Shakespeare escrevia por dinheiro: O museu literário

Este mês que passou conheci mais dois sujeitos bacanas, Orhan Pamuk e valter hugo mãe. Os dois não estavam na minha lista de resoluções literárias de 2011 (falta eu conhecer o Sr. Llosa e o Sr. Cortázar), mas vá lá, é sempre bom se surpreender. No caso de Pamuk, com O Museu da Inocência, eu logo me identifiquei com o protagonista com essa mania bizarra de ir guardando coisas. Quer dizer, há já algum tempo que não guardo mais coisas (a última foi um guardanapo de bar de comemoração de aniversário de namoro), mas enquanto lia me dei conta de que faço algo meio parecido com meus livros.

Bato os olhos em alguns deles e sou imediatamente transportada para o tempo em que o li pela primeira vez, ou quando o comprei, ou de coisas relacionadas com ele. “Ahhh, Lugar Nenhum foi aquele que emprestei para minha aluna em troca de O Apanhador no Campo de Centeio!”, ou ainda “O Mundo de Sofia ganhei de aniversário de 15 anos e lembro que queria que as visitas fossem logo embora para eu começar a ler”. E tem o Orgulho e Preconceito que acabei de reler lembrando “Poutz, Língua Inglesa Escrita III com a professora Eva! “. Enfim, minha estante vira assim um tipo de museu.

Mas o legal mesmo desse meu pequeno museu literário são os livros que tem dedicatórias. Eu diria que são o equivalente de uma Mona Lisa da minha pequena coleção. Dou muita importância, porque são o registro escrito de uma época que já passou. Algumas pessoas que dedicaram livros para mim já não fazem mais parte da minha vida, seja por terem falecido, seja por simplesmente terem tomado aquele chá de sumiço que vem com a passagem dos anos. Mas os livros estão lá, assim como as dedicatórias.

E eu dou tanto valor para elas que normalmente o que faço assim que ganho o livro é pedir que a pessoa deixe a dedicatória. E já cheguei a escanear algumas delas (que ficaram lá no meu finado hd, que deus o tenha). De qualquer modo, é muito gostoso pegar ao acaso um livro e bater os olhos em algumas palavras que você já até tinha esquecido que estavam por ali. Por exemplo, da minha edição de Entrevista com Vampiro, que ganhei com 14 anos do meu avô (já falecido):

Ou ainda, de um Collected Oscar Wilde, com dedicatória da Day, prima que foi morar nos Estados Unidos:

Tem também o Contos Irlandeses do Século XX, com dedicatória da Luci Collin (aliás, já leram o 10 Perguntas e Meia com a Luci?)

E o xodó do começo de namoro, com O Curso de Quenya (sim, eu sou nerd):

Em todos eles uma viagem no tempo, um pedacinho de uma época que foi, de algo que fui. Acreditem, assim como certas canções conseguem te levar para outros momentos da sua vida, o mesmo acontece com a literatura. Só de mexer nesses livros para pegar as imagens para a coluna já foram várias memórias que voltaram, e fiquei morrendo de vontade de me perder por horas ali no meu museuzinho literário. E acho que é por isso que compreendi tanto o protagonista de O Museu da Inocência.

Então é por isso que fica aí a dica: se vai dar livros, dê com dedicatória.

Livros lidos: Rum: Diário de um Jornalista Bêbado (Hunter S. Thompson), Arte e Letra: Estórias M (Vários), O Guia Oficial de House (Ian Jackman), O Museu da Inocência (Orhan Pamuk), Por que ler os clássicos? (Italo Calvino), Isto é Roma (Miroslav Sasek), Isto é Paris (Miroslav Sasek), Winkie (Clifford Chase), a máquina de fazer espanhós (valter hugo mãe), Orgulho e Preconceito (Jane Austen).

Leituras em andamento: Water for elephants (Sara Gruen) e Lágrimas na chuva (Sergio Faraco)

Livros que chegaram: Arte e Letra: Estórias M (Vários), O Guia Oficial de House (Ian Jackman), Isto é Roma (Miroslav Sasek), Isto é Paris (Miroslav Sasek), O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry), Winkie (Clifford Chase), a máquina de fazer espanhós (valter hugo mãe), Orgulho e Preconceito (Jane Austen), 47 Contos de Juan Carlos Onetti (Juan Carlos Onetti), Mozipedia: The Encyclopaedia of Morrissey and the Smiths (Simon Goddard), A Viagem (Virginia Woolf), Noite e Dia (Virginia Woolf), Entre os Atos (Virginia Woolf), O Quarto de Jacob (Virginia Woolf), Os Anos (Virginia Woolf) e As Ondas (Virginia Woolf).

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6 thoughts on “Shakespeare escrevia por dinheiro: O museu literário

  1. Adoreeeei *-*

    Também amo dedicatórias, sempre obrigo o Thui a fazer quando ele me dá algum livro. O mais legal é eu pegar um livro aleatório na estante e ver que ele tem alguma dedicatória (ou só um autógrafo mesmo hihihi). Sou esquecida, e se vejo de novo a surpresa acaba sendo igual aquela de quando ganhei o livro. Dedicatórias pros livros da Izze também!!!! xD

    1. Para mim é o mesmo, às vezes esqueço e gosto da surpresa de ver a dedicatória lá. Mas tb acontece um treco estranho: juro que o livro tem dedicatória, mas abro e necas. O_o

  2. *.*
    Agora, lendo o seu texto, acabei de perceber que são poucos os meus livros que têm dedicatória. Vou começar a exigir.

    Por outro lado, os livros que compro para os amigos nunca saem das minhas mãos sem que eu faça uma dedicatoriazinha. Nossa, se eu não fizer dedicatória, nem presenteio com livros. Ano passado, dois amigos me falaram que não conheciam Murilo Rubião. Comprei aquele livro que a Companhia das Letras lançou, para cada um deles, e mandei, como presente de natal. Tempos depois, enquanto conversava com um outro amigo, ele falou: “queria uma dedicatória como a que você colocou no livro do [insira o nome do amigo aqui]”. Esse amigo mora no Rio, e o [insira…], em São Paulo. Aí eu perguntei: “O [insira] levou o livro para o Rio?” Então, esse amigo respondeu: “tenho uma séria desconfiança, acho que o [insira…] anda com o livro dentro da cueca”.

    1. Justamente por gostar tanto das dedicatórias que tb SEMPRE deixo uma nos livros que dou. Da bibliotequinha do Arthur, todos que comprei pra ele tem dedicatória (tipo “Esse é seu primeiro Cosac Naify, comprei logo que fiquei sabendo que estava grávida” no Onde Vivem os Monstros hehe).

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