bom, é envolvente e merece os parabéns. Afinal, não é todos os dias que alguém escreve um best seller.

    1. “O problema é que a mídia fez tanto estardalhaço porque tem cenas picantes no meio da história, que muita gente achou que ia se deparar com um manual de BDSM e acabou se decepcionando.”

      Não foi a mídia: foi a própria autora, foi a quarta capa, etc. Me desculpe, mas foi propaganda enganosa. A mídia colaborou aproveitando o hype, mas a culpa, em primeiro lugar, é da própria E.L. James e da editora dela.

      “O livro é um romance que conta a história de um homem e uma mulher completamente diferentes e que resolvem se descobrir juntos. Só. E é por isso que o considerei bom. Não é uma literatura para reflexão em grupo, e nem era essa a proposta da autora. É uma história de casal, com cenas picantes e que fazem aqueles com olhar menos clínico se envolverem naturalmente.”

      Ou seja, “Crepúsculo” + “Sabrina” + “Julia”. Nada de novo. Acredito que você o considerou bom porque estava dentro das suas expectativas, pra não dizer de acordo com seu gosto. Contudo, pare de usar argumentos do tipo “olhar clínico”. Enjoa, sério. Faz parecer que quem lê com mais apuro não consegue gostar de nada. Não, o problema é que quem tem olhar apurado não consegue gostar de qualquer coisa, e esse livro é isso: qualquer coisa. Nada de mais.

      “E ao deixar de lado obervações clínicas sobre o texto, história e diálogos, é possível perceber uma trama que mostra de forma leve como o ser humano tenta – cada um a sua maneira – lidar com os conflitos do passado.”

      Acho que o comportamento dominador dele não é lá um tipo de tratamento aconselhável para resolver traumas, principalmente se a dependência a que o outro se submete praticamente anula sua identidade. Sinto muito, mas essa não cola com nenhum terapeuta.

      “Além disso, os personagens foram criados com muita sagacidade, especialmente o protagonista masculino que invade o imaginário da maioria das mulheres.”

      Tudo existe em torno do personagem masculino, daí notarmos que, no fim das contas, é basicamente um conto de fadas só que escrito por uma menina de 13 anos para pessoas com tal idade mental – antes você se satisfazia com os sonhos molhados de “Crepúsculo”; agora, é hora da foda! 😀

      “Como não sou nenhuma feminista, admito que um homem lindo, apaixonado, solicito, que tenta ser melhor a cada dia (e que de quebra é bilionário e me enche de presentes e viagens) não é nada mal.”

      Tia, você podia não ter mencionado essa idiotice sobre “feministas”. Não sei qual é a imagem que você faz do movimento feminista, mas pode ter certeza de que elas lutam justamente contra a ideia de que a mulher deve se anular em favor do homem. Uma coisa é o homem que dá presentes de bom grado, mas outra é quando isso é uma forma de alienar a donzela e mantê-la à disposição sempre que quiser. O segundo caso, o da Anastasia, mostra que, infelizmente, ainda existem mulheres que não sabem se dar valor.

      “O livro é bom, é envolvente e merece os parabéns.”

      Há controvérsias. 😀

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