Shakespeare escrevia por dinheiro: Ritmo de leitura

Dia desses no fórum travei um diálogo que era até meio surreal. A coisa toda começou com uma mensagem que afirmava, basicamente, que as pessoas tinham que gostar de clássicos, porque se elas dizem que não gostam é porque não costumam ler nada de bom. Eu tomei o argumento como uma bobagem, visto que, bem, sou bacharel em estudos literários, já tive minha boa cota de alta literatura e nem por isso Crime e Castigo deixou de ser uma decepção para mim (sim, foi. Não, não odiei o livro. Só esperava que ele fosse um daqueles que me mudariam para sempre. Foi “só” um bom livro). Enfim, chega um momento que a pessoa argumenta que percebeu que no Meia Palavra nossas listas de livros lidos no ano tinham livros demais, e que “se dedicassem dois meses e todos os dias a Moby Dick ou a Ulysses veriam a diferença”.

Primeiro, um comentário: essa fama de livro “difícil” e só para “iniciados” que alguns tentam impor a Ulysses me irrita profundamente. Mas vamos ao que interessa: a lista de livros lidos grande quer realmente dizer que a pessoa não está se “dedicando” à leitura? Por que o comentário de dezenas de pessoas ao ver uma lista de livros lidos com mais de cinquenta títulos já começa com a conversa de “Ah, mas essa pessoa nem reflete sobre o que leu, então é a mesma coisa que nem ler nada, porque ela não aproveita a leitura”? Meu amigo, vamos desde já deixar claro que isso é uma tremenda bobagem.

Bobagem porque não considera um fator importantíssimo na vida de leitor, que é o ritmo de leitura. E ritmo de leitura é uma coisa que varia tanto, mas tanto que não dá para generalizar e dizer que fulano que leu 200 livros em 2011 não “aproveitou nada do que leu”. Varia não só de pessoa para pessoa, mas de livro para livro. Sim, o livro também dá a nota nesse ritmo de leitura. Sei que não sou a única pessoa, porque já ouvi mais de uma dizer que quando ela gosta muito de um livro, tem que se controlar para não acabar com ele tão rápido. Comigo é assim: já aconteceu de eu simplesmente não conseguir ir dormir enquanto não soubesse do desfecho da história que lia. Ou de ficar tão encantada pela escrita de um autor que não parava de ler, até caminhando na rua (tentando desviar dos postes) eu seguia lendo.

Mas não é só uma questão de aproveitar toda ou qualquer situação para ler. Há pessoas que simplesmente conseguem ler mais rápido do que as outras, sem qualquer prejuízo para compreensão (e “absorção”) da obra. É um campo de estudo pelo qual tenho uma tremenda curiosidade, especialmente depois de ler A leitura, de Vicent Jouve. Saltamos desse processo de juntar palavras para o de mergulhar em uma história e nem nos damos conta de como a leitura em si é uma atividade complexa. Nosso cérebro antecipa o que virá nas páginas seguintes, vamos preenchendo lacunas antes de elas se revelarem, usando para isso nosso conhecimento de mundo. O que quero dizer é que assim como ao praticar exercícios de matemática, com o tempo você consegue perceber quando está errando alguma coisa, ou antecipar determinados cálculos, o mesmo se dá com a leitura. A prática faz com que com o tempo esse jogo de adivinhação torne-se quase que automático, e esse seria um dos fatores que fariam a leitura ser mais rápida.

Um dos fatores. Eu não duvido que exista sim quem pule páginas ou parágrafos, ou quem lê a orelha e diz que leu o livro (se o segundo caso não existisse, duvido que Bayard se prestaria a escrever o Como falar de livros que não lemos). Mas o fato é que você não pode querer calibrar o que é uma “boa leitura” considerando apenas a velocidade com a qual a pessoa lê. É um tanto bobo e ilógico, como dizer que alguém não aproveitou o livro porque, sei lá, estava chovendo. Fui consultar o Censo Literário 2012 do Meia Palavra, e lá temos o Lucas com 15 livros lidos só agora em janeiro. É óbvio que se ele chegou nesse número, ele tem um ritmo rápido de leitura. Agora quem aqui já leu as resenhas dele no blog sabe muito bem que elas não são de alguém que só leu a orelha do livro, ou que não absorveu a obra.

Eu acho que o ponto que eu quero chegar é: sim, ser um leitor é lindo, algo para se orgulhar. Mas não fiquem comparando suas listas de livros lidos como meninos comparariam o tamanho dos “piu-pius”, muito menos tentem cobrar de si mesmos um determinado ritmo de leitura. Leia. Curta. É isso que importa. Porque você sabe, a partir do momento que a coisa deixa de ser um prazer, ela perde toda a graça. Mais do que isso, não se esqueça que a leitura é, antes de tudo, uma experiência pessoal, então não importa se você lê rápido ou devagar se você está gostando e aproveitando a experiência.

Editado: Já que o Tuca cobrou, vamos lá para o bom e velho balanço do mês.

Livros lidos: Breves entrevistas com homens hediondos (David Foster Wallace), Como Shakespeare se tornou Shakespeare (Stephen Greenblatt), O livro dos esnobes (William Makepeace Thackeray), Do que eu falo quando eu falo de corrida (Haruki Murakami), O Menino do Pijama Listrado (John Boyne) e Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children (Ransom Riggs).

Leituras em andamento: Revista Arte & Letra: Estórias O (Vários) e A Visit from the Goon Squad (Jennifer Egan).

Livros que chegaram: O Menino do Pijama Listrado (John Boyne), Revista Arte & Letra: Estórias O (Vários) e Estrada Escura (Dennis Lehane).

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44 thoughts on “Shakespeare escrevia por dinheiro: Ritmo de leitura

  1. Esse negócio de ler mais rápido e absorver menos não funciona pra mim. É bem como tu disse, vai de livro pra livro, uns lemos com mais velocidade, outros se arrastam, e embora não seja com todos, esses últimos são os que menos absorvo, os que mais ficam difusos na memória. Mas tenho dessas também de ler devagar para “saborear” melhor o livro, pra perceber mais detalhes, mas quando a leitura vai nesse ritmo lento naturalmente, é porque o livro não está agradando tanto e essa impressão de lerdeza vem do meu tédio.

    Adorei o texto, Anica, não tem como alguém dizer que quem lê mais em quantidade absorve menos de conteúdo. Isso não tem lógica alguma.

  2. que texto incrível
    concordo cada pessoa tem seu ritmo de leitura e varia o quanto flui com cada livro eu ja demorei semanas pra ler algu com 100 páginas e li coisa de 400 em questão de dois dias

      1. a di nada como eu sempre falo não elogio por bondade elogio a pessoa por ela ter feito por mereçer e seu texto fez isso

  3. Adorei o texto. É interessante que comigo nem sempre o número de páginas determina meu ritmo de leitura. Tem livro “fino” que demoro eras para ler e absorver, e livros de 600 páginas que vão tão rápido que meus colegas de trabalho me taxam de alienígena. Mas eu ainda invejo listas e a capacidade de leitura do Luciano e do Lucas (só para citar exemplos)

  4. De fato, de fato. E tendo a achar que este teu texto no contexto da discussão sobre ensinar o gosto da leitura. Também se usa aí uma aproximação genérica, quando na verdade é algo muito mais complexo e pessoal, até intimista, de memória afetiva, ou se sabe lá que motivo: ficando no teu exemplo do Crime e Castigo, uma das coisas mais curiosas nos últimos meses foi o boato (não chamo de notícia porque não confirmei) de que o livro estava tendo grande procura nas livrarias simplesmente porque a personagem de Glória Pires na novela lia o bichinho na cadeia. Será incutir a leitura nos jovens não é apenas uma questão de marketing?

    1. Talvez, basta ver o fenomeno do livro que a guria lia no BBB – Eu sei que era auto-ajuda da pior categoria, mas fez um sucesso absurdo.

    2. Davi, eu acho que mais do que botar o livro na mão de personagem de novela, a coisa toda se baseia principalmente em dois pontos: 1. tirar aquela aura de “coisa que só gente inteligentíssima faz” que algumas pessoas dão à leitura (vide o caso da conversa que comento nesse post, do sujeito falando que deveríamos ler menos e ler joyce) e 2. divulgação.

      No caso do primeiro, é aquela velha história: muito jovem tem seu primeiro contato com a leitura de forma obrigatória nas escolas. Aprende então, desde o começo, que leitura é obrigação, não prazer. Falta, nesse caso, mostrar que tem por aí livro divertido, que passar algumas horas lendo pode ser algo bom, e não uma tortura. O que nos leva para o ponto 2, da divulgação.

      Supondo que o jovem decida dar uma chance para a leitura, ele tem dois caminhos: por tentativa e erro (um tanto arriscado, mas a pessoa desde o começo aprender a ir atrás do que gosta) ou por sugestões. Quando uma pessoa que esse jovem admira fala de um livro ‘x’, é óbvio que atrairá a atenção do jovem para aquele título. *Nós* fazemos isso, quando buscamos autores citados por nossos autores favoritos, não?

      Então como disse antes, não acho que seja uma questão de marketing no sentido de buscar vender um produto, mas de divulgá-lo. A literatura precisa dessa divulgação. Até porque nada vende mais livro do que a propaganda boca a boca.

      1. Concordo plenamente, além da leitura nos ser apresentada na forma de obrigação, ela vem em listas, geralmente de livros chatos e não recomendados para a idade do leitor! O que acaba gerando o vicio da não-leitura.

  5. A coluna está sensacional como sempre, e obrigado pela parte que me toca, hehe.

    Janeiro é um mês especial, porque é nele que tudo rende mais, parece que, a despeito de ser um mês como qualquer outro, estamos mais descansados. É fato que esse é o mês que a maioria está de férias, então é óbvio que sobra mais tempo para ler, mas ainda assim tem algo de peculiar em janeiro.

    Enfim, o pior é que nessa pira de ler, ler, ler acabei procrastinando na escrita das resenhas, de modo que tenho que sentar para escrever os textos antes que a minha memória comece a pregar peças em mim.

    O tal do ritmo de leitura é um troço bem complicado, não adianta ‘bater página’ se não está absorvendo aquilo, e digo absorvendo no sentido de compreendendo, não de aceitação passiva de tudo o que está escrito. Por motivos vários, temos que ler textos que não gostamos (universidade, trabalho, obsessão particular etc.) mas mesmo esses acho que temos de respeitar nossa própria capacidade de leitura, pois caso contrário só estaremos alongando a tarefa, uma vez que lendo ‘nas coxas’ estaremos criando a necessidade de ler novamente (ou pagar de bobo, dependendo do caso, né? hehe)

    Uma coisa eu não faço porque é traumática: aquelas contas de que, se hoje li 200 páginas e o livro tem 600, então daqui a dois dias eu termino. Isso é tenebroso, quebra toda a minha performance, hehe. Não é uma ciência, é um hábito, e hábitos, bem como manias e costumes, cada um tem o seu.

    1. Eu tive que usar essa contagem de páginas por dia pra ler Shantaram xD
      Mas só porque era um livro enorme e eu tinha um ~prazo~ pra terminar ele. A minha sorte foi que era muito fácil atingir a meta diária e ultrapassar ela sem problema algum.
      Mas só faço isso nesses casos mesmo, de resto também não conto páginas não.

      1. Esse troço de planejar demais é só para esquentar a cabeça, tira o prazer da leitura e torna ela uma cobrança.

    2. Também não gosto de fazer essas contas. É impressionante como minha leitura SEMPRE empaca quando começo com essa de “se ler x páginas hoje termino no dia x” +_+

      1. Né? Começa a contagem, empaca a leitura. Outro troço que me empaca é ensaiar demais para ler um livro, você fica secando ele na estante toda vez e não lê, aí parece que quando vai ler, acaba se frustrando.

        Mais um: odeio quando demoro demais para ler um livro. Se tem mais de 500 páginas vá lá, mas se é menos que isso tem que ser pouco tempo. Normalmente quando eu demoro um pouco a mais para ler um livro, invariavelmente vai demorar um tempão para eu realmente terminá-lo. Demorar para ler um livro é o motivo nº 1 pelo qual eu leio mais do que um livro de cada vez.

      2. Eu não consigo ler muitos livros ao mesmo tempo /o o que tenho feito é manter a leitura de um impresso e outro no kindle, mas é o máximo que consigo, mais do que isso fica uma sensação de que sei lá, to traindo o livro com outro livro ou qualquer maluquice do tipo.

      3. Oi Anica,

        Comigo já é diferente, não consigo ler um livro só de jeito nenhum…
        Tenho que me controlar para não ultrapassar a quantia de 4 ao mesmo tempo…
        Se me dedicar a um só não flui !
        Já o meu marido não se conforma com esse meu jeito de ler 😉

      4. Eu adoro fazer contagem de página! Gosto de bate metas de leitura até porque me “forço” a sempre ler um pouco mais do que eu queria e assim aumento meu tempo de leitura diária e isso me faz um bem danado! Fico super feliz comigo mesma hahahaha. É uma questão de pessoa pra pessoa, não tem jeito!
        Eu gosto de começar um livro e saber mais ou menos quando terminar. Odeio quando me pego numa lerdeza e fico 3, 4, 5 meses no mesmo livro. EXISTE MUITO LIVRO NO MUNDO! Não dá pra ler tão devagar hahaha.
        E, quanto mais eu apresso um livro (ou seja, dedico mais horas diárias a ele – e termino mais rapidinho), mais eu sinto que absorvo. Que vivo o livro.
        É… sei lá, é pessoal!

      5. Raquel, me dá a mesma agonia quando empaco em um livro – isso de pensar que ainda tem muita coisa para ler. Mas também não gosto da sensação de pendência. Estou com o 2666 para terminar desde 2010, e toda vez que bato os olhos nele penso “aiaiai, vou terminar o que estou lendo e aí termino esse”. Mas aí sempre aparece outra coisa na frente /o

      6. O fundo do armário é um bom lugar para os livros pendentes, evita que fiquem nos encarando e nos ameaçando com olhares diabólicos pelo simples fato de que largamos eles por motivos que não sabemos explicar. Ok, ok. Odeio largar livros, por isso escondo-os. =P

  6. que tal escrever sobre o que sobra de uma leitura, Anica? fico encanado com o fato de não me lembrar de absolutamente nada de certos livros que li há, sei lá, dois meses – será que isso acontece com todo mundo?

    enfim, só algo que me ocorreu – fica a dica de pauta.
    até.

    1. Isso acontecia sempre comigo. Terminava e logo já esquecia de tudo o que tinha lido (incluindo título do bendito e autor). Daí eu comecei a fazer resenhas e ajudou mais a lembrar e “digerir” o livro. =)

    2. Ótima ideia, J.! Por coincidência, dia desses estava pensando nisso, até porque é uma coisa meio aleatória: tem livros que li aos 13 anos de idade e lembro de frases inteiras dele, cada detalhezinho. Outros em compensação eu já não tenho muita lembrança. E tem outra peça que a memória nos prega também: alguns livros que eu adorei em determinado momento acabam não “envelhecendo” muito bem na minha cabeça. Esse assunto dá pano para manga mesmo, vou seguir sua sugestão =]

  7. Ritmo é algo de fato bem particular, e é incrível que como com a prática o ritmo de leitura aumenta consideravelmente – eu mesmo sou prova disso.

    E o ritmo tem total ligação com o autor e o livro, tanto que recentemente li um livro de 200 páginas em 3 horas – resultado da prática com a leitura deliciosa.

    Quanto a esses leitores vorazes eu tenho uma teoria. Luciano contrata chineses, Lucas é um Cyborg e a Izze engana-nos dizendo que contratou gogo boys, mas na verdade foi para outros fins. =P

    1. Eu acredito bastante nessa questão da prática. No meu caso, acho que o fator decisivo para meu ritmo de leitura foi a faculdade. Professor pedia Grande Sertão: Veredas para ser lido numa quinzena, e não tinha conversa. E junto com esse tinha as leituras das outras disciplinas, então todo mundo tinha que se virar nos 30 para dar conta.

  8. Desculpe, mas 15 livros em janeiro ? Ou existe um tempo enorme disponível para leitura ou sinceramente temos que relativizar sim que ritmo é esse ou quais livros foram lidos. Acredito que a “densidade” do autor altera o ritmo sim por mais veloz que seja o leitor. Não me convence mesmo o argumento segundo o qual ler Guerra e Paz em três dias tenha o mesmo sabor que uma leitura mais detida.

    1. Eu sei que você foi hiperbólico no exemplo de ler Guerra e Paz em três dias, mas colocando a coisa entre “uma leitura rápida de um clássico” e, como você chama, “uma leitura mais detida”, eu sinceramente acho que se o leitor por hábito lê rápido, a tal da leitura detida seria uma imposição artificial ao seu ritmo de leitura, que poderia tornar uma experiência boa em algo enfadonho.

      O sabor da leitura depende da relação única do leitor com o livro. Eu e meu Guerra e Paz não somos os mesmos que você e seu Guerra e Paz. E justamente por isso que eu não posso dizer qual é o ritmo que você ou outra pessoa devem ler o livro – cada um sabe exatamente como tirar o melhor da leitura que faz.

      Sobre os 15 livros em janeiro o próprio Lucas (o leitor dos 15 livros) comentou acima.

    2. Muita gente prega e pratica o slow reading. Li um livro de uma professora de criação literária americana (eles tem cursos disso na faculdade) que diz que, para se entender um livro na totalidade, você tem que fazer uma leitura lenta e próxima (closer reading). Que não adianta ficar com esse afobo de ler tudo o que vê pela frente rapidinho, que o importante é ler devagar, aprendendo com cada palavra (já que, num livro, nenhuma palavra é escrita sem antes se contestada, repensada).
      É um método de leitura, penso eu. Eu não quero demorar 6 anos pra ler Guerra e Paz (continuando nas hipérboles), mas também não quero passar pelo livro como um tufão, deixando de saborear e aprender com cada linha.
      Enfim, são FORMAS DIFERENTES de PESSOAS DIFERENTES e LEITURAS DIFERENTES.
      Não acho que exista um CERTO.
      Isso dá pano pra manga, hein, Anica!

      1. Raquel, eu acho que vc resume muito bem a coisa toda com:

        “Enfim, são FORMAS DIFERENTES de PESSOAS DIFERENTES e LEITURAS DIFERENTES.
        Não acho que exista um CERTO.”

        ***

        Sobre o close reading, acho que é algo que tem muito mais a ver com a crítica literária (e assim a “leitura acadêmica”) do que com a leitura como entretenimento que eu comento aqui. Mas sinceramente, essa coisa de “entender livro na totalidade” quando dita de um modo geral me parece uma bobagem e é o tipo de coisa que mete medo em quem não tem o hábito de ler, que afasta novos leitores.

        Do tipo “literatura é código, difícil de se quebrar”. Não é por aí. Tem livro que é só um bom enredo, escrito de boa forma – vide o caso da Jane Austen, considerando os clássicos. Você não precisa se fechar no seu quarto e ficar destrinchando um Pride and Prejudice. Se fizer isso, provavelmente perderá as piadas e sairá do seu quarto achando o livro uma porcaria.

        O que quero dizer sobre isso é: há diferentes modos de leituras para diferentes necessidades. É exatamente aquilo que você comentou e eu citei no começo desse comentário. Pessoas diferentes tem necessidades diferentes e leem livros diferentes. Como consequência, o ritmo é diferente também.

        ****

        (Quando me falam que tem que ficar refletindo durante a leitura eu fico pensando aqui no sujeito lendo PALAVRA. POR. PALAVRA. E. REFLETINDO. UAU. O. PROTAGONISTA. DISSE. OI. O. QUE. SERÁ. QUE. O. OI. SIGNIFICA. NA. SOCIEDADE. DE. HOJE. SERÁ. QUE. O. OI. É. SINCERO. SERÁ. QUE. ESSE. OI. QUER. DIZER. TCHAU.

        aff.)

  9. Excelente texto e excelente assunto. As pessoas ficam tendo a pretensão de achar que são melhores porque leem clássicos. Mas mesmo quem só lê outros tipos de obras não precisa ser discrminado. O que importa é que está lendo, e está se informando e evoluindo de alguma forma.
    Adorei esses dois temas do blog, que combatem preconceitos que nós, leitores regulares, corremos o risco de ter: o de discriminar não leitores e de quem não costuma ler clássicos. Parabéns! Essas discussões podem servir para abrirmos a cabeça para além de nosso mundo.

  10. Anica, ficou faltando a lista tradicional de livros comprados, lidos e em andamento! Fez falta =)

    Acho que começarei a fazer os posts mensais, como planejava desde o começo, e a lista vai no final, como as tuas (se a gente coloca no começo, faz o povo perder o pique; fora que eu não sei como deixar bonitinho em duas colunas, como na Believer). Acho que vou fazer uma série de estatísticas também, coisa de quem TOC.

      1. Yey! Amo a listinha.

        Tô pensando em chamar a coluna mensal também com um dos títulos do Hornby. Acho que vou de Frenesi Polissilábico mesmo. =P Não saberia como traduzir o outro título de um jeito legal: Housekeeping vs. The Dirt

  11. Excelente texto! Essa reclamação do seu interlocutor parece um pouco infantil. Coisa de quem quer ser o maior desmerecendo os outros. “Ele tem a lista maior que a minha, mas é porque ele só lê livros bobos”.

    Ritmo de leitura depende de fatores e subfatores…
    Depende do livro, sim, mas também do estado do livro, do projeto gráfico (eu invariavelmente demoro mais para conseguir ler livros muito antigos, se desfazendo… é um excesso de cuidado que acaba tornando a leitura lenta, só não me peça para explicar a relação disso! haha; já a edição legal torna sempre a leitura mais fácil e mais rápida. Se a letra for muito pequena ou se as palavras escorregam para o miolo do livro, fica mais difícil…);

    Depende de quem lê, sim, mas por inteiro. Depende da sua preferência, mas temperada pela preferência do momento. Depende do seu tempo, mas também da sua vontade. Depende se deu aquela dor de cabeça ou se acordou inexplicavelmente feliz…

    Enfim, pra que comparar? Que coisa mais boba… Fulano, para com isso e vai ler um livro – Ulysses, Sabrina, tanto faz. Desde que você curta suficientemente a sua leitura pra não precisar importunar a leitura alheia, né? É bom falar de livros, mas sempre com todo o respeito.

  12. “Mas não fiquem comparando suas listas de livros lidos como meninos comparariam o tamanho dos “piu-pius”” hehehehe ri muito
    parabéns Anica 😀

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