Sandman: Estação das Brumas

Após uma pausa na linha narrativa principal com as histórias de Terra dos Sonhos, Neil Gaiman retorna ao ponto onde havia parado em A Casa de Bonecas neste novo arco, Estação das Brumas. Talvez um dos mais complexos de toda a série Sandman, porque serve de base para diversos eventos que ocorrerão nos arcos seguintes, além de apresentar várias personagens importantes (e bem, trazer a reunião dos Perpétuos). Alguns detalhes podem passar batidos pelo leitor que estiver conferindo a história pela primeira vez, e acredite, muito provavelmente terá que retornar a esse arco quando tiver concluído a leitura com O Despertar.

Estação das Brumas traz algo diferente na página que mostra o título de cada revista, um breve resumo do que acontecerá naquela edição. É um recurso bem interessante para aguçar a curiosidade do leitor, embora eu ache que a edição da Globo tenha vindo com um problema sobre isso nas revistas 25 e 26 (são resumos iguais nas duas). Há também uma divisão bem clara em capítulos, como se fosse um livro, com prelúdio, interlúdio e epílogo, o que não tinha sido utilizado por Gaiman até então (nos outros números ele usava títulos variados).

Em Sandman #21 começamos com o Prelúdio, no qual Destino convoca os outros seis Perpétuos para uma reunião. Há aqui uma apresentação de cada um deles, naquele estilo bem típico do Gaiman misturando descrições de cheiros, sabores e imagens para descrever uma personagem. O evento em si é importante, porque a partir de uma provocação de Desejo Morpheus decide ir até o Inferno para resgatar Nada, a mesma que aparece na primeira história do arco A Casa de Bonecas. Atenção para a arte de Mike Dringenberg, que provavelmente fez uma das melhores representações de Desejo.

A seguir temos o Capítulo 1 de Estação das Brumas, no qual Sonho se prepara para ir até o Inferno. A preparação não é à toa, vale lembrar que em Prelúdios e Noturnos o perpétuo humilhou Lúcifer naqueles domínios. Entre os preparativos temos um encontro entre Morpheus e Rob Gadling (sim, o mesmo de Homens de Boa Fortuna do arco A Casa de Bonecas), que rende um dos brindes mais bacanas já feitos:

Após os preparativos chegamos ao Capítulo 2, no qual Sonho finalmente se confronta com Lúcifer. A surpresa do Lorde Moldador é que ao contrário do que ele imaginava que aconteceria, o “castigo” de Lúcifer pela humilhação sofrida anteriormente é o anúncio de que ele está se demitindo, deixando o Inferno. Ele fecha as portas dos seus domínios e entrega a chave para Morpheus – cortas as asas e vai para a Terra viver como uma pessoa comum, tocando piano e sentindo o sol bater no rosto enquanto descansa na praia. E ele lança a pergunta: “… o que farão na Terra quando os mortos começarem a voltar?”.

No Capítulo 3 temos o retorno de Morpheus ao Sonhar, carregando consigo o presente indesejado que acabara de ganhar de Lúcifer. A chave do Inferno atrai a atenção de diversas deidades, que chegam aos poucos às terras de Sonho. Aqui é interessante a pluralidade de culturas que Gaiman sempre consegue carregar em seu texto, com deuses nipônicos e nórdicos andando lado a lado e sendo recebidos por Sonho para acertarem a questão de quem ficará com as chaves.

O Capítulo 4 funciona como um interlúdio, respondendo a pergunta de Lúcifer sobre o que acontecerá quando os mortos começarem a voltar. É uma das histórias de horror mais bacanas que já li, e aqui considerando tudo, não só HQ. Um garotinho vivendo solitário em um internato cheio de mortos que retornaram, uma situação aterrorizante – até o momento em que aparece a irmã mais velha de Sonho. Acredito que é uma daquelas histórias de arcos que podem ser lidas de forma independente, e apresentar um pouco de Sandman para quem ainda não conhece.

Voltando à narrativa principal, no Capítulo 5 temos os baquetes dos deuses e com ele começam as ofertas pela chave do Inferno. Delas, pelo menos em uma primeira leitura, a mais importante para a narrativa é a oferta do demônio Azazel, que pela chave oferece o demônio Choronzon (do duelo de palavras de Prelúdios e Noturnos) e a alma de Nada – se ele aceitar a proposta, fica com a alma da ex-amante. Caso não aceite, Azazel a devorará. Fica evidente que a escolha de Sonho é bem difícil.

Temos então no Capítulo 6 a decisão sobre quem ficará com a chave,  que obviamente não agrada a todos. Porém, o único que realmente se coloca contra a decisão é Azazel, que confronta Sonho (e como acontece com todos os demônios da série, se dá muito mal). Atenção especial para o momento das despedidas, há algo ali que repercurtirá já na próxima revista.

Finalmente chegamos ao Epílogo, marcado principalmente pela bela despedida de Sonho e Nada, fechando o ciclo que se iniciara na reunião organizada por Destino. Há ainda a fuga de Loki e o destino de Nuala – ambas as personagens reaparecerão em arcos futuros. Como disse inicialmente, Estação das Brumas é um arco complexo justamente por ampliar a teia da narrativa de Sandman.

Dá para perceber também um amadurecimento do trabalho, não só sobre o texto do Gaiman (que fica cada vez melhor, fluindo de modo perfeito) mas também dos responsáveis pela arte de Sandman. Não estamos ainda nem no meio do caminho e a tendência é de que tudo fique ainda melhor até chegarmos ao Despertar.

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