Alma e Sangue: O Despertar do Vampiro (Nazarethe Fonseca)

O mercado literário volta e meia é agitado por alguma mania: bruxos em tempos de lançamento de Harry Potter, teoria de conspiração envolvendo arte e história com O Código da Vinci, por exemplo. Mas poucas dessas “manias” tem durado tanto tempo quando a onda de vampiros. Desde o sucesso de Crepúsculo, um título após o outro é lançado, pelas mais variadas editoras no que parece ser uma febre sem fim. Mesmo com o anúncio da substituição dos dentuços por anjos, ainda assim eles seguem firmes nos lançamentos editoriais.

Um dos problemas disso é a repetição, já que poucos autores trazem realmente algum elemento inovador. Mirando o público infantojuvenil, boa parte desses livros de vampiros traz uma protagonista adolescente com problemas de auto-estima que se apaixona perdidamente pelo ser sobrenatural que revela-se bonzinho, lindinho e que em alguns casos até consegue se expor ao sol. E é aí que O Despertar do Vampiro, primeiro livro da saga Alma e Sangue de Nazarethe Fonseca ganha alguns pontos, justamente voltando “ao normal” quando se fala do mito.

Esqueça a história de vampiro “vegetariano” ou daquele príncipe encantado perfeito. Jan Kmam passa longe dessa nova versão. Ele é cínico, egoísta e sim, um monstro – como é sua condição. Em muito a personagem lembra os vampiros dos anos 90, como Lestat de Anne Rice e Jean Claude de Laurell K. Hamilton. A relação dele com a protagonista também não é só água com açúcar, pelo contrário: em muitos momentos Kara Ramos tenta fugir de Jan, o teme e até o odeia.

A melhor parte do livro está no começo, com o dito despertar de Kmam. Primeiro porque cria um certo tom cômico quando ele fica abobalhado com coisas modernas, como a televisão (“E ainda fala!”). Segundo, por causa do primeiro contato dele com Kara, porque inicialmente a personagem pensa que ele é um assassino a sequestrando (o que não deixa de ser verdade), e ela tenta atacá-lo e fugir dele, não simplesmente cair em seus braços e amá-lo eternamente como convenhamos, por mais que gostemos de histórias como as de Bella & Edward, não é lá muito natural de se fazer.

A trama se enrola um pouco quando vai descrever o passado de Kmam e qual a relação dele com Kara, e temos o que achei um excesso de antagonistas, mas ainda assim Nazarethe recupera o fôlego no final, trazendo uma ótima surpresa e mais do que isso, um bom gancho para o segundo livro da série, O Império dos Vampiros. E o melhor de tudo: literatura brasileira, sem ser chata ou pedante. Pelo contrário, até muito divertida.

Em tempo: nesta semana entrevistamos aqui no Meia Palavra a autora do livro, Nazarethe Fonseca. Clique aqui para conferir nossas 10 Perguntas e Meia para ela.

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