Excalibur (Bernard Cornwell)

Finais de sagas são sempre tristes. Não importa se porque a conclusão por si só seja melancólica ou feliz, a verdade é que depois de ler vários livros acompanhando uma determinada personagem, você se apega e aí às vezes a “tristeza” do fim tem mais a ver com a despedida do que com o término da história. E não poderia deixar de ser assim com Excalibur, que completa a trilogia As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell.

Eu não vou dizer que me apeguei tanto assim à Derfel e cia. São apaixonantes (especialmente Artur, que na maioria das lendas é só um bundão enganado por todos e aqui é um líder cativante) e algumas delas odiosas (lembrando aqui de Lancelote, sempre um dos favoritos em histórias de Artur, e descrito por Cornwell como o mais asqueroso dos covardes). Mas talvez o fato de não ter lido um livro seguido do outro pode ter pesado um pouco na questão do “apego”.

De qualquer modo, Excalibur conclui muito bem a saga. E o título é perfeito, porque dos três eu achei que foi o que mais teve batalhas, mais sangue. Nesse desfecho Artur finalmente consegue se livrar dos saxões (embora todos soubessem que temporariamente) mas aí passa a ter que lidar com as disputas por poder dentro do próprio reino que jurou defender. E se você lembrar qual é a conclusão da lenda de Artur, e mesmo retomar a condição do narrador Derfel desde o primeiro livro (vivendo em um mosteiro, recebendo ordens de Samsum), já dá para imaginar que não é exatamente um “final feliz”.

O que mais gostei aqui é, mais uma vez, como Cornwell trabalhou com as personagens. Depois de dois livros eu achava que Guinevere era a vaca mais nojenta de qualquer história já escrita, e em Excalibur ela reaparece como uma personagem extremamente cativante, inclusive participando das batalhas. E não de um jeito forçado, como se ela tivesse acordado da noite para o dia mais bacaninha. Houve um desenvolvimento progressivo, que levou a isso (e me faz lembrar de quando no primeiro livro Igraine diz que odiava Guinevere e Derfel comenta que então falhou miseravelmente em descrevê-la).

Outra personagem que muda é Nimue, sempre amiga do narrador e nessa conclusão completamente louca e obcecada com sua religião, ao ponto de fazer o impensável para conseguir o que precisa para completar um ritual: Excalibur e o filho de Artur. Ela aparece como mais uma peça em um tabuleiro cheio de personagens prontas para atacar Artur, que falhou justamente por não aceitar sua natureza, a de ser rei.

Vale a pena acompanhar a trilogia, e deixar para trás algumas imagens já cristalizadas sobre o ciclo arturiano. Insisto que a questão de ser a mais verdadeira história de Artur não é exatamente a melhor definição, porque Cornwell mesmo comenta no posfácio que nenhum dos dados nos quais se baseou eram conclusivos e/ou definitivos. Foram inspiradores, no final das contas. O brilho da obra no sentido histórico ainda fica por conta de como o autor descreve os hábitos da época, como por exemplo as comemorações de Beltane e Imbolc.

Diversão garantida, daqueles livros que você lê tão rápido que só percebe que chegou no fim porque as personagens estão se despedindo. E se bater saudades, talvez valha a pena arriscar os outros títulos de Cornwell que já foram publicados no Brasil.

Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record

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One thought on “Excalibur (Bernard Cornwell)

  1. Cara! As Crônicas de Arthur *.* Eu assim como vc me apeguei muito aos personagens, já faz mais ou menos 3 meses que li o Excalibur mas até hoje ainda sinto falta do Derfel e do Arthur! É muito triste chegar ao fim de uma história tão boa! A melhor que eu já li! *.*

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