Leite derramado (Chico Buarque)

livroPoucos escritores no Brasil têm tanta moral como Chico Buarque, para ter um lançamento de livro tão badalado como o de Leite derramado (que chega hoje às livrarias). Até ontem à noite nada se sabia sobre a mais nova obra de Chico, a não ser o título e que  a informação de que o enredo girava em torno de uma família (sim, a Companhia das Letras só divulgou isso, até mesmo para as livrarias). E enquanto para alguns escritores isso pode simplesmente nem fazer a diferença, no caso dessa obra vi mais do que um leitor curiosíssimo sobre o que seria o tal do Leite Derramado. Vi até contagem regressiva (do tipo “Faltam três dias, faltam dois dias…”).

No final das contas é um “fênomeno” extremamente positivo para o mercado editorial brasileiro, que vê atualmente nas listas de mais vendidos (ou seja, títulos mais procurados) quase que apenas obras infanto-juvenis. Saber que o público está interessado na obra de um autor tão denso como Chico (basta ler a obra anterior, Budapeste, para compreender o sentido de “denso”), mesmo que seja por causa do músico Chico Buarque, e não necessariamente o escritor, já dá qualquer esperança.

Inclusive usar a música para popularizar a literatura (ou o status no mundo da música) não chega a ser algo ruim, muito menos novidade aqui no Brasil. Vinicius de Moraes, famoso por sonetos que todos sabem de cor adotou não só na música mas também na poesia uma forma mais simples (a Balada, por exemplo), justamente para tornar a poesia mais acessível. E veja só o efeito disso: você pode contar nos dedos a quantidade de pessoas que não conhecem pelo menos algum trabalho dele, não?

Voltando ao Chico e ao Leite Derramado, aparentemente já sairá com uma boa tiragem, o que garante um preço razoável (nas livrarias virtuais não está passando de 30 reais), mais um ponto favorável, os curiosos de plantão nem terão que pensar duas vezes na hora de comprar. Mas sim, a partir de hoje já é possível saber sobre do que se trata o novo livro, basta acessar o site de divulgação. No site também está disponível o primeiro capítulo da obra, além de outras informações sobre o livro e o autor. Além disso, a Época já publicou uma ótima reportagem sobre Leite Derramado e as demais obras de Chico Buarque.

E se você já leu todo o livro, mande sua resenha para publicarmos aqui no Meia Palavra. Basta enviar para o email meiapalavra@meiapalavra.com.br

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8 thoughts on “Leite derramado (Chico Buarque)

  1. Nesse livro o Chico se mostrou o maior domador da nossa selvagem língua.
    Para mim, o cara é o melhor prosador do Brasil.
    Não curto muito o seu primeiro livro, “Estorvo”, mas de lá para cá, ele tem apresentado só coisa fina.
    Esse Francisco é iluminado!

  2. Foi uma delícia ter lido “Leite Derramado.”
    Dei boas risadas em meio às digressões de Eulálio, lembrei-me de Bentinho e Capitu, pensei na velhice…
    Enfim, não li, ainda, “Budapeste”, mas por “Leite Derramado” Chico provou ser tão bom escritor quanto músico.
    “Leite Derramado” vai para a galeria dos meus preferidos.

  3. Definitivamente voltei e encerrei minhas férias. Cheguei em Foz ontem bem de noitinha e hoje foi só aquela arrumação, lavar roupa, tentar colocar o minímo das coisas no lugar pra vida poder andar. Fui visitar algumas escolas hoje para o João também, enfim, lentamente volto a rotina. Mas gostaria de registrar aqui uma boa opção de leitura. Como sempre, comprei um livro para ler nas férias. Jamais havia lido Chico Buarque e confesso que foi pela boa música que arrisquei minha leitura de férias no livro “Leite Derramado”. Ótima narrativa que acompanha a decadência da família quatrocentona Assumpção desde tempos coloniais e em todo seu esplendor durante o Brasil Império até os primeiros anos republicanos. A partir da reviravolta republicana e a modernização do Brasil, bem como toda mudança de mentalidade da sociedade brasileira, a família lentamente vai se desmantelando e o narrador, Eulálio Assumpção, um centário morimbundo interno de um hospital público vai alternando lembranças imemoriais do esplendor de sua família (que ele chega a desfrutar) até a decadência contemporânea, com especial atenção para a percepção de um homem centenário sobre traços e valores modernos que ele não é capaz mais de assimilar. O livro vale cada parágrafo, a narrativa é envolvente e o Chico, enfim, o Chico é sempre o Chico, se emociona na música, na literatura consegue ser ainda mais encantador.

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