Vigor Mortis Comics

Acompanho o trabalho da companhia de teatro Vigor Mortis e do artista DW meio de longe há alguns anos. O motivo? A peça Morgue Story, que trazia uma proposta inovadora de mesclar Quadrinhos com Teatro (e tinha um pôster de divulgação muito, mas muito bacana com arte do DW). E foi por isso que ao ver a Vigor Mortis Comics na livraria não pensei nem duas vezes e comprei, mesmo sem nem conhecer ao certo a proposta do livro. E de fato, foi um acerto: com roteiros de Paulo Biscaia Filho (diretor da Vigor Mortis) e José Aguiar e arte de DW e José Aguiar, a Vigor Mortis Comics traz novas histórias de personagens das peças do grupo curitibano, seguindo o mesmo tom de horror mesclado com cultura pop como era possível ver nos palcos.

O livro abre com duas obras diretamente relacionadas com Morgue Story, Oswald Apaixonado (arte de DW), história da personagem criada pela protagonista Ana Argento. Segue então Corra, Cataléptico, Corra (arte de José Aguiar) trazendo novamente Tom, o vendedor de seguros cataléptico. Como acontece nas boas histórias de horror, você reconhece o humor sutil na primeira história e o ritmo eletrizante na segunda. Acabam servindo como uma ótima abertura para a seleção de histórias que têm entre elas alguns textos explicativos de Paulo Biscaia Filho, mostrando de onde as personagens que agora estão nos quadrinhos surgiram.

Se o leitor pensa que precisa conhecer as peças da Vigor Mortis para acompanhar, as próximas duas já mostram o contrário. Tanto Freddy in Wonderland (arte de DW) quanto Ursula Unchained (arte de José Aguiar) são baseadas em personagens da peça Snuff Games. Mesmo não tendo assistido, acredito que não tenha afetado a leitura: gostei bastante de ambos os “capítulos”, com um tom meio de Grindhouse misturado com bastante sexo. Aliás, usei o termo capítulos entre aspas, mas acho que as histórias, apesar de aparentemente não terem relação uma com a outra, podem ser lidas como um todo, sim. Em pequenos detalhes uma se encaixa com a outra (a personagem que lê Oswald Apaixonado, por exemplo). Algumas ligações são bastante sutis, mas estão lá, tornando coeso o universo criado pela Vigor Mortis nos últimos anos.

A seguir vem O morto e a sombra, com Artie, personagem da peça Graphic (arte de José Aguiar). A história traz também novamente o zumbi Oswald, e junto com ele sua criadora, Ana Argento. Artie é um aluno encantado por Ana, que tenta provar para a professora que consegue fazer algo tão bom quanto ela. Acho que essa agradará especialmente aos fãs de quadrinhos, até porque tem momentos que é impossível segurar o riso, como quando Ana comenta, após ler algo que Artie havia criado, que ele parecia curtir bastante Marvel.

Depois é a vez de Wanda encontra o Homem do Saco (arte de DW), com a policial vampira da peça Garotas vampiras nunca bebem vinho. Apesar da ideia ser muito bem sacada (sim, realmente é o homem do saco dos pesadelos infantis) e, é óbvio, da arte ser fantástica, ainda assim foi a história que menos me agradou de todo o livro. Há algo na Wanda que não me agrada, embora pareça ser proposital: digamos que achei a personagem badass demais, mesmo para uma policial-vampira. De qualquer forma, ter sido a que menos agradou não significa que seja ruim, não chega a estragar o ritmo do livro, até porque está perfeitamente adequado à toda a proposta.

Depois retornamos à metalinguagem com outro capítulo envolvendo a personagem criada por Artie, A sombria morte do Homem Sombra (arte de José Aguiar). E lendo eu lembro da tirada de Ana Argento sobre Artie gostar de Marvel, e vá lá, a piada maior é que gostei muito da história. Não sei se acabou resgatando um pouco da nostalgia dos tempos em que eu lia mais quadrinhos, mas gostei muito mesmo (até pelo desfecho). Para fechar o livro voltamos com Ana Argento e Oswald em A revanche do morto (arte de DW), uma conclusão bastante bacana para uma proposta tão legal. Se a Vigor Mortis inovou ao trazer os Quadrinhos para o Teatro, repete a dose agora com o processo inverso.

Em tempo: ontem rolou o Cena HQ Brasil no teatro da Caixa aqui em Curitiba, com leitura dramática da Vigor Mortis Comics. Não estive presente, mas os comentários que ouvi é que foi algo fora do comum e bastante interessante. O evento acontece uma vez por mês até novembro, e trará leituras e debates de quadrinhos como Cachalote e Morro da Favela. Para quem é de Curitiba vale a pena conferir as próximas datas para não perder a oportunidade de falar sobre quadrinhos brasileiros.

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7 thoughts on “Vigor Mortis Comics

  1. Muito interessante, Anica. Vou ver se consigo conferir. Nunca tinha ouvido falar, embora a capa me pareça familiar.

    E… Rola um spoiler sobre qual é a tirada com a Marvel? :p

    E [2]… Conhece Rachel Rising, do Terry Moore?

    1. Então, não é exatamente spoiler, é mais pelo jeitão megalomaníaco do herói criado pelo Artie, aquela coisa de “eu tenho que me vingar” e tudo o mais. Lendo os quadrinhos do Artie realmente na hora você consegue pensar em um punhado de personagens da marvel. E aí você vê a expressão da Ana Argento ao comentar aquilo e não tem como não rir =F

      Não conheço Rachel Rising, não, sobre o que é? O Terry Moore é do Estranhos no Paraíso, não? Adorava essa hq ❤

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