A nova roupa do Imperador (Hans Christian Andersen)

Muitos dos contos de fadas que conhecemos foram criados pelo dinamarquês Hans Christian Andersen. De Patinho Feio até A Pequena Sereia, foram várias as histórias que ele contou, apresentando algumas características básicas dos contos de fada com cunho moralizante (aquela coisa de “moral da história”, de passar uma mensagem para o leitor), além de explorar um pouco do fantástico e do maravilhoso. E é dele também o conto A Roupa Nova do Rei, que chegou recentemente no Brasil como  A nova roupa do Imperador, com ilustrações de John A. Rowe pela editora Cosac Naify.

A história se baseou em um texto do século XIV, e no original a ideia é de que a roupa nova do rei era invisível para quem fosse um bastardo. Já marcando os sinais de uma nova época, Andersen adapta o texto e retira a parte mais polêmica, deixando a roupa invisível para “qualquer pessoa incompetente em seu ofício, ou completamente tola”. E com isso ele acabou criando uma das melhores histórias representando a vaidade humana, direcionada não apenas para crianças, mas também adultos. Tanto é que a referência “o rei está nu”, ecoará em uma infinidade de obras, não só literárias ((Lembro vagamente, inclusive, de uma citação de Oscar Wilde falando algo sobre a criança e o idiota dizem que o rei está nu, e que o idiota continuará sendo um idiota, enquanto o rei continuará sendo um rei)).

Lendo A nova roupa do Imperador, me dei conta de que nunca antes havia lido o texto original de Andersen. Tive contato com um número sem fim de adaptações ou ainda “recontações”, mas não o original. É o tipo de coisa que expõe uma nova tradição sobre os contos de fadas. Se antes eles se modificavam porque eram repassados oralmente, agora a modificação se dá inclusive pela troca de mídias (alguém aí já leu o que realmente acontece com Ariel em A Pequena Sereia?). E no caso deste livro em específico há algo ainda mais interessante: não é apenas o texto original de Andersen, mas também tradução direta deste original, feita por Francis Henrik Aubert (responsável por uma tradução para o norueguês da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias).

As ilustrações de John A. Rowe são um complemento para o livro, com traçado bem característico e cores vivas, deve chamar bastante a atenção das crianças. Gosto do detalhe do nariz avermelhado das personagens, de certa forma isso trouxe lembranças de desenhos antigos,  tem um tom meio circense, o que acaba combinando muito bem com o texto que, aliás, por ser mais longo, me parece ser mais indicado para leituras feitas pelos pais para as crianças, ou jovens na faixa dos oito anos de idade.

É realmente um livro que vale a pena conferir, nem que seja por trazer esse gostinho de reencontro, misturado com a novidade que é ler o texto original. E certamente é uma história que não será esquecida pelo imaginário popular por um longo tempo, por falar tanto sobre nós mesmos.

A nova roupa do Imperador
Hans Christian Andersen
Tradução: Francis Henrik Aubert
Ilustrações: John A. Howe
32 Páginas
Preço sugerido: R$ 39,00

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Editora Cosac Naify

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2 thoughts on “A nova roupa do Imperador (Hans Christian Andersen)

  1. Li os contos de Andersen na versão feita por Monteiro Lobato, muito boa aliás.
    Muitos são realmente tristes como o conto do Pinheirinho de Natal e a Pequena Sereia

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