Shakespeare escrevia por dinheiro: Lá e cá

Tem uns tempos que li um texto do Fabio Yabu falando sobre essa história de que brasileiro não gosta de ler. Imediatamente lembrei de uma palestra de Lloyd Schwartz que presenciei nos tempos da graduação. Para quem não conhece, ele é poeta, crítico e professor que conhece a obra e a vida da escritora Elizabeth Bishop como ninguém. Em dado momento da palestra, ele comentou que viera para o Brasil anteriormente para estudar o período em que ela viveu aqui em nosso país, e disse que ficou admirado com o gosto que o povo brasileiro tinha pela leitura, já que até estampava em notas de dinheiro o rosto de escritores nossos. Acredito que ele falava da nota de cinquenta Cruzados Novos, que estampava Carlos Drummond de Andrade, poeta que foi traduzido para o inglês por Elizabeth Bishop.

De qualquer modo, achei engraçado ver como um estrangeiro nos via. Enquanto nós por aqui ficamos debatendo se gostamos ou não de ler, um norte-americano encontra pistas de que sim, somos leitores. Não podemos ser compulsivos como modelos que adotamos de leitores ideais (aquela coisa, mal saímos de 2 ponto qualquer coisa de livros lidos por anos e já queremos chegar em média de 10 e por aí vai), mas dizer que brasileiro não gosta de ler já soa um pouco fora de nossa realidade atual. E sabe, me parece criar uma espécie de lodo onde toda ou qualquer iniciativa morre no papel porque sempre haverá aquele azedo que dirá “Mas brasileiro não lê, não terá interesse nisso”.

Um exemplo: quando estive em Dublin, fui algumas vezes em um pub chamado The Duke (frequentado por James Joyce!!). Lá, fiquei sabendo que o local era também ponto de partida para uma Literary Pub Crawl. A ideia era ir de pub em pub ouvindo histórias de escritores irlandeses, de Yeats até Wilde. Achei a ideia genial, e não parava de pensar “Por que não tem igual em Curitiba?!”. Não é por falta de escritor boêmio e bares com décadas e décadas de história, isso é fato. Mas sempre acabamos batendo na tecla da “falta de interesse do brasileiro pela leitura”.

Outra, para quem foi para Londres sabe que não estou mentindo: a quantidade de gente lendo no metrô é impressionante. Jornalzinho gratuito até os lançamentos da moda, tá todo mundo com a cara enfiada em alguma coisa, lendo. E lá vem o sujeito azedo dizer “No Brasil isso não acontece…”. Não? Eu preciso discordar. É evidente que é em menor grau do que em Londres, mas sempre vejo alguém lendo quando estou no ônibus. Lá no fórum mesmo temos um tópico só para deixarmos registrado o que vimos alguém lendo na rua (e aí eu criei um hábito terrível de quase entortar o pescoço para descobrir os títulos dos livros que as pessoas estavam lendo). Repare você mesmo a partir de agora, quando estiver no ônibus ou no metrô.

Eu honestamente acho que repetir esse mantra de que o brasileiro não lê é um pouco azedo e irreal. Pode ter sido verdade em algum momento, mas vá lá, estamos constantemente evoluindo, mudando – e acho que nesse caso é para a melhor. Vocês acham que a Amazon estudaria vender o Kindle aqui se não existisse mercado? E se ainda não está convencido, clica ali no link do texto do Yabu e dê uma espiada nos argumentos dele, incluindo o número grande de pessoas nas bienais, ou o sucesso de sagas com o público infantojuvenil. Tem brasileiro que não lê? Sim. Assim como tem inglês, russo, japonês. A média dos não-leitores ainda é alta? Pode ser, mas o fato de ser alta não significa que seja única, absoluta. Os leitores estão aí.

E se você acha que não, termino com uma história: final de 2007, fico matutando que seria legal ter algo parecido com o Literature Network lá dos gringos, um fórum sobre literatura para brasileiros. Na época ouvi de não uma, mas várias pessoas um “Desiste, Anica, isso não tem público. Não vai dar em nada.”. O fórum continua firme e forte, temos quase 6.500 membros. Mas sem sombra de dúvidas o que mais me enche de orgulho de ter deixado esse ranço do “brasileiro não lê” de lado e tocado a ideia adiante, é que sem o fórum não existira o blog, pelo qual tenho um carinho enorme por ter visto a ideia nascer e crescer nos últimos anos.

Moral da história? Para de dizer que brasileiro não lê. Não desista de ideias se baseando nisso. Não temos o ritmo voraz de um público inglês ou norte-americano ainda, mas eu sinceramente vejo que as coisas estão melhorando muito sobre este assunto.

Livros lidos: Arte e Letra: Estórias O (Vários), Um Conto de Natal (Charles Dickens), Estrada Escura (Dennis Lehane), A Visit from the Goon Squad (Jennifer Egan), A nova roupa do Imperador (Hans Christian Andersen), Os Gêmeos (Pauline Alphen), The Hunger Games (Suzanne Collins), O caderno vermelho (Paul Auster), E Foram Todos Para Paris (Sérgio Augusto) e Catching Fire (Suzanne Collins).

Leituras em andamento: Mockinjay (Suzanne Collins) e Abaixo as verdades sagradas (Harold Bloom).

Livros que chegaram: Um Conto de Natal (Charles Dickens), A nova roupa do Imperador (Hans Christian Andersen), Os Gêmeos (Pauline Alphen), O caderno vermelho (Paul Auster) e E Foram Todos Para Paris (Sérgio Augusto).

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26 thoughts on “Shakespeare escrevia por dinheiro: Lá e cá

  1. Mais do que concordo, Anica. Ler pouco não é o mesmo que não ler nada, e a cada vez o número de leitores estão aumentando (de 1,8 pra 2 sei lá o que pra 4 e outros tantos livros lidos por ano, e assim vai indo). Não acho que possamos nos basear muito no número de vendas como argumento para dizer que brasileiro lê mais, já que comprar não é o mesmo que ler, mas isso é um indicativo de que o interesse pelos livros está crescendo.

    Eu sempre olho em volta para ver o que as pessoas estão lendo também, acabei de chegar em casa e no trem, só na minha volta, tinham pelo menos 6 pessoas lendo (de livro técnico à auto-ajuda e um catatau do George R. R. Martin). Ou seja, aqui tem leitores sim e você pode encontrar eles em todos os lugares. Isso não é não ler, não é ignorar a literatura.

    1. Pois é, eu acho que o maior problema dos dados é que normalmente eles se sustentam em número de vendas. Mas sinceramente, mesmo que o número de vendas não represente satisfatoriamente o número real de leitores, ainda assim mostra, como você disse, que há sim interesse que cresce continuamente. E é por isso que eu acho que não dá para ficar se agarrando à ideia de que somos um país que não lê. Me parece óbvio que gradualmente estamos mudando essa realidade.

  2. Claro que brasileiro lê. Assim como compra Ferrari, Jaguar, Rolex, etc. Mas a pena é que a gente não vê… O problema com essa discussão é que ela costuma ignorar que o país vai muito além das capitais, como diria o Humberto Gessinger… Lembro de meu professor de estatística dizendo que antes de apresentar os números, nós precisamos saber exatamente a qual situação eles se referem: um sujeito come 4 refeições por dia e o outro nenhuma, mas na média todo mundo come duas. E há muita diferença entre o que o número diz e o que é a realidade mesmo.
    E não falo isso porque gosto de repetir que o “brasileiro não lê”, mas porque temos mesmo essa impressão, enquanto de uns 15 anos pra cá, pelo menos em SP, muitos alunos se formam na escola e não conseguem ler sequer um parágrafo de um texto de revista (que não chega a ser algo muito complexo). Eu até entendo que algumas realizações nos encham de orgulho, mas isso não significa que de fato esses números indiquem uma melhora, percebe?
    E na esteira dessa discussão, surge outro tema sempre: a qualidade da leitura (não que um gênero seja melhor que outro, mas a capacidade de compreender o que se lê). E acredito que essa é ainda mais importante que a quantidade de leitores…

    1. O fato de a média brasileira aparentemente só levar em conta os grandes centros não exclui o fato de que há quem leia. Ou só vale se for todo mundo? Não acho que seja por aí que as coisas funcionam. Não estou sugerindo que lemos como ingleses, franceses ou americanos, mas eu acho que há muito que já não somos o tal do “país que não lê”.

      No final das contas, acho que o que mais me incomoda é a generalização. Não somos um país que não lê. Também não somos um país que lê vorazmente. Estamos no meio do caminho. Mas eu sinceramente acho que há sim um progresso comparando o Brasil de 20 anos atrás, por exemplo.

      Sobre a generalização também entra a questão da qualidade da leitura. Não é porque temos um número grande de analfabetos funcionais (e temos, infelizmente), que esse número representa o todo. Ou você vai dizer que você é um analfabeto funcional?

      Enfim: tem muito trabalho pela frente? Tem. Mas não dá para generalizar dizendo que nós leitores brasileiros simplesmente não existimos, e a partir disso empacar um monte de coisa legal que poderia inclusive levar a leitura para lugares não contemplados nas pesquisas, como você comentou.

  3. olha, há quem discorde. to mais na linha do marc_dell. se analisarmos a qualidade da leitura muita coisa q se le porae é autoajuda ou aqueles livros da moda q “precisam” ser lidos, nem que seja por meio de uma pincelada com os olhos. e se pensar no número de pessoas q tem no forum, tem um forum argentino (club del lector) com 2500 membros. se levarmos em consideração que, chutando, a população da argentina seja pau a pau com a do estado de SP, daá pra perceber q ñ precisamos ir até a inglaterra pra notar a diefença. alías, provavelmente somos o país da america do sul q menos le.

    1. não entendi o que você disse sobre o fórum argentino. o meia palavra tem quase 6.500, ué. =]

      em tempo: o marc não falou de gêneros sobre a qualidade de leitura, mas de pessoas que não absorvem/não conseguem interpretar o que leem. são coisas bem diferentes. eu não suporto autoajuda mas sinceramente acho que essa conversa elitista de que esses livros são ruins portanto não valem como leitura um dos males que perpetuam essa imagem de brasileiro não lê. quer dizer, você sai da escola e pode escolher o que quer para ler, mas aí tem que ser só o cânone literário senão a leitura não vale? não é por aí também.

      1. ñ é isso. ñ fique braba. então todos concordamos q o brasil ta lendo cada vez mais. pronto. só ñ sabemos como nem pq? certo? ou vc sabe? eu comparando com países de mesmo nível social vc acha q estamos lendo mais do q eles? como sabe? é só isso q eu quero dizer….

  4. Eu costumo não ser tão otimista nesse sentido e posso estar errado por isso, mas acho que entendo o que a Anica quer dizer, porque vemos pessoas a torto e a direito falando que brasileiro não gosta de ler e pronto, não fazem mais nada, como se tivessem se chocado contra uma lei natural, como a da gravidade, por exemplo, em relação a qual nada podem fazer.

  5. Infelizmente muitas pessos como o Marc_dell e o André gostam de bater na mesma tecla, talvez por achar que a leitura seja elitizada e que devem preservá-la a todo custo. Então, quando surgem dados de que a média de livros lidos no Brasil cresceu eles logo atacam que a leitura é de livros de auto-ajuda – não sei como não incluem os livros religiosos em tais críticas. Ou então questionam a veracidade dos dados através de estatísticas esquizofrênicas, que tem o único papel de confundir e manter a leitura feita por poucos – quiça só por eles. Quando tais práticas não derem certo, usarão de outro atributo: manter em sigilo nome de autores obscuros, de modo que eles sejam os únicos a ter lido obras fantásticas, com acesso restrito a eles próprios.

    Sinceramente? Qualquer dia eu tiro foto dos leitores em ônibus, consultórios, metrô e filas e publico. Quem sabe assim eles acreditem, ou então dirão que são montagens absurdas – e muito bem feitas – ou fruto da minha imaginação. Assim como é minha imaginação o público imenso das Bienais e os os investimentos das Editoras brasileiras. Isso sem falar na Amazon que todos sabemos é parceira do narcotráfico colombiano e vem lavar dinheiro no mercado brasileiro. E que na verdade os e-books vendidos por ela tem a única função de provocar uma lavagem cerebral coletiva.

    Afinal, o Fábio Yabu está errado. O fato de que “o brasileiro não lê” não é uma lenda, mas o fato de que o brasileiro está lendo mais é fruto de uma conspiração internacional que tem por intuito apenas explorar o mercado brasileiro com a ilusão coletiva da leitura.

    Ok! Eu devo ter viajado muito. Mas acho que vou começar uma campanha para que as pessoas nos enviem fotos de transeuntes lendo em lugares públicos pelo simples prazer que me dá de ver outras pessoas lendo.

    1. Olha Palazo, acho que vc quis fazer piada e não gostei nem um pouco. Distorceu totalmente o que eu disse, parece que não entendeu (o que por si só já é um argumento em meu favor, hehe).
      O que estou frisando é que apesar de alguns números indicarem esse crescimento, ele me parece muito localizado em poucas regiões e a certos grupos (jovens, que querem estar integrados em seu grupo, estudantes, alguns que tem uma situação econômica um pouco melhor). E, além disso, dentro desses grupos há uma porcentagem absurda de pessoas que simplesmente não conseguem entender o que lêem. Mas por quê? Porque de modo geral a leitura aparece como algo de status (nesse ponto vc tem razão, muitos adoram se destacar pelas leituras obscuras, que poucos tem acesso) e que não está ao alcance do povão. Assim, quantas vezes não vemos as pessoas chamarem de leitura apenas o que é facilmente digerível e fugir de algo um pouco mais complexo? “Isso não é pra mim!”, vai dizer que já não viu isso acontecer?
      Na verdade, minha posição é exatamente o oposto do que vc colocou, mas geralmente as pessoas que se dizem democráticas e com tendências à esquerda, quando se deparam com uma opinião divergente acabam sempre recorrendo a esse tipo de argumentação: desqualificam moralmente, tentando ridicularizar e, assim, evitando confrontar as idéias…

      1. Estranho, quando você falou “não que um gênero seja melhor que outro, mas a capacidade de compreender o que se lê” eu tinha entendido outra coisa. Não entendo esse argumento da “literatura facilmente digerível”. Quer dizer que a pessoa que tem o hábito de ler só por diversão não é um leitor? Tem que ser um acadêmico de Letras e debulhar Proust e Joyce para ganhar carteirinha do clubinho?

    2. hahaha. ñ precisava nem dizer q vc viajou mto… isso é obvio. me diz o q vc fez, qq vc usou pra eu poder me chapar aqui um pouco tb, as vezes… como vc pode dizer coisas sobre mim, então vou dizer sobre vc tb… vc é um sarcástico de marca maior. como vc sabe q quero guardar toda a leitura pra mim? pare de fazer isso amigão, ñ seja um campeão tipo mae diná. faz isso ñ q fica feio pra vc. eu nem disse q o brasil é um pais q ñ le e vc é um piadista. vc dá pra comediante, cara kkk. e ñ vou ficar aqui explicando de novo o q eu disse pois vcs são muito mais letrados do q eu e dá pra entender mto bem o q eu quis dizer. e mais, pode incluir seus livros religiosos tb, na pilha, eu ñ quis tocar no assunto religião justo pra ñ causar polêmica.. tchau.

  6. brasileiro ler + é uma realidade distante d ond eu moro. pode ser como o marc_dell disse, se referindo aos gdes centros, mas o fato é q eu quase entro em delírio qdo vou ao RJ e vejo mendigos lendo nas praças e mta gente nos ônibus e metrô e volto p casa e ñ acho uma vivalma pra conversar q ñ seja virtualmente sobre livros. e discordo do palazo e do lucas qdo atacam quem contra-argumenta como pessimistas e ñ difusores dos livros. eu sou conhecido por sempre andar com 1 livro na mão e se olharem no meu skoob verão q tenho + livros emprestados dq qq 1 aqui. vivo fazendo convites à visitas guiadas à minha biblioteca particular ond amigos leitores & ñ leitores podem escolher oq + lhes agradar e levarem emprestado. mesmo assim, meu trabalho é d formiguinha, nas salas d aula ond ensino (universidades!) conto há anos o mesmo número ou até menos d leitores. nos ônibus e nas ruas, é + fácil achar alguém tocando a mais nova versão do michel teló q com 1 livro em mãos. enfim, acredito na argumentação da anica, mas no interior é diferente, infelizmente.

    1. Eu também percebo essa grande diferença na cidade onde cresci. A leitura lá, no interior, era algo raro de se ver na rua. Eu tinha vários amigos da escola que tinham gosto pela leitura, mas era difícil ver alguém fora desse meu círculo com algum livro na mão. Nos transportes públicos, então, nem se fala. Me espantei quando cheguei aqui na região de Porto Alegre e vi tanta gente lendo. Se for pensar no porque isso acontece, essa disparidade toda entre a leitura no interior e nas grandes cidades, acho que o maior fator que causa isso é o próprio mercado que está todo concentrado nas grandes cidades (o interior conta com os projetos do governo e as escolas e deu). Eventos, lançamentos, as livrarias e editoras, tudo está concentrado num único lugar, e o Brasil já é um país que naturalmente sofre com o problema dessa concentração nos grandes centros (não somos nada nanicos, e atingir a totalidade não é nada fácil, distribuir e difundir esse produto, o livro, aqui dentro exige recursos demais). E além dessa dificuldade toda causada pelas distâncias, o pensamento de que nem lá não se lê acaba evitando que se invista em algo por falta de público quando o público exite, só está escondido. Não passeei pelo interior o bastante para observar se há mais leitores ou não do que antes de eu me mudar pra cá, mas não acredito que o crescimento da leitura lá esteja parado. Hoje, com internet e tudo o mais, é bem mais fácil adquirir um livro e informações sobre um livro que desperte a leitura. Ter informação, aliás, é o que mais vai ajudar nesse incentivo a leitura. Ver que ela não é apenas uma obrigação, que não há somente o que os professores mostram na escola, poder descobrir novos temas… Podemos parecer otimistas demais, eu sei, mas também não é num estalar de dedos que o Brasil vai se transformar em um país que devora livros como se fossem doces. Sou otimista, mas sei que vai levar muito tempo ainda para isso acontecer.

      1. a compra d livro pela internet É o diferencial qdo se trata do interior, mas acaba limitando como público privilegiado aqueles q têm acesso à ela. só p ter uma noção, o guerra dos tronos é vendido na minha cidade, por encomenda na única magazine da cidade por r$80,00 eqto na internet ele sai com o frente por r$25,00 em promoções. as bibliotecas aqui tb são limitadas aos clássicos sebosos e poeirentos dq aos lançamentos e bestsellers, sejam infanto-juvenis, religiosos ou auto-ajuda q aumentariam o nº d leitores. e já passei por outras cidades onde a situação é semelhante, sempre coletando informações de leitores e estimuladores da leitura como eu (1 leitor sempre atrai outros) e ñ há sinal d melhora, apesar da esperança. pelo contrário, há bibliotecas fechando ou às traças, livrarias virando bares (é vero!) e leitores em potencial virando-se exclusivamente p outras artes (ñ q seja ruim, mas gosto d arrebanhar colegas ao meu vício).

  7. Olha, acho que vcs tem uma postura engraçada: basta a pessoa demonstrar um ponto de vista diferente que vcs todos da equipe correm pra massacrar a pessoa com tentativas de ridicularizá-la. E olha que nem discordei, apenas chamei a atenção para a necessidade de se olhar o tema com mais cuidado. Veja o comentário do JLM, está dando informações concretas que ele vivencia.
    Anica, vc sabe muito bem que a frase destacada de seu contexto se presta a qualquer coisa… Muito feio!

    1. Marc, não estou massacrando, estou discutindo o assunto com você. Se você não sabe ver a diferença entre um e outro não me parece muito diferente das tais das “as pessoas que se dizem democráticas e com tendências à esquerda” que não conseguem responder uma opinião divergente.

      Colocando de forma mais clara então: quero saber por que inicialmente você fala em não querer apontar que um é melhor do que outro e depois falar sobre a literatura facilmente digerível. Mais ainda, gostaria de uma resposta para minha pergunta anterior: Quer dizer que a pessoa que tem o hábito de ler só por diversão não é um leitor?

      E muito feio é vir se fazer de vítima só porque algumas pessoas discordam de você. As pessoas da equipe tem opiniões próprias, como o Lucas mesmo deixou claro ao dizer que não concorda com minha ideia. Querer dizer que “todos da equipe correm para massacrar” é patético. O Palazo fez uma piada, você levou à mal, ele provavelmente logo voltará aqui. Mas a conversa até o momento estava entre eu e você, e eu não te ridicularizei em momento algum, apenas questionei seus argumentos. E que debate é esse que não se pode questionar argumentos?

    2. Marc, meu querido. A piada feita foi apenas para chamar a atenção, de maneira escrachada, para os argumentos apresentados que resumidamente apontam para que a qualidade é melhor que a quantidade. Fato que eu discordo e acredito que a qualidade não existe sem a quantidade, e vice-versa. Quanto mais leitores um país tiver, mais são as chances de encontrarmos pessoas interessadas no desafio de ler Joyce.

      Um ponto importante foi de fato levantado pelo JLM e complementado pela Izze. O fato da maioria dos leitores estar na capital está intrisicamente ligado a quantidade de livrarias, bibliotecas e eventos que acontecem nas capitais – nada além disso. Soluções precisam ser pensadas nessa direção e o fortalecimento do mercado sem dúvida ajudará para o desenvolvimento da leitura além das capitais.

  8. Quanto à questão da qualidade de leitura do brasileiro — mas sem querer atacar ninguém, apenas para deixar um depoimento — acho que os gringos também não estão tão à frente. Durante algum tempo morei com uma família alemã, que tinha uma biblioteca razoavelmente grande, mas quase toda de faroestes, histórias água-com-açúcar, etc. Talvez esteja fazendo uma generalização inválida, mas me parece que, assim como aqui, lá a literatura dita “superior” é mais cultivada por um nicho, a grande maioria não se preocupa tanto com estilo, mais com enredo.

    Claro que seria melhor chamar umas pesquisas oficiais para confirmar esse tipo de coisa, mas minha impressão é que a proporção entre leitores que prezam estilo e leitores que prezam enredo (difícil falar sem colocar julgamentos implícitos, mas você entendem a distinção que quero traçar) já deve ser a mesma no Brasil. A diferença está mais na escala: quanto mais pessoas lerem, mais crescerão *ambos* os tipos.

    1. Até pq como eu sempre digo, ninguém começa a resolver logarítimo sem aprender equação de segundo grau. Pelo menos de relatos que ouço por aí não lembro de ter conhecido alguém que já tenha começado direto com Guimarães Rosa, por exemplo.

      E falando de lá, eu lembro que dos londrinos que eu reparava na capa do livro, estavam todos lendo livros daqueles para consumir mesmo. Tinha um que estava na moda na época, que era da autora de O diabo veste prada que era mania nos metros, por exemplo.

  9. Certamente vc conhece Adorno e sabe que a grande crítica que se faz hoje a seu pensamento é que ele analisava a cultura de um ponto de vista elitista. Não conseguia ver valor nas novas formas de manifestação que surgiam, como o jazz (que nos legou textos maravilhosos de seus apreciadores, entre eles Scott Fitzgerald) ou a literatura do começo do século. Mas me parece que nós todos caímos no erro oposto, que é o de imaginar que todas as coisas estão no mesmo nível simplesmente porque tem o direito a existir. Ora, é óbvio que digamos J K Rowling tem direito a se manifestar e escrever, mas só por isso não se pode querer compará-la a Joyce, por exemplo. Não tenho medo de afirmar isso, mas não aceito que se complemente essa afirmação com o óbvio “ele se considera melhor porque gosta de coisas melhores”. Cada tem suas preferências e ponto.
    O que quero dizer é que eu adoro ver as pessoas lendo mais, é ótimo. Mas me preocupo porque o número visto assim “a quantidade de leitores aumentou” camufla muitas coisas, como a grande disparidade econômica que existe entre as populações das capitais e do interior. E também, dentro das cidades, entre aqueles que podem de fato comprar um livro e os que ignoram isso completamente, para quem ler é uma obrigação, e muitas vezes um luxo. Além disso, levantei o problema de que seria mais interessante ainda se esse aumento significasse também uma melhoria da educação, para que as pessoas pudessem ler não apenas o Harry Potter mas também o Ulisses. Não se pode dizer que isso não seria o ideal. E algo pelo qual deve-se lutar.
    O que desde o início está implícito em minha fala é: mais do que a melhoria dos números precisamos ansiar pela melhoria qualitativa dos leitores, para que eles possam escolher realmente o que ler. O livro deve chegar a mais pessoas e essas pessoas devem estar mais preparadas para absorvê-lo. Eu quis completar sua argumentação. Lamento que toda vez que alguém fala algo desse tipo rapidamente todo mundo venha com a velha réplica: “então quer dizer que vc se considera melhor porque gosta disso e disso”…
    Mas encerro aqui, por motivos óbvios não vou prolongar a discussão.

    1. Marc_dell, como eu disse anteriormente, não consigo enxergar com tanto otimismo essa questão como a Anica a colocou e, acredite, concordo com a maioria dos pontos que você destacou nesse teu último comentário, não se trata de hierarquização por elitismo, como se fosse uma afirmação de poder que desqualifique os demais. Acho que há, inclusive, um exagero nesse sentido, enveredando por um subjetivismo perigoso, mas por hora deixemos isso de lado.

      Entretanto, duas coisas que acho válidas de serem ditas:

      1. tenho que concordar com a Anica quando ela diz que essa literatura ‘água-com-açúcar’ (ou como queiram chamá-la) tem papel importante no desenvolvimento do leitor. Creio que eu e você partilhamos da opinião – e porque não dizer, da esperança – de que os livros devem ser mais do que entreitenimento, que eles toquem as pessoas no fundo delas e as façam despertar para os problemas do mundo e da humanidade como um todo, e muitas vezes não vemos isso nos livros ‘água-com-açúcar’, por isso nossas preocupações.

      2. quando disse no meu primeiro comentário a respeito das pessoa que encaram a frase ‘brasileiro não gosta de ler’ como uma lei natural, não me referi a você, primeiramente; e, em segundo lugar, dirigi minha indignação às várias pessoas (acredite, conheço muitas) que dizem isso e não pensam a respeito do que disseram, não conseguem colocar isso em perspectiva nem tentar rastrear os motivos e as possíveis soluções. Esse pensamento pode se tornar, inclusive, uma bela desculpa esfarrapada para não fazer nada a respeito.

      Enfim, como já disse outra vez (acho que no fórum) temos que perscrutar as causas sociais desse aumento de quantidade, ou diminuição de qualidade, ou difusão de YA e Crepúsculo, ou diminuição de clássicos etc. e tal. Acho que se encararmos o problema em perspectiva ampla, veremos que as raízes desse comportamento estão situadas profundamente nos rumos nos quais nossa sociedade anda, afinal, se mais pessoas lêem ou se menos pessoas lêem, existem condições sociais (e inclusive históricas) para tal.

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