Ilusões Perdidas (Honoré de Balzac)

A primeira coisa que ouvi falar sobre Balzac foi sobre a quantidade absurda de xícaras de café preto que ele consumia diariamente, até como parte de seu processo criativo. Obviamente passei a admirá-lo quase que de forma automática. Anos depois fiquei sabendo sobre A comédia humana, nome que Balzac dava para um conjunto de sua obra composto por nada mais nada menos do que 95 obras concluídas e outras tantas a concluir. É o tipo de informação que faz com que a primeira vez que tenha a oportunidade de ler um livro do autor, o faça já com uma certa reverência, sabendo que o que tem em mãos é certamente algo acima da média.

Calcule então como é começar por Ilusões Perdidas, dito como um dos livros mais importantes d’A comédia humana, um catatau de 792 páginas. Esse foi meu primeiro Balzac, e sinto que comecei pelo caminho certo, até pela velocidade com que devorei o livro e o gosto de quero mais que ficou quando cheguei ao fim. Ilusões Perdidas é daquelas obras que encantam até pelo capricho com que o autor se lança sobre sua proposta, de fazer um retrato da vida francesa num período posterior à Revolução Francesa.

Já no primeiro capítulo da primeira parte dá para ter uma ideia de como Balzac é minucioso no desenvolvimento do enredo e do espaço. A história é sobre o poeta Lucien, mas o veremos de fato mais adiante – antes disso o narrador faz todo um trabalho de apresentação da Angoulême onde começa a narrativa, e de figuras que de certa forma tiveram contato (direta ou indiretamente) com Lucien. É o tipo de cuidado que mostra o que se verá depois nas outras duas partes da história (a segunda se situa em Paris, a terceira marca o retorno de Lucien à província): Balzac não tem pressa, ele vai envolvendo o leitor aos poucos, em um ritmo típico de grandes contadores de histórias.

O resultado disso é que somos transportados para a França daquele período. O poder das descrições criadas por Balzac é tão grande que nesse momento enquanto lembro de Ilusões Perdidas, ao fechar os olhos tenho imagens de momentos da história como se tivesse assistido a um filme, e não lido um livro. E isso é importante se for pensar que parte da proposta de Balzac ao escrever os livros d’A comédia humana era justamente servir para retratar um determinado período.

E não é só pelas descrições do espaço, mas dos mecanismos da sociedade francesa da época também, seja na província, seja em Paris. A situação de pessoas comuns como Lucien perante figuras aristocráticas, os jogos de interesse que rondavam os salões – está tudo ali, e não de forma rasa ou caricata, o autor realmente parece esculpir a história com todo o cuidado, tornando-a não só verossímil, mas também deliciosa.

Foi uma ótima primeira experiência, e tenho certeza que muito embora não tenha a pretensão de ser isto, o romance tem tudo para agradar aos fãs de romances históricos. Para quem se interessar, a recém-lançada edição da Penguin-Companhia das Letras traz um bom prefácio para o texto, e notas de rodapé que enriquecem ainda mais a leitura.

Ilusões Perdidas
Honoré de Balzac
Tradução: Rosa Freire d’Aguiar
792 Páginas
Preço sugerido: R$38,00

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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