O vendedor de armas (Hugh Laurie)

Thomas Lang (protagonista e narrador do primeiro romance do britânico Hugh Laurie) entrega logo de cara o que O vendedor de armas tem a oferecer: um punhado de ação, recheado de comentários ácidos sobre as pessoas e sobre si mesmo. Contratado para assassinar um homem, ele recusa a proposta e segue avisar essa pessoa que sua cabeça está a prêmio: é aí que começa a se envolver em um caso que tem até a CIA e o Ministério da Defesa britânico, para se ter uma ideia. O livro parece prometer muito, mas logo nos primeiros capítulos já começa a decepcionar.

O maior problema talvez seja abuso do uso do recurso de reviravolta. São tantas aos longos das páginas que chega uma hora que você até se perde – não consegue confiar em nada nem ninguém e meio que continua lendo só para saber no que vai dar. Até porque o excesso de reviravolta acaba já preparando o leitor, que lá pela metade do livro já sabe que “lá vem mais uma” – mas ao contrário dos bons livros que dão vontade de continuar lendo, até pela curiosidade, as ditas “reviravoltas” são tão simplórias que não atraem.

Além disso, um número sem fim de descrições de chutes e pontapés que não fazem meu gosto nem mesmo no cinema, que dirá em literatura. Acredito ser possível desenvolver ação sem que necessariamente o autor precise descrever cada soco desferido e a reação ao golpe. Nesse caso, o que era para ser um momento de tensão acaba virando só um momento de tédio, daqueles que dá vontade de pular logo o parágrafo para seguir em frente.

O enredo em si também é um tanto tolo, para não dizer ingênuo. Falta nele alguma massa, algo que dê mais força para as personagens e o que elas fazem ao longo da narrativa. Encantar-se pela filha de Woolf, por exemplo, me pareceu um clichê tão absurdo que pensei até que era uma tentativa de Laurie de fazer humor com aquilo. Somando a isso o que já comentei sobre as reviravoltas, enquanto lia o livro pensei muito em um trecho de Frenesi Polissilábico de Nick Hornby, onde ele diz:

“…I just sort of lost my grip on the book. Also, someone gets shot dead at the end, and I wasn’t altogether sure why. That’s a sure sign that you haven’t been paying the right kind of attention. It should always be clear why someone gets shot. If I ever shoot you, I promise you there will be a really good explanation, one you will grasp immediately, should you live.”

Enfim, vira uma bagunça só. Para não dizer que é uma perda de tempo total, é fato que o humor da personagem-narrador é realmente muito bom, e as passagens em que ele se sobressaía acabavam dando um pouco de força para continuar a leitura, que pensei em abandonar diversas vezes. No final das contas ainda acho que gosto de Hugh Laurie muito mais como ator. O autor precisa melhorar um tanto ainda.

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