Traduções por vir: Literatura de Língua Inglesa

Observando os títulos lançados mensalmente no Brasil, fica evidente que grande parte das traduções vem de originais escritos em inglês. São incontáveis autores anglófonos, considerados campeões de venda lá fora e que chegam aqui com o que seria provavelmente um “selo de pré-aprovação”, como se o sucesso de lá já fosse quase garantido aqui. E mesmo que vários escritores de língua inglesa já tenham tradução aqui no Brasil, ainda assim falta muita coisa por aqui, seja por ser um livro relativamente novo que ainda está em processo de tradução, seja porque é um que encontra dificuldades para ser lançado no mercado editorial brasileiro.

É óbvio que esta lista não inclui todos as obras ainda aguardando tradução, mas procurei pensar em títulos em variadas áreas literárias para que se tenha uma ideia do quanto ainda tem para se traduzir aqui no Brasil. De literatura infanto-juvenil, passando pelos nerds, o teatro e nomes consagrados, o que temos é o seguinte: Generation Dead (Daniel Waters): Quando começou a febre dos livros adolescentes envolvendo algum elemento sobrenatural (especialmente vampiros), muita coisa pipocou nas estantes brasileiras, mas até agora Daniel Waters infelizmente não deu as caras por aqui. Generation Dead é história de zumbis para adolescentes, porém tem tudo para agradar muitos adultos também, considerando as intermináveis metáforas que as narrativas com zumbis podem oferecer. Considerando a opção por títulos que são fracos até para os adolescentes, fica a dúvida de por que um tão legal como esse ainda não chegou aqui no Brasil.

The History of Middle-earth (J.R.R. Tolkien): Esse é simplesmente o sonho de consumo de qualquer fã de Tolkien. São doze volumes editados pelo filho de Tolkien, Christopher, cheio de material novo para quem quer mais da Terra-média. É evidente que trata-se de um título voltado para um nicho específico, aqueles mais apaixonados pelas obras do escritor inglês. Mas é também certo que a primeira editora que anunciasse a tradução dos 12 volumes aqui no Brasil ganharia um lugar especial no coração de nerds de todas as idades.

Our Mutual Friend (Charles Dickens): Essa é a maior prova de que não basta ser clássico para conquistar um lugar nas prateleiras tupiniquins. Apesar de aparecer constantemente em listas de favoritos e leituras obrigatórias lá fora, Our Mutual Friend de Charles Dickens ainda segue sem tradução aqui no Brasil. Conversando com o Gabriel aqui do Meia Palavra (que é tradutor e conhece bem a obra de Dickens), foi levantada a teoria de que a falta da tradução pode ser por conta do tamanho do livro, que em algumas edições lá fora ultrapassa as 900 páginas. Pode ser custoso e não ter o retorno esperado, o que é uma pena – desse jeito, ele continuará sem tradução por algum tempo.

Rosencrantz and Guildenstern are Dead (Tom Stoppard): Trata-se de uma peça de teatro, e talvez por isso não tenha ainda um lugar no sol brasileiro, já que o público é mais restrito. De qualquer forma, é um trabalho genial de Stoppard, infinitamente superior ao Shakespeare Apaixonado que ganhou tradução. É um daqueles casos em que a leitura do texto é tão rica quanto assistir a encenação. Para os curiosos pelo menos fica o consolo de que existe uma versão para o cinema com Tim Roth e Gary Oldman.

Há ainda uma série de escritores contemporâneos que também estão na lista de espera com alguns de seus títulos, como Good to be God (2008) de Tibor Fischer, ou ainda Foe (1986) do vencedor do Nobel J.M. Coetzee e Nemesis (2010) do norte-americano Philip Roth. Como dá para perceber que tem muita coisa por vir ainda. Tanta, que o Lucas já prometeu uma segunda parte desse Traduções por Vir: Literatura de Língua Inglesa, então fiquem atentos que logo falaremos de mais títulos anglófonos ainda sem versão para o português.

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6 thoughts on “Traduções por vir: Literatura de Língua Inglesa

  1. Interessante como os livros de Dickens têm muitas páginas mas a leitura flui com agilidade; já a História da Terra Média só para quem for estudioso da obra, isso não é coisa para um “nerd comum”, tem que ser muito fã mesmo (os tais “hardcore”) ou como disse um estudioso do assunto.

    1. concordo, o-fausto. eu, admin de forum sobre tolkien confesso que até hj não tive lá muito interesse de ir ler os livros que tenho aqui em casa, hehe

    1. Não facilita muito a briga entre os tradutores da Trilogia e a Editora Martins Fontes. Traduzir uma obra dessas é algo que exige muita dedicação, pois os fãs são verdadeiros “xiitas”, rs.

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