Shakespeare escrevia por dinheiro: Indicando livros

Ao contrário do que muitos pensam, ler pode ser também uma atividade coletiva. Não no sentido das velhas leituras em voz alta de poemas e folhetins, mas também na relação das pessoas com os livros. Se você lê algo e se apaixona por isso (ou pelo menos gosta muito) é simplesmente inevitável: você quer falar sobre esse livro com outras pessoas e, mais ainda, quer que outras pessoas leiam logo esse livro para que conversem sobre ele com você. Acredito que seja um dos motores de blogs como o Meia Palavra, por exemplo, essa vontade de contar sobre o que lemos e indicar o que achamos bom para outras pessoas.

Tenho uma amiga (a Sol) com quem há quase uns 10 anos troco esse tipo de figurinha. Nos apaixonamos juntas por Nick Hornby, Mark Twain com seu Estranho Misterioso e temos piadinhas fazendo referência à Esperando por Godot. A bola da vez é o Tibor Fischer, que um amigo dela apresentou para ela e ela apresentou para mim, em um processo de bola de neve literária que (espero!) um dia não terá como resposta um “Queeem?” ao mencionar o nome do autor.

Porque convenhamos, não tem nada mais chato do que quando você está empolgado com algum título novo e as pessoas ao seu redor simplesmente nunca ouviram falar nele. Fiquei meses agoniada querendo conversar com alguém sobre World War Z, e quando o livro finalmente chegou por aqui a minha empolgação já tinha passado (embora eu ainda recomende fortemente para qualquer um que goste de histórias de zumbi). Então você começa o ciclo de recomendações, espalhando a mensagem de que EI, VALE A PENA LER ESSE AQUI, esperando que em algum momento pelo menos um punhado de gente apareça para dar um retorno, nem que seja para reclamar com você sobre o tempo perdido.

Falo isso porque esse mês que passou me diverti muito com o Boa Ventura!, mas ainda não vi muita gente falando sobre ele (pelo menos não comigo, oras bolas). Gostaria que mais pessoas falassem o que sentiram ao ler, levantassem questões, enfim, discutissem. O mesmo sobre Sangue Quente do Isaac Marion (olha os zumbis de novo aí!), queria saber dos que não conheceram o conto do Marion se o livro tem um outro gosto, digamos assim. Enfim, fica a curiosidade e a espera que a bola de neve literária comece a rolar por aí.

Que é justamente o que aconteceu com o Só Garotos da Patti Smith, a tal da bola de neve finalmente chegou aqui em abril do mês passado. Liv, Izze, Pips, Tuca… tanta gente falando do livro, que eu precisava conferir. Por conta de um monte de leituras obrigatórias na fila essa se esticou por mais de um mês, mas valeu a pena: fiquei encantada com o estilo da Smith de contar sua própria história, e hoje eu indicaria para qualquer um que diz não gostar de biografias. Sim, ainda esta semana sai resenha minha sobre o livro, a quarta dele aqui no Meia Palavra.

E no final das contas é o tipo de coisa que responde porque nós blogueiros mantemos projetos como o Meia Palavra. Porque queremos que essa bola de neve literária role por aí. Que saibam que vale a pena resgatar Raymond Chandler e F. Scott Fitzgerald, por exemplo. Enfim, que a leitura continue sendo uma atividade coletiva, com o compartilhamento de experiências, questionamentos e indicações. Porque ninguém vende um livro tão bem quanto um leitor satisfeito.

Livros lidos: Para ler o livro ilustrado (Sophie Van der Linden), O longo adeus (Raymond Chandler), Boa Ventura! (Lucas Figueiredo), Gertrudes e Cláudio (John Updike), O Pacto dos Vampiros (Nazarethe Fonseca), 24 Contos de F. Scott Fitzgerald (F. Scott Fitzgerald), Sangue Quente (Isaac Marion), Na Floresta do Bicho Preguiça (Anouck Boisrobert, Louis Rigaud e Sophie Strady), Só Garotos (Patti Smith).

Leituras em andamento: Rum: Diário de um Jornalista Bêbado (Hunter S. Thompson).

Livros que chegaram: Boa Ventura! (Lucas Figueiredo), 24 Contos de F. Scott Fitzgerald (F. Scott Fitzgerald), Sangue Quente (Isaac Marion), Na Floresta do Bicho Preguiça (Anouck Boisrobert, Louis Rigaud e Sophie Strady), Rum: Diário de um Jornalista Bêbado (Hunter S. Thompson) e O Museu da Inocência (Orhan Pamuk).

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10 thoughts on “Shakespeare escrevia por dinheiro: Indicando livros

  1. Onde que eu assino? Fico louca quando leio/vejo/ouço uma coisa e não tem com quem compartilhar… e essa é umas razões pra eu escrever – a outra é que tenho prazer em fazer isso.

    1. sim, eu também =] na realidade, eu acho que escrevendo consigo organizar melhor minhas ideias sobre o que li, meio que um segundo passo no processo de absorvê-lo ^^

  2. Nossa, me sinto angustiada quando quero comentar sobre algum livro e ninguém leu. E rola isso também com filmes, músicas, séries, hq’s, etc.

    E uma das coisas legais da leitura é justamente essa, a do “telefone sem fio”. Um comenta com um, que comenta com outro, que comenta com outro. Quando chega no último, ele precisa ler para saber do que todo mundo estava falando.

    Em suma: “Porque ninguém vende um livro tão bem quanto um leitor satisfeito.”

      1. o/ Ler os Harry Potter é promessa registrada no twitter, ou seja, já virou lei, Anica, você não tem como fugir. hahaha

    1. eu sinto isso com bandas, aí se tem alguma mais obscura que eu começo a gostar eu não quero compartilhar com mais ninguém, hehe. mas livros eu simplesmente preciso falar sobre ele com outra pessoa, nem que seja através de um post de blog =S

  3. Pior é quando alguém leu o mesmo livro, mas não leu inteiro, e quando tu tá todo empolgado pra comentar algo sobre a história, vem a pessoa te mandar calar a boca porque não quer ouvir spoiler. Tu abandonou a porra do livro!!! D=

    Namoro com um assim, nunca consegui comentar o final de Crônicas de Nárnia com ele =[

    1. pior que eu faço isso com o fabio, com os livros que ficam na minha lista de espera. só que alguns ficam assim, anooos na minha lista de espera, e ele não pode falar do livro comigo pq ainda não li =S

  4. É por causa dessa bola de neve que eu acabo indicando livros que não li, Só Garotos é outro que indiquei e está na minha fila de espera…rss

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