Sandman: Vidas Breves

Após mais um interlúdio (agora Fábulas e Reflexões), Neil Gaiman retoma a narrativa principal de Sandman em Vidas Breves, arco que foi publicado nas revistas 41 até a 49 da série. O interessante de Vidas Breves é que ao mesmo tempo que ele tem diversos momentos importantíssimos para toda a história de Sandman, ainda assim é um dos arcos que podem ser lidos separadamente, por ser delicioso, divertido e ainda assim não deixar o leitor novato tão perdido. Mas é claro, o ideal é seguir a sequência começando em Prelúdios e Noturnos até chegar a esse arco, tornando a leitura muito mais rica ao combinar com o conhecimento do que aconteceu anteriormente.

Neste arco as histórias não têm títulos, sendo apenas enumeradas e apresentando uma caixa com alguns dos elementos principais do número em questão. É até legal tentar antecipar como algumas palavras que aparentemente não tem nada a ver uma com a outra poderão se relacionar. E com Delírio dominando as páginas desse arco, acreditem, há realmente muito pouco em comum com essas palavras.


A primeir revista abre com Delírio na chuva, conversando com uma sem-teto e lembrando do irmão perdido, Destruição. Bastante confusa, ela acaba encontrando a/o irmã/irmão Desejo, para quem fala de quanto gostaria de reencontrar o irmão. Sem a ajuda de Desejo, parte ao encontro de Desespero, que relembra de Destruição com muito carinho (“ninguém nunca beijou Desespero, a não ser seu irmão”), mas diz para Delírio que não a ajudará a encontrá-lo. É bacana reparar esta aproximação que Gaiman faz de Desespero e Destruição, aliás. Como já vem acontecendo desde o começo da série, as coisas não acontecem por acaso, há sempre significados ocultos nas coisas mais simples.

Na segunda revista mais uma vez a chuva, só que agora no Sonhar. Morpheus está deprimido com o fim de um relacionamento, e isso acaba se refletindo em seu reino. A chegada de Delírio com a proposta de reencontrar Destruição aparece como uma distração para Sonho, que decide ajudá-la, acreditando não existir problema algum nessa busca.

Então chegamos ao terceiro capítulo, com Sonho e Delírio andando entre mortais (o que implica até em uma insólita viagem de avião). Durante todo esse arco as personagens encontrarão deuses vivendo nos dias atuais, como Pharamond, um deus da Babilônia que decidiu deixar de ser uma deidade. Considerando não só o tempo de vida dos Perpétuos, mas também dessas divindades, temos a construção de uma interessante ironia com o título do arco, Vidas Breves.

No quarto capítulo notamos um padrão que começará a se repetir: todas as pessoas da lista de Delírio, que supostamente entraram em contato com Destruição, começam a morrer, assim como quem está ajudando os Perpétuos na busca. Há também um momento em que Sonho relembra de uma conversa que tivera com o irmão séculos atrás, na qual Destruição parece estar se questionando sobre a real necessidade que os homens teriam de uma figura como ele.

Chegamos então à quinta revista, na qual vemos a deusa Ishtar como uma dançarina de um clube de striptease. Já ficou bastante claro inclusive para Morpheus a relação entre as mortes e as pessoas na lista de Delírio, tanto que o Perpétuo avisa a deusa sobre isso. E mais uma vez a ideia de uma deidade se adaptando à nova realidade, longe dos tempos em que era adorada pela humanidade.

É o mesmo que veremos no sexto capítulo, na conversa entre a deusa egípcia Bast e Sonho. A deidade pode ter um gosto dos tempos antigos apenas porque Morpheus recria aquele lugar em sonho, para conversar sobre Destruição, retomando algo que Bast havia dito no arco Estação das Brumas, de que ela sabia onde Destruição estava. Antes desta conversa com Bast, vendo o quão perigosa estava a busca pelo irmão, Sonho retorna ao seu domínio e diz para Delírio que não mais a ajudará. Depois de uma bela bronca da irmã mais velha (Morte) ele muda de ideia e ambos continuam procurando Destruição.

Na sétima revista eles tentam um caminho mais curto, buscando ajuda de Destino. O irmão mais velho inicialmente não é muito cooperativo, mas Delírio, em um raro momento de lucidez, o convence a ajudá-los. A dica é que ainda há um oráculo na terra que Sonho poderá consultar para perguntar sobre o paradeiro de Destruição, no caso é Orpheus, filho de Sonho, que responde onde está Destruição.

No oitavo capítulo temos o encontro entre os três Perpétuos, e as explicações de Destruição sobre por que deixou seus domínios. Em um belíssimo momento de combinação perfeita entre texto e arte, ele fala sobre estrelas, mudanças e a efemeridade de tudo que existe. As duas páginas praticamente resumem toda a mensagem por trás do arco. Para vê-la em tamanho ampliado, basta clicar sobre ela (texto em inglês).

Destruição deixa claro que não retornará para seus domínios, e pede para que não seja procurado novamente. E para o desfecho do arco, Morpheus tem que cumprir sua parte na conversa com o filho, tendo que matá-lo. Em conversa com Desespero, Desejo revela que certa vez jurou que faria Sonho derrubar sangue da própria família, e agora que isso aconteceu (sem que ela fosse realmente responsável, é bom destacar), está com medo. Medo porque os desdobramentos desse ato de Sonho, como se verá, são imprevisíveis.

 

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3 thoughts on “Sandman: Vidas Breves

  1. Pingback: Sandman: Despertar
  2. Morpheus está deprimido com o fim de um relacionamento, no início do segundo Vidas Breves. Mas eu não consigo encontrar quem é a mulher pela qual ele estava apaixonado, nem em qual capítulo isso é relatado. Pode me ajudar???

    1. Oi, Paloma! A moça por quem ele está sofrendo é a Thessália. Eu não sei se você chegou já no arco Entes Queridos, mas lá ela e o Morpheus tem uma conversa que deixa mais explícito que ela passou um tempo no Sonhar de namorico com ele. =]

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