On the Road – O Manuscrito Original (Jack Kerouac)

Em um ponto a Literatura tem muito de História: a busca por momentos (ou neste caso, obras) que surgem como divisores de águas. Assim como a História tem a Queda da Bastilha, a Literatura tem, por exemplo, A Ilíada de Homero. E quando se fala de obras modernas, e principalmente da cultura norte-americana, não é erro algum colocar On the Road de Jack Kerouac entre um desses livros fundamentais para a compreensão de todo um momento (e movimento!) literário.

A lenda por trás do título conta que Kerouac escreveu o livro em apenas três dias, datilografando como um louco um rolo de papel, contando uma história recheada de viagens pelos Estados Unidos. Essa tinha uma natureza extremamente biográfica – o que fica óbvio durante a leitura do manuscrito original, cuja tradução foi lançada recentemente pela L&PM no Brasil. Se no livro que você leu as personagens principais eram Sal Paradise e Dean Moriarty, no manuscrito original vemos Kerouac e Neal Cassady, além de outras figuras como Allen Ginsberg e William S. Burroughs, por exemplo.

É evidente que somente um fã ou um estudioso da obra poderiam citar aqui todas as diferenças do manuscrito original para a outra edição de On the Road, mas é interessante como a leitura dessa versão soa como nova, única – uma outra experiência diferente da anterior. O fôlego do texto parece ainda mais forte, como se Kerouac estivesse correndo e contando uma história, e nós o seguíssemos nessa corrida querendo saber mais. Quase que imitando a fluidez do pensamento humano, o narrador intercala várias anedotas ao longo de seu caminho pelo país.

Independente das diferenças entre uma versão ou outra, a verdade é que durante a leitura de On the Road fica cada vez mais clara a importância do livro para aquele momento na vida dos norte-americanos. Essa é tamanha que mesmo nos dias de hoje ecos da obra ainda podem ser encontrados, seja na música, cinema ou qualquer outra mídia. Não é exagero falar que autores como Hunter S. Thompson, por exemplo, jamais teriam escrito um Medo e Delírio em Las Vegas se antes não tivesse existido On the Road.

O que encanta tanto no livro Kerouac entrega logo de cara, já no começo, quando o narrador diz: “(…) porque as únicas pessoas que me interessam são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam ou falam chavões… mas queimam, queimam como fogos de artifício pela noite“. É possível não se deixar levar por um discurso tão apaixonado como esse? O leitor é conquistado nas primeiras linhas, e conduzido em muito por essa paixão até o fim.

Cabe dizer que a edição da L&PM conta com uma série de textos introdutórios extremamente interessantes, incluindo comentários de Howard Cunnell, responsável pela publicação do manuscrito original (que inclusive explica algumas mudanças que fez no texto). E para quem ainda não conhece e precisa de um incentivo a mais, nunca é demais lembrar que ano que vem chega a adaptação de Walter Salles para o cinema, com um elenco fantástico que inclui Viggo Mortensen como Old Bull Lee. Ops, William S. Burroughs.

On the Road – O Manuscrito Original
Jack Kerouac
Tradução: Eduardo Bueno e Lúcia Brito
360 páginas
Preço sugerido: R$59,00

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da L&PM Editores

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3 thoughts on “On the Road – O Manuscrito Original (Jack Kerouac)

  1. Rapaz, por coincidência de links, estou comentando no 3º ou 4º texto seu seguido. Não pense que estou de tocaia, não, peloamordedjah!

    É porque On The Road, putz… Devo estar na oitava ou nona leitura. É apaixonante demais mesmo. E estes textos introdutórios são os que têm na versão original, muito bons mesmo.

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