Harry Potter antes dos 30 – Parte II

Sigo firme com minha meta de ler toda a série do Harry Potter antes de chegar aos 30. Agora são mais 5 livros para ler em 3 meses, o que até daria conta com tranquilidade se as histórias não fossem aumentando exponencialmente, né? Aliás, já notaram como isso costuma acontecer com coleções de sucesso? Eu até consigo imaginar a conversa na editora, a escritora manda a primeira versão lá com suas 200 e tantas páginas e aí o sujeito pergunta “Mas não dá para colocar mais detalhes sobre o Quadribol? E por que não mais informações sobre os fantasmas de Hogwarts? O público vai adorar e nem vai se importar de pagar um pouco a mais em um livro maior! Todo mundo fica feliz!“.

De fato, Harry Potter e a Câmara Secreta é um tanto mais enrolado (ok, mais cheio-de-detalhes) do que o primeiro título da série, mas a estrutura é semelhante (e não faço ideia se vai se repetir nos próximos livros): um pouco da vida de Harry com os tios, chega à Hogwarts, um mistério se apresente, Harry quebra várias regras da escola para desvendar o mistério, Harry se dá bem, Harry volta para casa. O negócio é que por ter mais detalhes, parece que Rowling teve melhor oportunidade para desenvolver a parte do mistério, que na minha opinião ficou bem melhor do que em Harry Potter e a Pedra Filosofal.

No segundo volume da série começamos com Harry tendo dificuldades para voltar para Hogwarts, e tenta desvendar os mistérios envolvendo a dita Câmara Secreta, uma lenda relacionada com o fundador da casa Sonserina (gente, eu estou lendo em inglês, se traduzi errado ou deixei de traduzir algum termo, me avisem!) que digamos assim, não curtia muito os trouxas.

Se no primeiro volume temos uma narrativa mais linear e simples, quase como passar de fases em um jogo, aqui há vários elementos de distração, digamos assim, ajudando a não tornar tão óbvia a respostas às perguntas levantadas na história: o que é a Câmara Secreta? Quem está petrificando os alunos? A voz de quem Harry está ouvindo? (etc.) O trio principal também ganha mais chances de ampliar suas características, saindo dos meros “tipos” que eram em Pedra Filosofal (especialmente no caso de Ron e Hermione) e agora com mais informações sobre a personalidade – coisa que possibilita identificação, empatia.

E mesmo os antagonistas estão melhores, embora complexidade mesmo eu vejo mais é no Snape. Aliás, adoro o que a Rowling faz com os professores. Esses sim, em sua maioria continuam sendo tipos, mas funciona muito bem na identificação imediata, causando ótimo efeito. Todo mundo já teve um professor meio avoado, um professor ranzinza que pega no pé, um professor todo empolgado, etc. E o melhor nesse volume foi a inclusão do divertidíssimo Gilderoy Lockhart (como eu vi o filme, fiquei com Kenneth Branagh na cabeça!). Não digo na escola, mas na faculdade tenho certeza que todo mundo cruzou com um professor cujo ego era do tamanho de um bonde, indicando na bibliografia só títulos escritos por ele mesmo e fazendo da aula um show de biografia do mestre.

E claro, teve o que chamei inicialmente de enrolação. Não digo que seja no sentido pejorativo, porque por exemplo, aquele início na casa dos Weasley poderia ser considerado “enrolação” e ser deixado de lado, mas é exatamente o tipo de coisa que permitiu o desenvolvimento de personagens, inclusive o próprio Harry. Desnecessário mesmo, na minha opinião foi a festa dos fantasmas, daria para colocar os elementos ligados a ela sem necessariamente ter a festa. Mas no geral, acabou fornecendo mais elementos para enriquecer todo o pano de fundo das aventuras de Harry, da vida em Hogwarts e fora dela.

Por isso dá para dizer que Harry Potter e a Câmara Secreta é um tanto melhor que e a Pedra Filosofal. Li os últimos capítulos em uma tacada só, porque foram bem empolgantes como uma boa aventura deve ser. E a saber: eu cheguei a ver o filme, mas desse lembrava pouca coisa, então realmente me surpreendi no fim. O único spoiler era sobre a irmã de Ron, que bem, meio que já sei o que acontece com ela nos livros mais para frente. Mas nada que estragasse a leitura desse. E agora lá vou eu para Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban somando a esse o próximo livro, eu chego no ponto em que não assisti mais aos filmes e aí posso até me surpreender ainda mais.

ROWLING, J.K.. Harry Potter e a Câmara Secreta. Editora Rocco. Tradução: Lia Wyler.


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3 thoughts on “Harry Potter antes dos 30 – Parte II

  1. Os termos foram traduzidos corretamente, Anica.
    E a sua resenha foi bem coerente.

    Estou ansiosa para saber o quê você vai achar de O Prisioneiro de Azkaban (mesmo que você já tenha visto o filme).

  2. É engraçado, eu comecei a ler Harry Potter faz umas duas semanas também. Engraçado porque, justo agora, no final da saga do cinema (assisti todos os filmes), só agora, eu fui me interessar em ler. E é claro que a promoção do Submarino que vendia os 7 volumes pelo preço de dois ajudou muito também.

    Mas eu tenho essa sensação de que deveria ter lido antes, também, sabia? Quem cresceu lendo essas histórias, certamente cresceu mais feliz. Está tudo ali pra um adolescente. Acho isso fantástico. No entanto, eu nunca acreditei no hype e por isso não quis ler, quando começou a fazer sucesso. Isso e o fato de na época eu ser um uber viciado em Tolkien, o que apresentava o resto dos livros de fantasia como ridículos aos meus olhos. (Ou seria mais apropriado dizer que na época eu era mais viciado na Valinor do que no próprio Tolkien?…)

    Terminei o terceiro livro ainda ontem. E o que mais me empolgou até agora são mesmo os finais. É sempre tão empolgante, tão arrebatador que é difícil de largar o livro. E tenho a meu favor minha péssima memória, assim eu ainda consigo me surpreender com o desfecho das histórias que já assisti no cinema.

    Agora eu entendo o porque do sucesso e o porque de JK Rowling ter se tornado uma autora tão cultuada. Meu, os livros são demais. Quero dizer, não vão mudar o mundo, talvez me ensinem pouquíssimas coisas, mas não é isso que está em jogo, é a fantasia, é a possibilidade de me envolver com personagens possíveis, reais e que me provocam um tremendo afeto. Quem cresceu lendo Harry Potter, com certeza cresceu aprendendo a ser um pouco mais feliz.

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