Zumbis na Literatura

night-of-the-living-dead-zombiesO maior problema para situar historicamente as primeiras aparições de zumbis na Literatura está na delimitação da representação apropriada da figura. Enquanto para alguns leitores para ser zumbi basta ser um morto-vivo (undead), outros acreditam que essa definição é problemática se considerarmos outras personagens da literatura de horror, como os vampiros. Há ainda a questão do imaginário de grande parte dos leitores estar relacionado com os zumbis de filmes como o de George A. Romero, seres violentos e primitivos com corpos já em evidente estado de decomposição.

Um dos autores que melhor se aproximou dessa imagem antes mesmo dos filmes de Romero chegarem ao cinema foi H.P. Lovecraft, que em 1922 publicou Herbert West: Reanimator (sim, aquele filme foi adaptado dessa história). Na história de Lovecraft temos um elemento comum em muitas das tantas outras que viriam depois, a da ciência envolvida com o horror: os cadáveres sendo reanimados por conta de algum reagente misterioso (lembram do gás de A volta dos mortos-vivos e de Planet Terror?).

Como deve ter ficado claro, o cinema acabou conquistando um papel vital na construção do arquétipo do zumbi moderno, aqui incluindo não apenas Romero, mas diretores como Lucio Fulci, que são fontes de inspiração para muito escritor que resolve se aventurar nesse nicho do horror. Aqui você poderá conferir dicas do Meia Palavra para cinco obras da literatura moderna que são exemplos dessa inspiração.

world_war_z_book_coverWorld War Z (Max Brooks): Começar pelo melhor chega a ser injusto com os demais, mas o fato é que World War Z é um romance brilhante sob todos os aspectos, não só como história de zumbi. O narrador começa explicando que foi contratado para colher depoimentos dos sobreviventes da World War Z, e que como muita coisa foi deixada de lado nos relatórios oficiais, ele resolveu unir as histórias em um livro. Os relatos começam desde as primeiras aparições dos zumbis até o final da guerra, e têm o formato de “contos”, alguns deles terminando de maneira tal que você até precisa fechar o livro para recuperar o fôlego. Excelente, daqueles que até mesmo quem não gosta de zumbis deveria ler um dia.

celular_212Celular (Stephen King): A ideia começa de forma interessante, com um sinal de linha misterioso que afetou todo mundo que estava falando ao celular naquele momento, transformando essas pessoas em zumbis. Os primeiros momentos, e mesmo a descrição de como lugares conhecidos para a personagem mudam drasticamente passado um tempo depois do sinal de linha são muito bons, elevando a tensão a pontos altíssimos. O que estraga é a conclusão, que além de ser meio sem pé nem cabeça pareceu extremamente preguiçosa. Mas ainda assim vale a leitura, tanto para os que gostam de horror quanto para os que gostam de histórias de zumbis.

generation_deadGeneration Dead (Daniel Waters): Muito embora a sinopse possa passar a falsa ideia de que trata-se de uma Malhação com zumbis (ou um Crepúsculo com zumbis), averdade é que Generation Dead vai fundo em uma das características principais das histórias envolvendo mortos-vivos: o uso da alegoria para fazer crítica social. Aqui adolescentes  que acabaram de morrer simplesmente voltam dos mortos, e passam a viver como “pessoas comuns”. O problema é que são marginalizados, e é impressionante como do preconceito dos adolescentes que surge o real horror do livro. Muito interessante, e já tem continuação: Kiss of Life.

6a00c2251fecfa8fdb0109d0f5e4bf000f-500piThe Laughing Corpse (Laurell K. Hamilton): Em outra oportunidade eu comentei sobre a série da caça-vampiros Anita Blake, mas foi comentando o primeiro livro (e único que tem tradução disponível aqui no Brasil), Prazeres Malditos. Mas no segundo livro da coleção o que pesa mais é o fato de Anita ser uma “animator” e poder levantar mortos e controlar zumbis, com a história praticamente focada nisso. Ironicamente é um dos melhores livros da série, com alguns momentos em que a tensão é muito bem desenvolvida e claro, com o ótimo senso de humor ácido da protagonista e narradora Anita Blake. O negócio é torcer para que a Rocco volte a publicar as traduções.

Eu sou um zumbi apaixonado (Isaac Marion): na verdade não é um livro, mas um conto. Mas um conto tão, tão legal que merece um espaço aqui nas indicações. Você pode ler em inglês no site do autor, ou ler a tradução do Marco Aurélio lá no Jesus me chicoteia!, mas o importante é: leia. Marion já publicou um livro que seria baseado nesse conto, o Warm Bodies, o problema é que ele lançou em tiragem limitada e no momento não tem como comprar, então só resta ler o conto mesmo.

***

Só para terminar:

  • Não sei se repararam em um padrão nessa lista de sugestões: quase todos não foram publicados aqui no Brasil ainda. Eu pessoalmente acho uma pena que um livro como World War Z não tenha tradução, e que as editoras brazucas estejam preferindo seguir o hype das histórias de vampiros e deixando de lado ‘n’ títulos relacionados com zumbis, mesmo os que tem mais a ver com humor do que horror, como o Pride and Prejudice and Zombies do Seth Grahame-Smith. Fica a dica para as editoras aí: zumbis são legais. Zumbis pode ser engraçados, assustadores e até românticos, como nossas sugestões deixam claro. Vamos variar, minha gente.

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10 thoughts on “Zumbis na Literatura

  1. Acho que foi você mesma que citou, é mais fácil o livro ser adaptado para alguma editora se interessar. O que é uma pena.

    World War Z é de longe o que eu mais quero ler.

  2. Faltou citar The Zombie Survival Guide (O guia de sobrevivência a Zumbis),muito engraçado e será de grande ajuda quando chegar o dia inevitável.

  3. Definitivamente todos estes livros estão na minha lista para leituras futuras (de preferências em breve).

    Sempre procuro títulos de livros sobre zumbis e este post foi de grande ajuda, pode ter certeza.

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