10 perguntas e Meia para Thiago Tizzot

CapinhaHoweRGBO que você fã de Tolkien tem em comum com Thiago Tizzot? Muito mais do que a admiração pelo escritor britânico. Saiba que se você é um daqueles que tem em mãos o livro do Curso de Quenya, Curso de Sindarin e As Cartas de J.R.R. Tolkien, você deve muito a esse jovem editor que resolveu apostar as fichas nas publicações dessas obras aqui no Brasil. Tolkien também é uma das influências desse escritor curitibano, que já publicou dois livros: O Segredo da Guerra (2005) e lança agora em 2009 A Ira dos Dragões, uma coletânea de contos com ilustrações de John Howe (cuja capa ilustra esse artigo).

Além disso, Tizzot também é editor da Revista Arte e Letra: Estórias, uma revista literária formada por textos de ficção e não-ficção, escritos por brasileiros ou estrangeiros, inéditos ou fora de circulação há algum tempo. Você também pode ler mais textos de Thiago Tizzot na coluna Old Toby do site Valinor. Com vocês agora as 10 perguntas e meia para Thiago Tizzot.

1. Como surgiu o gosto pela literatura fantástica?

Sempre gostei dessa atmosfera da Fantasia, desde o tempo que assistia Caverna do Dragão, mas na literatura foi quando descobri J. R. R. Tolkien. Quando li pela primeira vez O Senhor dos Anéis fiquei viciado e comecei a procurar outros livros parecidos, mas não era uma missão fácil, já que não existiam muitos livros de Fantasia por aqui. Na época eu ainda não lia em inglês e ficava restringido as traduções, que até hoje ainda não oferecem muitas opções.

2. Quem influenciou esse gosto?

Não consigo imaginar alguém, meus pais sempre tiveram uma boa biblioteca em casa, mas nada de Fantasia. Descobri o Tolkien meio que por acaso, foi a capa que me chamou a atenção. Eu não tinha nenhuma indicação ou referência quando comecei a ler.

3. Você acha que existe preconceito da crítica especializada sobre a literatura fantástica? O que pensa sobre isso?

O preconceito existe, está diminuindo com o passar dos anos. Mas Fantasia, Ficção Cinetífica, Horror e Policial ainda são considerados uma literatura menor. Apesar de o Policial já estar quase fora dessa turma. É uma grande bobagem já que literatura é literatura, ou tem qualidade ou não. O que mais me incomoda nisso tudo é que esse preconceito afasta o leitor, as editoras não apostam nos livros e ficamos estagnados. Contudo a coisa parece estar mudando, a geração que cresceu assistindo a Caverna do Dragão, jogando RPG e videogame cresceu, mas muita gente mantém esses hábitos. Por isso agora vemos o HQ receber tanta atenção e a indústria de jogos render mais do que a de cinema. Para a literatura fantástica vai demorar um pouco mais, mas um dia quebra o preconceito.

4. Quais são seus autores favoritos?

Se fosse dizer de quem gosto seria uma lista muito grande, sempre estou lendo autores que não conheço e normalmente descubro coisa boa. Para ficar em um nome só, diria J. R. R. Tolkien.

5. Qual livro frustrou suas expectativas. Por quê?

A Metamorfose, não que eu tenha achado o livro ruim. É excelente e Kafka é um dos grandes mestres, mas eu tinha uma expectativa muito grande sobre o livro. Contudo a leitura não me levou até ela.

6. No livro livro “Ira dos Dragões” você criou textos baseado nas ilustrações de John Howe. Como foi o processo de criação da história baseada nas ilustrações? As ilustrações seguiam algum padrão ou sequência lógica?

Foi diferente, quando o John me mandava a ilustração eu tentava quebrar ela em vários elementos e descobrir o que cada coisa era, qual a história por traz de cada desenho. Por exemplo, se a imagem tinha um castelo, um elfo e estava chovendo. Minha primeira reação era descobrir qual era aquele castelo, quem o habitava e sua história. Depois passava ao elfo, por que ele estava ali? Estava chegando ou saindo? Finalmente chegava a chuva, as vezes alguns elementos não ajudavam muito na criação da história. Normalmente depois de fazer isso eu já estava com um esboço de história para seguir, só então começava a escrever. As ilustração não tinham nenhuma ligação entre si, eram completamente randômicos.

7. Você criou um universo próprio em seu novo livro “Ira dos Dragões”. Que tipo de elementos você utilizou na sua obra para criar esse universo através dos contos?

O “Ira dos Dragões” é a continuação da criação de um mundo que começou em “O Segredo da Guerra”, muitos dos contos refletem elementos que criei para Breasal, o mundo onde se passam os livros, que não puderam ser explorados no Segredo. O elemento mais importante na criação de um mundo é a História. Claro que existe um número incrível de elementos necessários, reinos, geografia, raças, culturas e por ai segue. Mas é a História que vai colocar todos em movimento, vai uní-los e “dar vida” ao mundo.

8. Quais os desafio encontrados para a criação da editora Arte & Letra?

Espaço. O Brasil hoje tem um número muito elevado de editoras, um número de lançamentos absurdamente alto para o tamanho de seu mercado. É preciso lutar bastante para conseguir um espaço.

9. E quais são os planos para o futuro da editora? Há alguma coisa que você possa compartilhar com os leitores do Meia Palavra?

A editora pretende continuar com o trabalho que vem fazendo até agora, apostando nas “lacunas” que existem. Trazendo livros que estavam ignorados por outras editoras e coisas novas. É o caso do nosso lançamento de novembro, Quatro Novelas Exemplares de Miguel de Cervantes, textos importantíssimos que estavam fora de catálogo há tempos ou com projetos como a revista de literatura Arte e Letra: Estórias que já vai completar dois anos de vida.

10. Que dicas você poderia dar para quem está começando a escrever?

Quando estava escrevendo meu primeiro livro recebi um conselho de um escritor, ele me disse que o mais importante é ter paciência. Acrescentaria persistência. Além de ter paciência para poder trabalhar o texto até chegar ao ponto certo, é preciso sempre continuar escrevendo, trabalhando. Mesmo que agora não exista nenhuma possibilidade de ser publicado, você precisa trabalhar, afinal nunca sabemos quando a oportunidade surgirá.

1/2. O fantástico da literatura é… deixar se levar pelo texto e vivenciar experiências únicas.

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