Shakespeare Escrevia por Dinheiro – O novo e o velho

A partir deste mês começaremos a publicar colunas fixas aqui no Meia Palavra. Sinto para quem esperava grandes nomes da literatura, mas os colunistas somos nós mesmos, há! A ideia é sair um pouco da formalidade das resenhas e dar uma visão mais pessoal da nossa relação com o que temos visto por aí. Aos poucos vocês conhecerão o estilo de cada um, bem como que rumo cada coluna tomará.

O Shakespeare Escrevia por Dinheiro foi caradepaumente roubado de Nick Hornby. Não só a ideia de fazer um balanço mensal das leituras (como ele costuma escrever para o Believer), mas o título também. Como disse, é bem provável que com o tempo a coluna vá mudando o formato, mas por enquanto o que teremos é o que se apresenta a seguir.

Livros lidos: Never let me go (Kazuo Ishiguro), O fio das missangas (Mia Couto), Slam (Nick Hornby), O Palácio de Inverno (John Boyne), Papéis Avulsos (Machado de Assis), Medo e Delírio em Las Vegas (Hunter S. Thompson), Um dia de chuva (Eça de Queiroz), O estranho mundo de Zofia e outras histórias (Kelly Link), O Violinista e outras histórias (Herman Melville), Disgrace (J. M. Coetzee).

Leituras em andamento: Falling Angel (William Hjortsberg) e O Despertar do Vampiro (Nazarethe Fonseca)

Livros que chegaram: A Universal History of the Destruction of Books: From Ancient Sumer to Modern-day Iraq (Fernando Baez), The Book of Lost Books: An Incomplete History of All the Great Books You’ll Never Read (Stuart Kelly), Slam (Nick Hornby), House of Leaves (Mark Z. Danielewski), O Violinista e Outras Histórias (Herman Melville), Ubik (Philip K. Dick), O Fio das Missangas (Mia Couto), Papéis Avulsos (Machado de Assis), O Despertar do Vampiro (Nazarethe Fonseca),O Império dos Vampiros (Nazarethe Fonseca), O Pacto dos Vampiros (Nazarethe Fonseca) e Kara e Kmam (Nazarethe Fonseca)

Não sei se vocês já leram aquele conto da Clarice Lispector, o Felicidade Clandestina. Sempre que fico louca de vontade de ler um livro e ele finalmente chega nas minhas mãos eu lembro dessa história. Descobri por acaso House of Leaves, mas quando li sobre ele simplesmente pirei, precisava ler o livro. Comprei com um vale-presente que ganhei de aniversário de um casal de amigos, e eis que agora na metade de fevereiro ele finalmente dá o ar das graças aqui em casa. E há, estou com tanta coisa acumulada que ainda nem consegui ler, que beleza, não?

Mas vamos lá, a “leitura acumulada” não é ruim. Quem pode dizer que se apaixonou duas vezes em um mês só, não é mesmo? Primeiro foi Mia Couto (e sim, eu também era uma daquelas pessoas que antes de ir atrás de saber mais sobre o autor, achava que era “a” Mia). Com o excelente O Fio das Missangas, fiquei encantadadíssima e agora quero conhecer mais do que ele já escreveu. Depois já para o fim do mês veio J.M. Coetzee, que com Disgrace (Desonra aqui no Brasil) conseguiu um lugar no meu top10 de todos os tempos que eu não costumo mexer muito frequentemente, não. Agora ele está assim:

1 Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
2 1984 – George Orwell
3 Budapeste – Chico Buarque
4 Esperando Godot – Samuel Beckett
5 Hamlet – Shakespeare
6 A Estrada – Cormac McCarthy
7 Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago
8 Desonra – J.M. Coetzee
9 Ubik – Philip K. Dick
10 Alta Fidelidade – Nick Hornby

Não espalhem, mas eu tirei Machado de Assis para dar um espaço para ele. Pois veja, esse tipo de encanto não acontece sempre, e quando um autor consegue mexer com você para além da história que está contando, mas também com a sua história, esse momento merece ser registrado. E sim, por conta da lista, de um dos itens dela e mesmo desse balanço mensal de leituras, vocês já devem ter percebido que eu sou fã do Nick Hornby. Aí para manter a minha média de um Hornby por ano (que faz sempre muito bem!), fui de Slam.  Adiei essa leitura por muito tempo porque achei que seria mais fraquinho, e de fato não é o autor britânico na sua melhor forma, mas ainda assim foi divertido, valeu a pena.

Das leituras atrasadas também teve Medo e Delírio em Las Vegas, que há anos queria conferir e adorei. O irônico é que na época que assisti ao filme (quase uns 10 anos atrás? não lembro bem) eu achei idiota e detestei. Vocês vejam como vamos mudando e como sempre vale a pena dar uma segunda chance.

De qualquer modo, o padrão que acabo de perceber é que tenho me encantado muito com a leitura contemporânea. Eu sempre fui apaixonada por clássicos e acreditem, nos tempos de faculdade eles dominariam minha lista de favoritos. Mas de um tempos para cá parece que quem tem conseguido me surpreender não é o pessoal da velha guarda, mas os mais atuais. Vá entender.

Enfim, foi um bom mês, no final das contas. Boas leituras, e ainda bem que não teve nenhuma tão ruim que fizesse eu querer abandonar o livro. (é, agora eu perdi os pudores de abandonar um livro se acho muito ruim, falo melhor sobre isso quando abandonar algum).  Surpresas muito positivas também, como com Never Let Me Go e Kelly Link com sua coletânea de contos O Estranho Mundo de Zofia e outras histórias. Vamos ver se esse ano consigo um saldo tão positivo quanto o de fevereiro.

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5 thoughts on “Shakespeare Escrevia por Dinheiro – O novo e o velho

  1. ih tb estou com uma leitura acumulada, são tantos que quero ler, ainda bem que tem o Skoob para eu marcar os livros que eu quero ler e não esquecer =)
    alguns estão na meta de 2011 ^^
    e minha lista aumentou depois de ler a tua coluna, tantos livros que vc mencionou que deu vontade de ler agora =D~
    bom, primeiros os livros dos vestibulares, alguns de teoria e outras para relaxar..essa é a ordem de prioridade, quero ver se consigo segui-la hehehehe
    gostei desse novo cantinho do meia, parabéns Anica o/

  2. @Arthur: Eu li no kindle, então não tenho certeza do número da página. mas lembro que no começo estava achando só bonitinho, mas aí chegou um momento wtf e o livro me conquistou completamente.

    @Maníaca: Valeu =******

  3. Gosto do House of Leaves, lembro de comprar ele todo empolgadão mas achar meio decepcionante… enfim, não quero jogar balde de água fria nem nada. 😛 foi em 2005, hoje talvez eu gostasse mais… (ou menos…)

  4. o pior é que eu meio que estou esperando não gostar taaaanto assim. o fábio vive me zoando por isso, eu jogo minhas expectativas lá no alto e aí quando o livro é “só” bom eu fico toda frustrada. vamos ver se com house of leaves isso se repetirá =S

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