O livro do cemitério (Neil Gaiman)

Considerando alguns trabalhos de Neil Gaiman voltados ao público infantojuvenil, temos casos como a coletânea de contos M is for Magic que pode agradar tanto crianças quanto adultos (ao contrário de Coraline, por exemplo). O mesmo acontece com O livro do cemitério, uma das obras mais recentes do autor (lançada em setembro de 2008). Muito embora o próprio Gaiman se refira à história como “livro para criança”, o tom sombrio da história acaba de certa forma equilibrando as coisas, tornando O livro do cemitério agradável também para os mais “crescidinhos”.

Um dos capítulos d’O livro do cemitério (The Witch’s Headstone) foi publicado na coletânea M is for Magic em 2006, quando Gaiman ainda estava escrevendo o livro. Na hora não chamou minha atenção, na verdade um dos meus favoritos foi October in the Chair, que segundo Gaiman foi escrito como um exercício para o este romance. Mas agora lendo desde o princípio a história de Nobody Owens, um menino que foi adotado por fantasmas e criado em um cemitério, a história ficou muito mais interessante.
A narrativa toda é montada com pequenos momentos da vida de Nobody, como por exemplo quando ele faz amizade com uma pessoa viva, ou quando dança com a Morte. Aventura e fantasia puros, é impossível não se divertir. A influência de O livro da selva de Rudyard Kipling é bastante óbvia, com a criança crescendo em um meio nada convencional que o acabará moldando como uma pessoa também fora do normal. Nobody fala com fantasmas e outros seres de modo corriqueiro, coisa que nenhuma criança comum faria.

O senso de humor de Gaiman está presente como sempre, mesclado ao tom mais sombrio que a história acaba pedindo. Aqui é inclusive interessante perceber como ele consegue trazer assuntos complicados tais como a morte em si para o universo infantil, sem complicar o tema. A diversão é a palavra-chave.

Das personagens a que eu mais gostei foi do “padrinho” de Nobody, o Silas. Ele é muito legal, desde o primeiro momento que aparece até a conclusão, suas falas e ações são sempre bacanas. E o que a torna ainda mais interessante é que Gaiman não entrega o jogo sobre quem Silas é, pelo menos não de forma tão óbvia (apesar de alguns leitores terem comentado comigo que perceberam logo de cara a natureza da personagem).

O que faz O livro do cemitério uma história tão divertida mesmo para adultos é porque através da fantasia, Gaiman narra uma situação que todos nós conhecemos bem: crescer e viver. Deixar de ser criança e começar a se aventurar em um mundo desconhecido. A conclusão é delicada e muito bonita, e somada à diversão dos demais capítulos, fez desse um dos meus favoritos entre os títulos infantojuvenis de Neil Gaiman.

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