The Walking Dead: A Ascensão do Governador (Robert Kirkman, Jay Bonansinga)

Publicada desde 2003, a série The Walking Dead é provavelmente um dos títulos mais bem sucedidos quando falamos de quadrinhos internacionais. Além de premiações importantes como o Eisner Award que ganhou em 2010, ainda conta com uma adaptação para a TV pelo canal AMC que é igualmente um sucesso, com uma grande audiência e até nomeação para prêmios importantes. E se pensar que tudo envolvendo The Walking Dead é superlativo, a série conta também com um dos maiores vilões dos quadrinhos, de acordo com o IGN. O antagonista em questão é o “Governador” Philip Blake, conhecido por comandar com mãos de ferro Woodbury. Mas será que ele sempre foi o que aparece nas HQs?

É para responder isso que chega o livro The Walking Dead: A Ascensão do Governador, que mostra como Philip Blake sobrevive aos primeiros dias do apocalipse zumbi junto com seu irmão Brian, a filha Penny e mais dois amigos. Ao contrário do que acontece na série de HQ e de TV, onde vemos o protagonista Rick Grimes acordando em um momento já mais avançado do início da infestação, aqui temos o início. Philip e seu grupo observam o número de “Mordedores” crescendo cada vez mais, veem o sinal de rádio, TV e internet sumir e passam, dia após dia, a lutar para se manterem vivos.

É um livro extremamente tenso, onde fica claro que os autores conseguem explorar muito bem a ambientação para causar esse efeito. Há um cuidado nas descrições, envolvendo todos os sentidos, não só o que as personagens estão vendo. Todos os sentidos são explorados, há até uma definição do que seria o cheiro dos zumbis. Isso traz o leitor para dentro da história, quase como se estivesse acompanhando o grupo de Blake. Por conta disso alguns momentos da história são realmente memoráveis, como quando April e Philip saem do prédio para buscar mantimentos ou quando Brian sente a presença de outras pessoas na casa em que estão se escondendo. É realmente arrepiante.

Para a série, o que chama a atenção é a relação entre os irmãos Philip e Brian. O segundo é mais velho, mas por suas atitudes parece que é o contrário. Extremamente dependente de Philip, o irmão que parece encarar toda a situação com mais frieza (o que com pouco tempo fica claro que é necessário), enquanto ele ainda se abala muito mais com o cenário de morte e horror que estão presenciando. A abertura do livro é o que melhor representa isso, com Brian escondido no armário cuidando da sobrinha Penny enquanto Philip mata zumbis. E é a relação dos dois que serve também como chave do que fez o Governador ser o vilão que é.

Atenção: o próximo parágrafo conterá spoilers. Caso não tenha lido o livro, pule para o parágrafo seguinte.

A questão é que a relação entre os dois é explorada até o momento em que você começa a pensar que Philip é o que é por ver sua filha e seu irmão serem mortos, mas é com uma surpresa que ao chegar perto do fim do livro descobrimos que a história não é sobre Philip, mas sobre Brian. É ele o Governador, que assume o nome do irmão após ele ser morto. É Brian, o mais fraco, o sobrevivente. E as ações dele como o Governador são uma combinação distorcida entre a dor da perda, e uma tentativa de tentar agir como o irmão mais novo agiria.

A questão principal para quem não acompanha a série nem pela HQ nem na TV é: vou ficar perdido lendo o livro? A resposta é não. A história funciona muito bem de forma independente, e não fosse aquele “The Walking Dead” na capa, poderia ser lido como mais um livro de zumbis sem qualquer problema de não compreender alguma passagem porque esta informação está só em outra mídia. O Governador, aliás, só está previsto para aparecer na série da TV na terceira temporada.

The Walking Dead: A Ascensão do Governador é um prato cheio para quem gosta de histórias clássicas de zumbi, com muito sangue e momentos bastante tensos. Em seus melhores momentos algumas passagens quase lembram A Estrada, de Cormac McCarthy, pelo menos no sentido de levantar a questão daquela linha tênue que separa o que nos faz humanos do que nos faz selvagens. Terror dos bons, que mantém o nível muito bom da série na TV e nos quadrinhos.

The Walking Dead: A Ascensão do Governador
Robert Kirkman, Jay Bonansinga
Tradução: Gabriel Zide Neto
364 Páginas
Preço sugerido: R$34,90

Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record

Advertisements

3 thoughts on “The Walking Dead: A Ascensão do Governador (Robert Kirkman, Jay Bonansinga)

    1. aff, eu tenho sérios problemas com esse negócio de estrelinhas porque elas não indicam o contexto e aí vai ficar parecendo que estou comparando walking dead com guimarães rosa. vá lá: como livro de zumbi, é 5 de 5.

  1. Fiquei MUITO a fim de ler. Tinha deixado de lado justamente porque achei que era spin-off das hqs (que eu não leio). Enfim, o último parágrafo me convenceu. E Eu levo a sério as indicações de histórias de terror da Anica! Mais um pra lista 🙂

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s